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Friday, April 10, 2015

Ataque Cibernético a TV Francesa TV5Monde

O Estado Islâmico (ISIS) reinvindicou a autoria de um ataque ocorrido ontem pela rede de TV "TV5Monde". O resultado foi a interrupção da transmissão da TV, além da retirada do ar do site e páginas de mídias sociais (Facebook, Twitter). Os atacantes também publicaram / "vazaram" documentos obtidos das redes impactadas pelo ataque.

Hoje algumas informações sobre o ataque começam a surgir em sites especializados em tecnologia, na França:

http://www.lemondeinformatique.fr/actualites/lire-les-dessous-de-la-cyberattaque-contre-tv5-monde-60798.html

Pelo descrito neste artigo:

1) Houve um contato inicial com um jornalista da rede interna da TV, através de Skype, e foram usadas as técnicas conhecidas de identificação de endereço IP interno / externo "Skype resolver" - exemplo: http://skypegrab.net/resolver.php

2) Após isto foram passadas URLs especialmente criadas para exploração de vulnerabilidades Java (Drive-By-Download) - não se sabe ainda se foi utilizado um "Exploit-Kit" ou criada uma página especial com as informações obtidas com a ação descrita no item "1"

3) o ataque descrito em "2" introduziu um worm em VBscript que tinha por objetivo encontrar os servidores responsáveis pela transmissão de programas de TV.

4) Os IPs que originaram os ataques são do Iraque e Algéria.

Outras fontes citam também passwords de fácil adivinhação / quebra como uma das causas que facilitaram os ataques:

"We learn in an interview with an official of the Russian computer that the security password of the main server hosting the websites and TV5monde’s data that the chain was “azerty12345.”" < lembrando que os teclados na França começam com "azerty" em vez de "qwerty"..

http://estpresse.com/tv5-monde-hacking-the-main-password/?lang=en

Parece realmente que eles não são muito cuidadosos com senhas:

"Hacked French network exposed its own passwords during TV interview"
http://arstechnica.com/security/2015/04/hacked-french-network-exposed-its-own-passwords-during-tv-interview/

PS: Estarei atualizando este post conforme novidades surjam novidades sobre o ataque.

Monday, August 27, 2012

Exploit Kits e o seu Java


[ Update: 10/01/2013 ]

    • O patch está disponível no site da Oracle (em 13/01/2013 - quatro meses depois do conhecimento da vulnerabilidade pela empresa).
    • Ainda em dúvida? Saiba que o Java é responsável por mais de metade (56%) de todos os ataques relacionados à softwares vulneráveis. 

[ Update: 30/08/2012 ]

A Oracle lançou um patch "out-of-band" e corrigiu a vulnerabilidade do Java. Não perca tempo e atualize-se agora: http://www.oracle.com/technetwork/java/javase/downloads/index-jsp-138363.html

Se você administra uma rede com muitos endpoints, comece logo para não se arrepender depois, o número de ataques utilizando esta falha está crescendo exponencialmente.

[ Update: 27/08/2012 ]

O Java continua sendo um dos maiores vilões da segurança dos endpoints na atualidade. A falha publicada ontem afeta as versões do Java 7 (do update 0 até o 6). 

Se você não precisa do Java, desabilite o plugin/extensão relacionada, e a ative apenas para acessar os sites que necessitam dele habilitado para funcionar. Uma alternativa de fácil utilização para  o Firefox é o NoScript. Nas versões mais recentes do Chrome a execução do Java é autorizada por sessão ou site, o que é uma boa medida de segurança.

Para verificar se a versão do Java que você usa neste browser está vulnerável, acesse este link: http://www.isjavaexploitable.com/. Para verificar o estado de correção de vulnerabilidades de todas as suas aplicações windows, use este link: http://secunia.com/products/consumer/osi/online/

Seguem os passos publicados pelo US-CERT sobre como desabilitar o plugin do Java em diferentes navegadores:
  • Google Chrome: See the "Disable specific plug-ins" section of the Chrome Plug-ins documentation.
  • Microsoft Internet Explorer: Change the value of the UseJava2IExplorer registry key to 0. Depending on the versions of Windows and the Java plug-in, the key can be found in these locations:
    • HKLM\Software\JavaSoft\Java Plug-in\{version}\UseJava2IExplorer
    • HKLM\Software\Wow6432Node\JavaSoft\Java Plug-in\{version}\UseJava2IExplorer
    • The Java Control Panel (javacpl.exe) does not reliably configure the Java plug-in for Internet Explorer. Instead of editing the registry, it is possible to run javacpl.exe as Administrator, navigate to the Advanced tab, Default Java for browsers, and use the space bar to de-select the Microsoft Internet Explorer option.
O exploit kit Blackhole já está explorando a falha, como de costume (ver updates mais antigos abaixo). O famoso e gratuito toolkit de exploração Metasploit também foi atualizado com o ataque.

