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Thursday, May 23, 2013

China vs Google: Operação Aurora - Espionagem e Contraespionagem



[ Update: 23/05/2013 ]

A Operação Aurora voltou a ser notícia esta semana com a divulgação feita pelo Washington Post de que além das informações de propriedade intelectual do Google (uma dentre as várias empresas atacadas durante a campanha detalhada nos Updates abaixo), foram também acessadas informações extremamente sensíveis como um banco de dados que continha dados de vários anos acerca da vigilância telemática feita pelo Governo Americano em suspeitos de Terrorismo e Espionagem de vários países, incluindo a china.



As ordens judiciais que continham informações sobre contas do Gmail que estavam sendo monitoradas por agências de segurança e inteligência americanas foram acessadas, e este conhecimento pode ter proporcionado à Pequim uma vantagem de contraespionagem incluindo o término de operações e a mudança de modus-operandi e inclusão de informações falsas para confundir e controlar os esforços de inteligência do governo norte-americano.

Mais informações:

http://www.washingtonpost.com/world/national-security/chinese-hackers-who-breached-google-gained-access-to-sensitive-data-us-officials-say/2013/05/20/51330428-be34-11e2-89c9-3be8095fe767_story.html




[ Update: 28/11/2010 ]

Neste final de semana, foi feita a divulgação pela WikiLeaks de 250 mil documentos diplomáticos dos Estados Unidos(*), incluindo 15 mil secretos e 100 mil confidenciais (!!)

Muito material já havia sido enviado anteriormente pela WikiLeaks para diferentes jornais ao redor do mundo (The New York Times, Le Monde, Guardian e Der Spiegel).

O site do WikiLeaks sofreu um ataque de negação de serviço logo antes de publicar as informações. No caso do WikiLeaks são tantos os interessados na não divulgação dos dados que vai ser difícil atribuir a responsabilidade (mais sobre atribuição no final deste post).

Obviamente o impacto no mundo diplomático foi gigantesco. Nos primeiros momentos já foram digeridas e publicadas por vários jornais informações impactantes presentes nas comunicações diplomáticas norte-americanas que vazaram, como:
Mas o que mais nos chamou a atenção dentre todo este material são as informações bastante interessantes sobre a Operação Aurora - mais especificamente sobre a comunicação diplomática entre os Estados Unidos e a China logo após a Operação Aurora, da qual o resto deste post trata em detalhes.

Vejam este comentário do New York Times (link exige cadastro para visualização - sugiro usar omailinator ou o bugmenot =)

"A global computer hacking effort: China’s Politburo directed the intrusion into Google’s computer systems in that country, a Chinese contact told the American Embassy in Beijing in January, one cable reported. The Google hacking was part of a coordinated campaign of computer sabotage carried out by government operatives, private security experts and Internet outlaws recruited by the Chinese government. They have broken into American government computers and those of Western allies, the Dalai Lama and American businesses since 2002, cables said."

Finalmente temos a confirmação de que o governo norte-americano sabia que a alta cúpula do governo chinês estava por trás dos ataques ocorridos nas mais de 30 empresas americanas (incluindo o Google) que resultaram em vazamento de informações confidenciais e estratégicas (inclusive código fonte)..

Isto explica, inclusive, o infra-citado apoio irrestrito concedido ao Google pelo governo dos Estados Unidos, inclusive pela Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA).

Para mais detalhes, continue lendo abaixo..
[ Update: 07/03/2010 ]

Novidades liberadas durante a conferência RSA indicam - como era esperado - que houve possibilidade de roubo e alteração de código interno de aplicações do Google e das outras empresas (30-100) atingidas pelo ataque (via Wired).

A possibilidade era bem real baseado no que já conhecíamos, mas agora foi confirmada e temos detalhes de várias vulnerabilidades exploradas dentro da companhia, incluindo no Software Configuration Management (SCM) utilizado pelo Google (Perforce).

O paper da Mcafee não chega a ser muito marqueteiro, e sugere algumas boas contramedidas recomendadas para as vulnerabilidades exploradas. Baixe-o aqui.

