Thursday, July 24, 2014

(in)Segurança das Urnas Eletrônicas

[ Update 09/11/2014 ]

Scientist who hacked voting machines in the US offers to audit Brazilian system via VocêFiscal

 



[ Update 01/11/2014 ]

Entre todos os países que adotaram o voto eletrônico, o Brasil é o único que ainda utiliza urnas inauditáveis


[ Update 24/07/2014 ]

Um projeto que merece apoio:


http://catarse.me/VoceFiscal 

"Você sabe o que acontece com seu voto depois da urna?
Há 17 anos, dependemos da votação eletrônica.

Há 2 anos, ela foi comprovada insegura.

Este ano, com seu apoio, vamos fazer algo a respeito.

O que é o Você Fiscal?
O Você Fiscal é um projeto do Prof. Diego Aranha, da UNICAMP, para desenvolver um aplicativo que vai colocar na sua mão e na de todo cidadão e cidadã o poder de fiscalizar e dar transparência às eleições. Juntos, vamos fazer uma totalização independente dos resultados.

>>> Escolha um valor ao lado e apoie a transparência nas eleições! >>>

Por que o Você Fiscal é importante
Falta segurança

Apesar do que é divulgado, a urna eletrônica brasileira tem falhas gravíssimas de segurança. (Veja abaixo.)

Falta transparência

Ninguém da sociedade civil tem acesso aos detalhes de como os votos são contados pelo software da urna.

Falta auditoria

Nos últimos testes de segurança do TSE, mesmo sendo limitados e curtos, a equipe do Prof. Diego Aranha quebrou o sigilo do voto com facilidade. O TSE suspendeu a realização de novos testes depois disso.

Como melhora?
Celular na mão

Com o Você Fiscal, queremos criar um aplicativo que permita a qualquer eleitor fiscalizar a urna em que votou, registrando sua contagem ao fim da eleição para detectar fraudes através de amostragem colaborativa.

Rigor acadêmico

O Você Fiscal é iniciativa do Prof. Diego Aranha, pesquisador respeitado da UNICAMP nas áreas de segurança computacional, criptografia e votação eletrônica.

Participação popular

A população vota, a população confere.

O Você Fiscal é uma iniciativa da sociedade civil, financiada pela sociedade civil para dar à sociedade civil o poder de garantir seu voto e sua voz.

==>> Você também vota? Então escolha um valor ao lado e junte-se a nós para fazer o seu voto valer! ==>>"


Mais informações em: http://www.catarse.me/pt/VoceFiscal


[ Update 06/06/2014 ]

O Globo -  TSE não fará teste público das urnas eletrônicas antes das eleições
Especialistas condenam a atitude e criticam falta de transparência

RIO — Apesar de reconhecer que “os testes de segurança das urnas eletrônicas fazem parte do conjunto de atividades que garantem a melhoria contínua deste projeto”, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não fará nenhum antes das eleições de outubro. Desde 2012, aliás, quando uma equipe de técnicos da Universidade de Brasília (UnB) simulou uma eleição com 475 votos na urna eletrônica e conseguiu colocá-los na ordem em que foram digitados, o tribunal não expõe seus sistemas e aparelhos à prova de técnicos independentes. Mesmo assim, continua a afirmar que eles são seguros e invioláveis.

(...) 


[ Update - 18/03/2014 ]

Urna eletrônica argentina dá goleada na similar brasileira

"(...)

Falhas brasileiras – Dentre as vinte falhas apontadas no relatório das urnas brasileiras, destacam-se a impossibilidade de o eleitor conferir se sua escolha foi registrada de forma correta e a lentidão na contagem dos votos.

Após se identificar na urna por meio do título, o eleitor  digita o número do candidato e o confere com a fotografia, nome e legenda, mostradas na tela da urna. Após essa verificação, o eleitor confirma ou não a escolha.

Concluída essa etapa, o eleitor não tem mais acesso ao voto – ele é criptografado em um cartão de memória (ou disquete) que é levado a um cartório para ser transmitido ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
O TRE, por sua vez, confere a assinatura digital dos cartórios, decifra a mensagem criptografada e totaliza os votos. Nas eleições presidenciais,  o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o responsável pela contagem, pela conferência e pela publicação do resultado.

E é aí que reside a grande diferença, segundo o relatório do CoMind. Na Argentina, após votar, o eleitor recebe seu voto na chamada cédula eletrônica e em papel impresso. Se quiser conferir se a escolha foi computada de forma correta, o eleitor encosta o cartão num leitor existente na urna, que mostrará o voto computado, dando a chance de o cidadão conferir o voto eletrônico com o impresso.