Vale lembrar que além de usuários Windows, a ameaça também afeta usuários de MacOS e Linux. Vai ser uma semana de trabalho fácil para os pentesters. Uma interessante análise do uso deste tipo de exploit pode ser vista em "Oracle Java 0day and the Myth of a Targeted Attack"

O caso é também de interesse para mostrar como um "0day" (que é chamado assim por todos que AINDA não tinham conhecimento da vulnerabilidade - o que não inclui um grupo seleto de compradores deste mercado) rapidamente se torna disponível aos "blackhats" (BlackHole) e "gray"/"white-hats" (Metasploit).

As velhas dicas contidas em "A saga de se manter seguro usando Windows" continuam valendo, especialmente no tocante ao controle da atualização dos programas (patch management). O Secunia PSI continua sendo uma boa opção.

Outras informações interessantes publicadas hoje sobre o assunto:

[ Update: 19/03/2012 ]

A vulnerabilidade JAVA CVE-2011-3544 continua exercendo um papel fundamental em diferentes campanhas de ataque analisadas recentemente - segue uma breve compilação de cases abaixo.  (obrigado ao Alberto Fabiano pela dica de alguns links):

1 - F-Secure: Mac Malware at the Moment
http://www.f-secure.com/weblog/archives/00002330.html 

2 - ESet: Drive-by FTP: a new view of CVE-2011-3544
http://blog.eset.com/2012/03/17/drive-by-ftp-a-new-view-of-cve-2011-3544 


3 - TrendMicro: NGOs Targeted with Backdoors
http://blog.trendmicro.com/human-rights-organizations-possible-new-targets/

4 - GFI: Online Criminals Bank on Skype Vouchers to Spread Exploit
http://www.gfi.com/blog/online-criminals-bank-on-skype-vouchers-to-spread-exploit/ 

5 - ThreatPost: Rare RAM-Based Malware Attacks Visitors of Russian Information Sites
http://threatpost.com/en_us/blogs/rare-ram-based-malware-attacks-visitors-russian-information-sites-031912

6 - Mac OS X exploit and Trojan horse monitoring users via webcam
http://news.drweb.com/show/?i=2262&lng=en&c=5

7 - SecureList: A unique 'fileless' bot attacks news site visitors
http://www.securelist.com/en/blog/687/A_unique_fileless_bot_attacks_news_site_visitors


[ Update: 28/12/2011 ]

Como imaginado o CVE 2011-3544 já é desde ontem o principal vetor entre as infecções "drive-by-download" no Brasil.

Uma imagem vale mais do que mil palavras:



Fonte: Assolini da Kaspersky via Twitter [1, 2]

[ Update: 01/12/2011 ]


Java.. um mal desnescesário?

I) Problemas com o Java, mais uma vez:

Alguns "exploit kits" já continham o exploit "Java Rhino" (CVE 2011-3544) e o nível de sucesso de sua execução em diferentes versões de S.O. e browsers é bem alto - veja um exemplo de console do exploit kit "BlackHole" (imagem)

Pra piorar a situação, ontem foi disponibilizado para qualquer um baixar (projeto metasploit) um módulo de exploração desta vulnerabilidade Java (ou seja: cross-platform & cross-browser).

Código (Metasploit - Ruby): http://dev.metasploit.com/redmine/projects/framework/repository/revisions/f26f6da74b4e6d87d2c59034b85dfb1ae0d1b1d7/entry/modules/exploits/multi/browser/java_rhino.rb

Mas, vulnerabilidades são descobertas a todo minuto, exploits são escritos a toda hora, porque dar destaque a esta específica? Continue lendo.. 

Logo que saiu, eu testei em Linux, Mac e Windows 7 - funcionou em todos sem exceção (Firefox, Chrome, IE, Safari)! 

Como vocês podem ver no post original (de 02 Agosto) abaixo, a elevação de privilégios explorando vulnerabilidades Java é bem mais simples de ser obtida e esta é uma mina de ouro para ataques de Drive-by Download, entre outros..