Mais informações:



[ Update: 10/02/2010 ]



A HBGary - empresa especialista em Malware Analysis e Memory Forensics - acaba de lançar um relatório bastante completo incluindo dicas de deteção e remoção de variantes - utilizando técnicas fuzzy - sobre o principal malware utilizado nos ataques conhecidos como "Operação Aurora".

Vale ressaltar que desde o lançamento do boletim MS10-002 da Microsoft (e consequente publicação do módulo do metasploit framework para exploração da vulnerabilidade) - há uma crescente utilização deste vetor de ataque em outros incidentes pelo mundo.

No relatório da HBGary são fornecidas informações valiosas, incluindo um inoculation shot (nome marketeiro para vacina) para eliminar o malware e suas variantes (a taxa de ~90% de similaridade é recomendada) remotamente (via WMI / ePO / AD) em uma rede corporativa.


Além da já conhecida capacidade avançada de análise gráfica de instruções de códigos em execução - que pode ser vista acima em um parser do Command & Control do malware, existem outras as funcionalidades interessantes no principal produto da HBGary: Responder Pro 2.0.

Uma delas é a geração de um Digital DNA baseado no comportamento, idioma, algoritimos e métodos utilizados pelos desenvolvedores do malware (a partir das instruções executadas em memória). Isto pode pode facilitar o processo de atribuição de responsabilidade e separação de grupos distintos de desenvolvedores em ataques similares.

A capacidade de visualização da ferramenta se extende a outros usos, como pode ser visto abaixo, com o timeline em segundos da execução do Dropper (A), do serviço svchost.exe (B) utilizado para executar o payload do malware (C) e o .BAT que remove - a maioria - dos rastros (D):


Muitos outros detalhes podem ser verificados no excelente paper publicado pela HBGary há poucas horas.
[ Update: 03/02/2010 ]


Para os que acreditam que a Operação Aurora e a discussão sobre Cyber War "China vs US" já é assunto ultrapassado, é FUD, ou foi apenas uma manchete temporária, talvez valha a pena salientar o real impacto relacionado aos ataques e técnicas discutidas neste artigo.

Com este objetivo, fiz questão de adicionar este rápido update para ressaltar a real importância da questão em pauta. A operação Aurora e a escalada do cyber crime / cyberwar foi o primeiro e principal assunto que o chefe da inteligência americana, Dennis Cutler Blair levou ao Senado dos Estados Unidos em uma declaração preparada por todas as agências de segurança americanas - mais detalhes / video (a partir de 41m:45s) (Selected Committee on Intelligence SH-216 - "Open Hearing: Current and Projected Threats to the United States").

[ Update: 31/01/2010 ]

Em 2008, me deparei com a pergunta "Quais seriam os Procedimentos (incluindo a preparação) em alto nível para tratar um incidente de suspeita de vazamento de dados?"
Para responder de uma maneira mais completa ao problema proposto, o ideal é que a equipe de resposta a incidentes responsável possa contar com 4 tipos de soluções, listadas por ordem de importância para o caso em pauta:

I - Uma infra-estrutura de "Network Forensics" que seja capaz de reconstruir e fazer o "replay" dos pacotes relacionados ao ataque (ex: NetWitness NextGen / CA Network Forensics)

II - Uma solução de SIEM/SEM para correlacionamento em near-real time dos logs (firewall, roteadores, servidor comprometido, ids/ips, dhcp, dns, aplicações internas, catracas de acesso, sistema de ponto, controle de acesso lógico, etc) (ex: ArcSight / ISM Intellitatics / Symantec SIM)

III - Uma solução (idealmente enterprise) de forense computacional que possibilite a análise de dados voláteis (incluindo memória) e de disco (ex: Encase Enterprise / F-Response / AccessData Enterprise )
IV - Uma ferarmenta de monitoração de atividade de desktops (ex: SpectorCNE, WorkExaminer) [item incluído em 18/10/2009]

Tentarei exemplificar o porque do posicionamento de uma solução de Forense de Rede em primeiro lugar na lista acima, me aproveitando de dados um caso tão complexo e sério quanto a Operação Aurora.