A coisa é mais complicada ainda porque o usuário não precisa interagir em absolutamente nada durante o processo de exploração da vulnerabilidade. Some a isto a realidade da dificuldade de manter todas as instalações de JAVA "up-to-date" em uma empresa, e você tem um cenário bem negro pra lidar..

II) Cenário provável nos próximos dias:

Quanto tempo até que grande portais e provedores redirecionem [WEB ou DNS invadido ou envenenado] milhares de usuários de internet banking (ou até hotmail.comgoogle.com como aconteceu recentemente) pruma página com um Drive-By Download (iframe invisível no site, por exemplo) com este exploit Java - multi-browser e multi-plataforma?

Minha opinião:
não demora e vai ser feio.. =/

III)  Para os que só acreditam vendo: 

Vídeo 1) Original: www.youtube.com/watch?v=4xI9USYl8P0 (IE / XP)

Vídeo 2) Armitage: www.youtube.com/watch?v=cXctDpaNIjw (Firefox, Internet Explorer, Safari - Windows, MacOS X, Linux)

IV) O que você pode fazer quanto a isto?

Segundo a Microsoft, o cliente Java hoje é responsável por praticamente a metade das explorações a máquina Windows. Ou seja, antes de mais nada - avalie se você realmente precisa do Java.. assim como do Adobe Reader.. =) Pelo altíssimo grau de exploração de ambos, seriam "um mal desnecessário"?

Se você é usuário Linux ou Mac - tenha certeza de sempre fazer update das aplicações assim que as correções são lançadas.

Mas - como garantir que você tem as últimas versões do Java e de outros aplicativos no(s) seu(s) computador(es) Windows?

Software (já recomendado aqui várias vezes): 

Secunia PSI - http://secunia.com/vulnerability_scanning/personal/

Se você acha que não precisa, faça o teste online e veja quantas aplicações você vulneráveis (apenas aguardando a exploração..) no seguinte link:

OSI (Online): http://secunia.com/vulnerability_scanning/online/

Mais informações:

[ Post Original: 02/08/2011 ]

Entre 2009 e 2010 eu publiquei e atualizei um artigo entitulado "A saga de se manter seguro usando Windows", contendo dicas para usuários finais (usando ferramentas gratuitas).

As dicas da época continuam valendo - assim como a recomendação do Secunia para facilitar a aplicação dos patches necessários - porém infelizmente a facilidade de exploração de aplicações vulneráveis não deixa de ficar maior a cada ano..

Hoje são tantos os exploit kits disponíveis no mercado que análises comparativas como a publicada pela Kaspersky recentemente não chegam a ser novidade, mas alguns detalhes merecem destaque:

Os exploit kits mais famosos (BlackHole, NeoSploit, Phoenix, Incognito e Eleonore) objetivam atingir usuários com uma série de exploits sucessivos durante a sua navegação (em um ataque conhecido como Drive-by Download), e por isto exploram principalmente vulnerabilidades de navegadores e seus plugins. São exploradas vulnerabilidades do IE, Firefox, Chrome, Flash e Java, por exemplo. Porém as vulnerabilidades do JAVA são as mais utilizadas nos exploit kits.. Mas, por que?

Confiram o caminho necessário para exploração de cada aplicação a partir da imagem abaixo (publicada no artigo da Kaspersky linkado acima): está esclarecida a preferência por vulnerabilidades no JAVA?  




E o seu Java, está atualizado? Confira aqui no site da Secunia.

Com a melhoria na proteção de execução em memória no Windows, principalmente com as "barreiras" DEP e ALSR - o atacante tem mais trabalho para conseguir executar instruções maliciosas a partir de um processos em execução que possuam estas proteções. Para um detalhamento de como estes bypasses funcionam, sugiro um artigo do Ronaldo do blog "Crimes Cinernéticos".


Tuesday, August 30, 2011

Irã e SSL, Apache DoS, Morto Worm, RSA Hack, Exploit Kits e +..