Para facilitar este trabalho, chegou às minhas mãos um material da NetWitness descrevendo as ações que podem ser tomadas por seus usuários para verificar se foram afetados pelo ataque descrito e com informações OSINT (Open Source Intelligence) obtidas da internet:

I - criar filtros para verificar conexões entrantes e saintes a partir dos seguintes hosts:

yahooo.8866.org

sl1.homelinux.org

360.homeunix.com

li107‐40.members.linode.com

ftp2.homeunix.com

update.ourhobby.com


II - verificar conexões SSL vindas do domínio homelinux.org, utilizando o TLS parser

III - checar tráfego destinado aos endereços IP dos servidores de Comando e Controle utilizados durante o ataque:
69.164.192.40

125.76.246.220

210.202.197.225

IV - utilizar a capacidade da solução de misturar diferentes camadas em regras para detectar atividades de beaconing:

service
=
80
&&
action
=
put
&&
client
=
'lynx'


(service
=
80
&&
action
=
put
&&
tcp.dstport
=
8080)
&&
(payload
=
939
&&
extension
=
zip,rm,jpg)


(ip.src
=
125.76.246.220,210.202.197.225
||
ip.dst
=

125.76.246.220,210.202.197.225)
&&
(service
=
80
&&
action
=
put)


alias.host
=
yahooo.8866.org,
sl1.homelinux.org,
360.homeunix.com,

li107­40.members.linode.com,
ftp2.homeunix.com,update.ourhobby.com


ip.src
=
69.164.192.40,125.76.246.220,210.202.197.225
||
ip.dst
=

69.164.192.40,125.76.246.220,210.202.197.225

Para quem nunca viu a interface do Investigator da Netwitness (que tem versão free) - segue um snapshot de um dos filtros citados acima em uma rede comprometida pela Operação Aurora:


Além disto, as seguintes
 recomendações são dadas pela NetWitness:

1. Watchlist "usuarios" seguindo o seguinte critério:

a. Executivos e/ou Autoridades
b. Administradores de Sistemas com acesso privilegiado
c. Empregados que recentemente foram citados pela imprensa

2. Watchlist "extensões" contendo minimamente:

a. Executáveis (EXE, COM, BAT, 
SCR, CMD, PIF)
b. Documentos que exploram vulnerabilidades: PDF, DOC, XLS, PPT, CHM
c. Arquivos Compactados (zip,
rar,
etc)


3. Watchlist de estações, servidores e hosts relacionados aos usuários da watchlist 1.

4. Avaliar TODO tráfego por quesitos que envolvam a combinação destas entidades, procurando por variações do comportamento normal.

[ Post Original : 16/01/2010 ]


Antes de mais nada, é necessário perceber que o que foi divulgado pelo Google na última semana não chega a ser uma novidade, e nem uma tática nova utilizada pelo governo Chinês ou outros.

A mídia especializada tem feito alguns comentários sobre o anúncio de que mais de 30 (ou 100?) empresas americanas (Google, Adobe, Microsoft, Juniper, Symantec, Yahoo, Northrup Grumman, Dow Chemical, entre outras - ex: setor de energia) foram atacadas de forma coordenada e praticamente simultânea por hackers supostamente patrocinados pelo governo Chinês (Operação Aurora - FAQ).

O principal objetivo dos atacantes foi a permanência prolongada nas redes internas das empresas afetadas para obtenção de informações privilegiadas e propriedade intelectual.. A Inglaterra também divulgou que têm sido atacada pelos chineses de maneira semelhante.

A desconfiança do envolvimento do governo chinês nos ataques passou a ter contornos mais detalhados a partir da revelação de analistas de malware sobre a utilização de um algorítimo incomum de criptografia (CRC-16) em no principal trojans utilizados e sua similaridade com papers somente publicados em chinês. Hoje já se sabe - por exemplo - que os atacantes exploraram a infra-estrutura de acesso a a contas do Gmail que o Google montou especialmente para a Polícia acessar em casos de quebra de sigilo autorizado pela Justiça.

O incidente em pauta é muito útil para diferenciar ataques avançados e críticos de problemas comuns de segurança e para avaliar se as contra-medidas que possuímos estão adequadas para abordar ambos os tipos de ataques.

As análises que já foram publicadas sobre o caso incluem "erros" que foram cometidos pelos hackers - como executar o ataque de forma concomintante em múltiplas empresas e utilizar um só servidor dropbox para enviar os dados (código fonte, informações confidenciais) roubados - facilitando assim que os analistas do Google descobrissem as outras empresas atingidas.

A indústria de segurança e a opinião pública já tiveram várias diferentes reações sobre o ocorrido. O nosso objetivo é tecer alguns comentários sobre o assunto sob a luz de alguns conceitos apresentados em posts anteriores neste blog:
  • 7 (ou mais) Conceitos em Seguranca alem da Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade
    O conceito de APT -"Advanced Persistent Threat" - se de ataques contínuos utilizando amplos recursos (muito tempo e dinheiro investidos com firme propósito/intenção), em ataques que são altamente sofisticados e claramente direcionados. Neste tipo de situação, as defesas tradicionais e genéricas são inúteis. Para mais detalhes sobre o termo APT, sugiro este link.

    Um Anti-Vírus e um IDS/IPS - por melhor que sejam - são tecnologias moribundas, baseadas em assinatura e dependentes de já conhecerem o ataque - e por isto mesmo não detectarão códigos maliciosos customizados, ainda mais com vários níveis de evasão e criptografia como foi o caso do ataque em pauta.

    Por melhor que seja um programa de gerenciamento de patches, um ataque utilizando uma vulnerabilidade 0-day como a que foi explorada nestes ataques direcionados funcionará em 100% das máquinas atacadas.

  • E quando o atacante usa uma combinação de engenharia social (email/IM) e técnicas de "Drive-By Download", nem mesmo um anexo (doc, exe, ou pdf) precisa ser utilizado. Basta que um funcionário da empresa acesse um site utilizando - no caso - um Internet Explorer (6,7,8) para que o ataque tenha sucesso. Mais detalhes sobre o exploit utilizado, aqui. (update - a Microsoft lançou uma correção para o bug - que ela já conhecia desde setembro - e outras 7 vulnerabilidades do IE - veja o boletim e baixe o patch aqui).
    Talvez você esteja pensando - então não há como escapar! E - adivinhe - você está certo. Fazendo uma comparação com crimes reais - se você está preocupado com batedores de carteira, é bom sair de casa sem muito dinheiro no bolso, poucos documentos e sem relógio, além de evitar horários e lugares perigosos. Isto equivale no mundo virtual a defesa tradicional de AV/IDS/etc.
  • Mas se há um grupo profissional de criminosos atrás especialmente de você, a única forma de reagir eficientemente a esta situação é expô-los às autoridades e torcer para que eles sejam preso. Bem vindo ao mundo das Ameaças Persistentes e Avançadas (APT). Uma boa descrição das fases normalmente encontradas em ataques avançados e persistentes pode ser encontrada aqui:
  • A melhor forma de iniciar um contra-ataque efetivo às Ameaças Persitentes e Avançadas é expor o inimigo adequadamente e assim avançar no campo de batalha - em outras esferas de contra-ataque - enquanto tentar minimizar o prejuízo em casa.

    No caso de uma empresa atacada pelo crime organizado, isto pode ser feito envolvendo a polícia e a justiça para prender os responsáveis. No caso de várias empresas de um país sendo atacadas por um outro - como é o caso da "China vs Google + 30"- o caminho é envolver oficialmente o próprio governo americano na resposta ao incidente.

    Em ambos os casos, uma resposta responsável envolve a divulgação - minimamente para as partes afetadas e idealmente para a opinião pública - do ocorrido. O próximo passo é analisar e categorizar os atacantes (mais detalhes sobre isto ao final deste post), ferramentas, vulnerabilidades, processos e erros cometidos e obviamente modificar suas defesas baseado no que você vai encontrar durante a sua resposta a incidentes / forense do ocorrido.