Como o blog passou um tempo acima do normal sem atualizações (2 semanas), os assuntos interessantes se acumularam - por este motivo aí vai mais um post no estilo "Curtas e Boas":
  • Morto Worm  - Depois de um bom tempo sem um worm digno de nota, apareceu um que se conectar à RDP (Remote Desktop - tcp 3389) em máquinas Windows usando o usuário "Administrator" e uma lista de senhas pré-definidas. O modus operandi é similar ao dos Worms que se propagam por SSH utilizando senhas fáceis. Veja detalhes no site da Microsoft e do ISC/SANS. Para fazer download do binário, siga este link.
  • O Raphael Mandarino - do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República - publicou, através do site Convergência Digital, um curto artigo entitulado "Sobre bandidos e hackers" - apesar de não achar estas discussões etimológicas produtivas, vale a leitura..
  • De carona com outros ataques/vulnerabilidades de negação de serviço a servidores web, como o slowloris do RSnake e o Owasp HTTP Post Tool, foi divulgada uma nova ferramenta pronta para os script kiddies usarem, que explora uma vulnerabilidade deste tipo no Apache,  Estar em dia com os patches do seu servidor web ajuda (enquanto não sai o patch, veja as recomendações de mitigação em "Range header DoS vulnerability Apache HTTPD 1.3/2.x"  - obrigado pelo comentário, Fernando!), uma outra dica é utilizar um Web Application Firewall como o modsecurity. Uma ferramenta que pode ser utilizada para checar pelos 3 tipos de vulnerabilidade é a slowhttptest (mais detalhes aqui).


Thursday, March 4, 2010

Tendência: sites invadidos por hackers (Vivo/Oi/IG/Veja) utilizados como veiculo em Fraude de Phishing



[ Update - 04/03/2010 ]

A repetição é tão frequente que infelizmente podemos chamar isto de tendência: mais uma vez um domínio brasileiro (abril.com.br) foi afetado (Revistas Veja, Super, etc) e outra vez houve a utilização de Drive By Download (neste caso usando o Flash Player como vetor) para ataques em massa à visitantes. Como pode ser visto nos updates sobre o assunto abaixo, vários grandes portais no Brasil já foram afetados.

O incidente mais recente (Grupo Abril) foi reportado via twitter por @jbonagura, @spookerlabs, @nbrito e @jespinhara e pode ser visto na captura acima.


[ Update - 15/10/2009 ]

O site LinhaDefensiva informa que o discador do IG foi substituído por uma versão que continha um trojan bancário. Os atacantes utilizaram um joiner (aplicativo que concatena dois executáveis em um só). Desta forma os internautas que baixaram o discador de alguns dias até ás 10h30 de ontem acabaram executando também o malware que possui uma baixíssima taxa de identificação entre os anti-vírus.

O post ainda cita outros sites que foram utilizados recentemetnte para infecção em massa usuários, como o Baixaki e o site da Ambev e do São Paulo F.C.

Mais detalhes sobre este ataque na análise do LinhaDefensiva.

[ Update 30/09/2009 ]

Para mais informações sobre como applets java maliciosos estão sendo utilizados em ataques a internautas brasileiros, veja o excelente artigo "Como funcionam as infecções por applets Java", publicado no site Linha Defensiva.



[ Update - 22/09/2009 ]

O Info/Abril informa que um site da operadora Oi, chamado "mundo oi" também foi utilizado no dia de hoje (22/09/2009) como veículo de infecção de trojan bancário através de um falso applet java (o mesmo modus operandi do ocorrido no ataque da Vivo) - vale ressaltar que este tipo de abordagem não é nova e por exemplo já havia ocorrido em 2008 (segundo o IDG/Now) e em 2007 (segundo o site Linha Defensiva) em sites da operadora.

Mais informações sobre este tipo de ataque (Drive-By Infection) no Post original abaixo.

[ Post Original - 09/09/2009 ]


Segundo informações da Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u621523.shtml), (ao menos) um servidor do pool de balanceamento de carga do portal web da operadora de celular VIVO foi invadido.

A empresa Vivo se pronunciou oficialmente sobre o assunto:
"Comunicado à Imprensa

Um dos servidores de acesso de usuários ao Portal da Vivo na Internet foi vítima de um ataque de hackers nesta terça-feira, dia 08 de setembro. A partir da detecção do ataque, as equipes de segurança da informação da Vivo entraram em ação e solucionaram o problema às 00h50 desta quarta-feira.

A Vivo informa que os usuários que clicaram numa falsa janela de “warning security” para execução de arquivo, é que podem ter tido o seu computador infectado. Portanto, a recomendação da Empresa é que usuários que tenham acessado o portal www.vivo.com.br no período de 16h07 de 08.09.2009 até às 00h50 de 09.09.2009, e que tenham executado o falso arquivo, evitem acessar sites de bancos até que façam uma verificação de segurança em seu computador.