    A mensagem para todas as empresas e países é: não adianta se retrair e tentar abafar o ocorrido, é necessário concentrar esforços na reação adequada a este tipo avançado de incidente e revisar a postura de segurança do ponto de vista de ameaças e atacantes reais e avançados e não tentar se esconder confortavelmente atrás de checklists de itens de compliance e conformidade ou de qualquer sigla de norma da área de segurança.

  • O governo alemão já deu o primeiro passo - proibiu terminantemente o uso de Internet Explorer - iniciativa que já foi seguida pelo governo Francês. Já é um começo.. O Google anunciou que vai parar de censurar resultados na China. E o governo americano já começou a se movimentar lentamente...
  • Um outro desdobramento interessante deste evento será acompanhar como as empresas atacadas e o governo americano irão responder as respostas evasivas da China (e também contra-acusações), considerando a dificuldade de se atribuir a responsabilidade de um ataque cibernético a uma pessoa,quanto mais a um país!
  • Atribuição de responsabilidade envolve identificar a ameaça, com o máximo de detalhes do ponto de vista de seus desdobramentos (Capacidade/Intenção/Oportunidade).
  • Richard Beijtlich e Mike Cloppert sugerem 20 características para atribuição da responsabilidade (ou autoria) de ataques cibernéticos - e isto pode servir de ponto de partida para que iniciemos uma resposta a ataques persistentes e avançados (APT) em nossas organizações: 1)Timing, 2)Vítimas, 3)Origem, 4)Mecanismo de Entrada, 5)Vulnerabilidade ou Exposição, 6)Exploit ou Payload, 7)Weaponization, 8)Atividade pós-exploração, 9)Método de Comando e Controle, 10)Servidores de Comando e Controle, 11)Ferramentas, 12)Mecanismo de Persistência, 13)Método de Propagação, 14)Dados Alvo, 15)Compactação de Dados, 16)Modo de Extrafiltração, 17)Atribuição Externa, 18)Profissionalismo, 19)Variedade de Técnicas, e 20)Escopo. 

Na minha opinião, apesar de APT agora estar entrando na moda, a sigla não importa tanto. O fundamental é tentar aproveitar ao máximo deste tipo de incidente e discussão para avaliar seriamente a sua capacidade de visibilidade e estratégias de detecção e reação contra roubo de informações e espionagem industrial perpetrada seja por quem for.

有时,重要的是要怕!

Se interessou pelo assunto? Envie seus comentários!

Tuesday, September 18, 2012

Segurança de Navegadores / Browsers


[ 18/09/2012 - Update ]

Devido a uma vulnerabilidade 0-day presente em todas as versões do Internet Explorer (até a v9),
empresas que ainda usam o Internet Explorer como padrão em suas estações devem utilizar um outro browser. Já existem exploits públicos disponíveis e sendo utilizadas largamente. O IE10 não está vulnerável, o que pode indicar que a Microsoft corrigiu esta falha silenciosamente.

O Governo alemão recomendou que todos os usuários deixem de utilizar o IE, até que a Microsoft libere um patch para o problema.

Outras links sobre o assunto que valem a visita:


[ 28/02/2012 - Update ]

O Chrome foi o único browser a sobreviver aos desafios da PWN2OWN até o momento. E para o evento de 2012, o Google anunciou que vai pagar recompensas até o limite de $ 1.000.000,00 (um milhão de dólares), sendo que o tipo de bug mais valioso é um "Full Chrome Exploit" no Windows 7.

Mais informações:

http://blog.chromium.org/2012/02/pwnium-rewards-for-exploits.html

[ 15/12/2011 - Update ]

A Microsoft anunciou hoje que a partir de Janeiro de 2012, iniciando pelos clientes Windows ( da Austrália e Brasil, será executado, via windows update, a migração de de versões antigas de IE para a versão mais nova suportada pelo sistema operacional (XP: 8, Vista: 9, Windows 7: 10)

Duas observações:

Do ponto de vista de segurança, é melhor ter um IE 8 que um IE 6, sem dúvida. Porém a Microsoft ainda tem que melhorar especialmente no que diz respeito ao Sandboxing e à Segurança de Plugins, como pode ser visto no gráfico comparativo do Update de 13/12/2011, abaixo. Para um caso prático, veja o post "Exploit Kits e o seu Java".

Do ponto de vista da briga no mercado de navegadores (Browser Wars) é um movimento muito inteligente da Microsoft já que o padrão nos últimos tempos tem sido de grande queda do IE e leve queda do Firefox, e grande crescimento do Chrome. Veja o gráfico divulgado recentemente pela StatCounter:



Com este movimento de atualizar os browsers antigos via windows update a Microsoft pode evitar que usuários insatisfeitos com o IE 6 ou 7 migrem para o Chrome ou Firefox, atenuando assim a queda vertiginosa do Internet Explorer nos últimos 4 anos. Mais inteligente ainda seria portar as versões mais novas do IE para os S.Os. mais antigos..

Post relacionado:




[ 13/12/2011 - Update ]

Na última semana a Accuvant publicou um estudo bem completo (mais de 100 páginas) comparando a segurança dos principais Browsers. Segue o link para o relatório detalhado (PDF) entitulado "Browser Security Comparison". Um resumo dos resultados pode ser visto no gráfico abaixo:


[ 09/05/2011 - Update ]

Nem o browser com melhor design e histórico de segurança (veja updates mais antigos) conseguiu resistir..

Chrome 32bit e 64bit para Windows Pwn3d pela Vupen, usando 0-day e incluindo bypass de ASLR/DEP/Sandbox, (não fecha o browser ao executar o payload), mais informações e vídeo de demonstração em http://www.vupen.com/demos/VUPEN_Pwning_Chrome.php




A Vupen informa que detalhes da exploração (e o exploit) serão repassados exclusivamente para os clientes governamentais que assinam seus serviço "Offensive Solutions"


[ 16/03/2011 - Update ]

Apesar do Firefox também ter sobrevivido ao último desafio PWN2OWN, o Chrome saiu mais uma vez na frente corrigindo com uma semana de antecedência o Flash Player utilizado por ele (coisa que a Google faz há 1 ano!). Usuários de todos os outros browsers terão que aguardar o patch da Adobe, e continuam vulneráveis a ataques cada vez mais comuns.
Mais info aqui: http://www.networkworld.com/news/2011/031611-google-first-to-patch-flash.html

[ 11/03/2011 - Update ]

A notícia é "re-reciclada" (de 21/03/2009 e 08/06/2010) mas o título continua valendo. Pelo 3o ano consecutivo, o Chrome sobrevive ao desafio pwn2own.

E não foi por falta de incentivo.. Até mesmo porque o programa de recompensas pagou US $14000 a vários pesquisadores que encontraram vulnerabilidades e reportaram ao Google que teve tempo de corrigir antes do desafio..

Aliás, o programa de recompensas parece estar valendo a pena - além obviamente das proteções adicionais de segurança por design feitas pelo Google no Chrome - como o modelo de separação de memória (sandbox) por tabs e até de plugins problemáticos como o Flash...

O IE8 e o Safari já cairam, e o Firefox será testado hoje e tentará sobreviver pela 1a vez..

[ 08/06/2010 - Update ]

No Patch Tuesday de hoje, a Microsoft corrigiu 34 bugs, incluindo explorado por Peter Vreugdenhil durante o teste de segurança de browsers (PWN2OWN) de quase 3 meses atrás! (Aquele que "bypassou" DEP e ASLR ..) Se você por algum motivo obscuro ainda usa o IE, é hora de "patchear", antes tarde do que nunca...

Todo usuário de Windows precisa ficar esperto porque depois do Patch Tuesday vem o Exploit Wednesday.. Além do mais, neste Patch Tuesday a Microsoft corrigiu 13 vulnerabilidade com o índice "1 - Consistent exploit code likely"!

PS: Um bom overview dos patches foi feito pelo SANS Institute - acesse aqui.