A Vivo informa que os serviços disponíveis no seu portal não foram afetados e continuam disponíveis e seguros aos seus clientes."
Internautas que tenham acessado o portal Vivo (www.vivo.com.br) entre 16h de ontem e 0h50 de hoje podem ter sido infectados por um código java que alterava o arquivo local de resolução de nomes (hosts) de suas máquinas - direcionando-os (antes mesmo da resolução via DNS) para clones de sites de internet banking de instituições financeiras brasileiras (Bradesco, Itaú, Santander e Nossa Caixa) .

Vale ressaltar que a seguinte mensagem era exibida para confirmação de execução do código java malicioso: "Vivo Online - IMPORTANTE: (Para executar corretamente o Vivo Online clique em Run". Caso você tenha acessado o site nos últimos dias - especialmente se clicou na mensagem do applet java malicioso, deve evitar entrar em sites de internet banking até se certificar que não foi afetados pelo ataque - veha abaixo como fazê-lo.

Recomendação: para ter certeza que você não foi afetado, abra com o notepad do windows o arquivo "c:\windows\system32\drivers\etc\hosts" - você não deve ver nenhuma linha não comentada (sem um "#" na frente) além do endereço de localhost ipv4 e ipv6 (127.0.01 e ::1) . Caso existam linhas contendo sites bancários como www.bradesco.com.br e www.itau.com.br - má notícia, você foi um um dos cerca de 100 mil usuários atingidos pelo ataque.

Do ponto de vista dos fraudadores, esta abordagem é mais arriscada e ao mesmo tempo mais efetiva para a distribuição de códigos maliciosos, pois ao contrário de utilizar a tradicional engenharia social via spam, os fraudadores neste caso invadiram um site muito utilizado e prepararam um ataque a seus visitantes conhecido como "Drive By Infection".

O uso de Drive By Infection é mais arriscado pois:
  • chama mais atenção, deixa mais vestígios (1 - logs de segurança da operadora, 2 - logs de roteadores, 3 - logs do servidor web, 4 - o código java utilizado para alterar o arquivo hosts aponta para outros sites comprometidos (como o da USP) com mais vestígios...
  • permite um bloqueio mais fácil dos IPs dos falsos sites bancários por parte das operadoras de Backbone (depende apenas da velocidade na comunicação entre as equipes de resposta a incidentes envolvidas)
E ao mesmo tempo mais efetivo do ponto de vista do atacante, pois:
  • Pelo alto número de acessos de sites como os da Vivo/Oi/IG/Veja, o grau de sucesso do ataque é alta - a contagem de acessos ao código malicioso colocado no site da Vivo ultrapassou os 100.000 (cem mil) acessos.
  • a sensação de segurança do usuário durante a navegação em sites legítimos diminui a atenção em relação à possíveis ataques.
Para obter sucesso neste ataque os fraudadores se aproveitaram de dois descuidos muito comuns:
  • Desatualização (falta de patches) do Java em máquinas dos usuários que acessam o site - Recomendações: além de manter seu windows atualizado, cuide da atualização de outros aplicativos, com o PSI da Secunia, por exemplo. Observação: apesar de algumas informações divulgadas, o uso de anti-vírus tradicionais não traz segurança neste caso - como pode ser visto na análise do Virustotal dos dois arquivos java utilizados no ataque : logo_top.jpg e laa.class. (nenhum AV detectou os malwares).

Curiosamente, também por uma falha de desenvolvimento dos fraudadores, o ataque foi descoberto por um usuário de Linux - Miguel de Curcio Filho, que informa em seu blog que estranhou entradas com caminho do arquivo hosts de máquinas windows em seu diretório home de uma máquina Linux!

Caso você tenha acessado o site da Vivo recentemente, insisto em recomendar que você verifique que o arquivo "c:\windows\system32\drivers\etc\hosts" não possua entradas extras apontando para sites bancários.

Recomendações: via prompt de comando (execute o cmd.exe como usuário administrador), configure o arquivo hosts como somente leitura, dificultando sua alteração por parte de ataques como este:

C:\WINDOWS\System32\drivers\etc> attrib +R hosts


Além disto, conheça as 10 Dicas de como manter o seu Desktop Seguro.

Mais detalhes técnicos nos links abaixo:
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