[ 26/03/2010 - Update ]

A notícia é reciclada (veja o post original de 21/03/2009) mas o título continua valendo.

Motivo: o navegador Chrome mais uma vez foi o único browser a sobreviver ao desafio PWN2OWN 2010 na CanSecWest.

Nesta 4a edição do evento produzido pela Zero Day Initiative da 3Com/TippingPoint caíram (foram invadidos remotamente através de uma vulnerabilidade não patcheada ou 0-day) o Internet Explorer 8 (com bypass de DEP em Windows 7 64bit inclusive), o FireFox 3.6, o Safari, e o iPhone..

Resultado: mais força pro Google com o Chrome nas "Browsers Wars". Pois além das vantagens de performance ele vem mostrando superioridade em relação à segurança...

Mais informações sobre a PWN2OWN 2010:

[ 27/03/2009 - Update ]

A Mozilla saiu na frente dos demais browsers vulneráveis e lançou hoje a correção para a vulnerabilidade explorada no Firefox durante a conferência CanSecWest (veja post original abaixo).

[ 21/03/2009 - Post Original ]


Sabemos que grande parte das intrusões que ocorrem nos dia de hoje se devem à exploração de browsers e seus plugins. É comum haver algum debate sobre qual browser é mais seguro. Temos agora um teste prático para responder a esta pergunta.

A empresa de segurança TippingPoint possui um projeto chamado "Zero Day Initiative - ZDI" que paga pesquisadores independentes quando encontram vulnerabilidades críticas em softwares conhecidos e trabalham em correções juntamente com as empresas responsáveis.

Durante a Conferência CanSecWest deste ano, a ZDI estava desafiando (e pagando) qualquer um que conseguisse invadir máquinas de usuários completamente "patcheadas" (sistema operacional e navegadores), apenas com uma visita a uma página - eis o resultado do primeiro dia ( instalação default e sem plugins).

Seguem os resultados do desafio PWN2OWN:
Windows 7
  • IE8 (recém lançado) - invadido
  • Firefox - invadido
  • Chrome - não foi invadido
Macintosh
  • Safari - invadido (em 10 segundos)
  • Firefox - invadido
Pelo visto as proteções adicionais de segurança por design feitas pelo Google no Chrome fizeram a diferença, especialmente o modelo de separação de memória (sandbox) de cada "tab" de navegação - segundo um dos hackers que conseguiu a façanha - veja entrevista.

Outro hacker (com pseudônimo "Nils") conseguiu invadir três browsers: IE8, Firefox e Safari.

Páginas relacionadas:

http://dvlabs.tippingpoint.com/blog/2009/02/25/pwn2own-2009

http://www.networkworld.com/news/2009/031909-researcher-hacks-just-launched.html

http://arstechnica.com/security/news/2009/03/chrome-is-the-only-browser-left-standing-in-pwn2own-contest.ars

http://blogs.zdnet.com/security/?p=2941

http://www.sci-tech-today.com/story.xhtml?story_id=65450

http://www.crkportugal.net/?p=224

Sunday, April 29, 2012

Google Street View coleta SSID, MAC e Payload de redes WiFi


[ Update - 30/04/2012 ]

Solução low-tech: Bode expiatório?

"Google Street View Report points the finger at a rogue engineer who intentionally wrote software code that captured payload data information"

Mais informações: 


Exclusive (LA Times)Google releases FCC report on Street View probe



[ Post Original - 15/05/2010 ]

O Google possui um serviço muito interessante e polêmico chamado Street View. Em operação desde 2007, o Street View possibilita a visualização panorâmica de ruas e avenidas de várias cidades do mundo a partir das interfaces do Google Maps e Google Earth. No Brasil, o lançamento do Street View será no segundo semestre de 2010 e incluirá fotografias de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

Desde o seu lançamento o Street View já foi alvo de inúmeros protestos relativos à privacidade ao redor do mundo. Algumas medidas são tomadas pelo Google para evitar este tipo de problema:
  • existe (no canto inferior esquerdo da interface do Street View) a opção de solicitar ao Google a remoção de fotos consideradas vexatórias ou comprometedoras como a reproduzida no início deste artigo.
  • as fotos são tratadas utilizando algorítimos automatizados para garantir que placas de carro e rostos, por exemplo, sejam adequadamente borrados;
  • as fotos originais (não tratadas) são apagadas dos servidores do Google em 1 ano ou 6 meses (dependendo do país);
Os milhões de fotos que são apresentadas no serviço são capturadas por carros (ou triciclos) do Google equipados com um GPS e 9 câmeras que proporcionam uma visão 360 graus. No caso do Brasil, 30 carros cedidos pela Fiat estão percorrendo mais de 1 milhão de quilômetros nas 3 cidades incluídas inicialmente no projeto.

O que pouca gente sabe é que outros equipamentos mais discretos que câmeras são também embarcados nos carros do Street View: são antenas Wi-Fi, GSM e 3G - usadas para coletar informações de redes wireless pelo mundo afora.

O Google já havia divulgado no final do mês passado que estes dados se resumiam aos Mac Addresses (endereços físicos das interfaces de rede dos roteadores wireless) e SSIDs (nomes das redes), que seriam usados para identificação de estabelecimentos em ferramentas como o Google Search e o Google Maps...

Do ponto de vista do mapeamento de redes WiFi, sem dúvida o Google supera grandes esforços de mapeamento de redes públicas, como o http://wigle.net/.

Depois de protestos e pedidos de esclarecimento de países como Alemanha e Austrália e a solicitação germânica de auditoria dos dados de redes wireless coletados - o Google resolveu olhar mais a fundo e publicou um post em seu blog principal hoje, corrigindo a informação citada anteriormente e estarrecendo muita gente.

Na verdade, os carros do Google Street View também capturaram o payload (conteúdo das comunicações, como emails e navegação) de redes sem proteção Wireless.

É isto mesmo, você entendeu certo. O Google possui terabytes e mais terabytes e dados capturados de redes WiFi do mundo todo - possivelmente desde 2007. E nunca reparou isto..

A desculpa que foi dada envolve a reutilização de um código feito anteriormente em um projeto experimental que tinha por objetivo capturar amostras de dados WiFi publicamente acessíveis. A equipe do Google Street View teria usado este código sem saber que além dos dados de SSID e MAC estaria também sendo capturado tráfego de milhões de diferentes access points pelo mundo...

Para minimizar o problema, o Google argumenta que apenas fragmentos de dados foram capturados porque:
  • os carros estão em movimento;
  • alguém precisa estar usando a rede enquanto o carro passa;
  • o equipamento WiFi embarcado troca de canal Wlan 5 vezes por segundo;
  • não são coletadas informações trafegando em redes Wifi protegidas por WEP e WPA
Estes argumentos não devem impedir que autoridades de vários países (incluindo os Estados Unidos) avaliem se o Google não violou diferentes leis de sigilo de comunicações.

A máquina de relações públicas do Google até o momento trabalhou bem diante do tamanho do problema, e divulgou que:
  • paralizou temporariamente a utilização dos carros do Street View;
  • segregou os dados para outra rede separada da rede corporativa e desconectou esta rede;
  • vai (e quer) deletar estes dados o quanto antes;
  • trabalhará com instituições regulatórias em diferentes países para definir o método de descarte destas informações;
  • irá solicitar a uma organização idependente que faça a revisão do software em questão, seu funcionamento, dados coletados e método utilizado para descarte;
  • revisão de procedimentos internos para garantir e revisar os controles necessários para evitar este problema no futuro;
  • decisão de encerrar a coleta de dados WiFi.
O pedido final de desculpas - no melhor espírito do "Don´t Be Evil" é o seguinte:

The engineering team at Google works hard to earn your trust—and we are acutely aware that we failed badly here. We are profoundly sorry for this error and are determined to learn all the lessons we can from our mistake.
Mais informações:
  • The Register - Google Street View snooped WiFi for personal data
  • Wired - Google Street View Cams Collected Private Content From WiFi Networks
  • ArsTechnica - Google StreetView cars grabbed traffic from open WiFi networks

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