Para garantir o sigilo do voto, explica Amilcar Brunazo, o eleitor dobra o papel com o voto e o coloca na urna, juntamente com o cartão. Ao final de votação em cada seção eleitoral, o mesário confere o cartão com o impresso e faz a contagem. Para o observador, o sistema argentino mostra a "plena colaboração das autoridades eleitorais argentinas com a fiscalização, agregando segurança e confiabilidade ao processo eleitoral".

Este sistema eleitoral é novo na Argentina e só foi implementado nas eleições municipais, explicou Amílcar. Diferentemente do Brasil, onde um único órgão (Tribunal Superior Eleitoral) é responsável por todas as eleições, na Argentina eleições municipais e estaduais são controladas por órgãos regionais; já as presidenciais são controladas por órgãos federais.

(...)"

Link com a reportagem completa:
http://www.politicanarede.com/2013/11/urna-eletronica-argentina.html






[ Update - 13/12/2012 ]

"O professor Pedro Rezende, da UnB, foi um dos palestrantes do seminário A urna eletrônica é confiável?, realizado no Rio de Janeiro.

Na última segunda-feira 10, o auditório da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro, ficou lotado para assistir ao seminário A urna eletrônica é confiável?

O ponto alto foi o relato de um jovem hacker de 19 anos, que revelou fraudes em resultados na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, na última eleição, em outubro de 2012. Identificado apenas como Rangel por questões de segurança, ele mostrou como — através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro — modificou resultados, beneficiando candidatos em detrimento de outros, sem nada ser oficialmente detectado.

O Viomundo reproduziu, aqui, a denúncia publicada no portal do PDT, um dos promotores do seminário:

“A gente entra na rede da Justiça Eleitoral quando os resultados estão sendo transmitidos para a totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos. Modificamos resultados mesmo quando a totalização está prestes a ser fechada”, explicou Rangel, ao detalhar em linhas gerais como atuava para fraudar resultados.

A platéia, composta principalmente por especialistas em transmissão de dados, computação, internet, representantes de partidos políticos e autoridades policiais, ficou pasma.

Entre eles, o matemático e professor de Ciência da Computação Pedro Antônio Dourado de Rezende, da Universidade de Brasília (UnB). Foi um dos palestrantes do seminário. Há mais de dez anos ele que estuda as fragilidades do voto eletrônico no Brasil.

Viomundo – O senhor acompanhou o relato do Rangel?

Pedro Rezende – Sim, integralmente.

Viomundo — O que achou da fraude relatada?

Pedro Rezende -- Plausível, reveladora de muitos detalhes da fase de totalização, e muito séria. Pois é nessa fase do processo de votação que fraudes podem ocorrer de forma definitiva. Ao mesmo tempo, curiosamente, essa fase é sempre omitida nas avaliações externas e testes públicos de segurança, alardeados como garantias de lisura do processo de votação.

A Justiça Eleitoral sempre restringiu os testes e avaliações à urna eletrônica. E quando questionada sobre a segurança do processo de votação como um todo, ela desconversa. Sempre confunde o entendimento da questão com o da urna simplesmente.

Viomundo — O que o Rangel expôs é mesmo factível na prática?

Pedro Rezende — Sim, por motivos sobre os quais escreverei mais detalhadamente quando for publicado o vídeo do seminário. Por hora, em consideração à seriedade com que o Viomundo vem tratando a segurança do eleitor que quer eleições limpas no processo eleitoral, posso adiantar o seguinte.

A fraude descrita no seminário não tem nada a ver com a questão do TSE utilizar ou não criptografia no processo, ou se a utiliza bem ou mal.

A criptografia opera apenas em canais de comunicação, no tempo ou no espaço. No caso em questão, nos canais entre o gateway de saída de um ponto de coleta de Boletins de Urna (BU) eletrônicos, no cartório eleitoral que os recebe de seções eleitorais, e o gateway da rede interna do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), onde se inicia o processamento da totalização.

A modalidade de fraude que o jovem Rangel descreveu no seminário ocorre dentro da rede interna do TRE que totaliza a eleição, na etapa final da fase de totalização, através de um backdoor no firewall que protegeria o correspondente gateway.

A fraude é executada alterando-se as tabelas de totais parciais. Portanto, após os BUs eletrônicos terem sido descriptografados (decifrados) e os números de votos por candidato para a seção eleitoral correspondente terem sido lidos do resultado desta decifragem e tabulados em uma planilha de totais parciais da eleição. Consequentemente, após o uso da criptografia.

Essa modalidade de fraude não depende de ataque à criptografia utilizada, pois nela o ataque é no canal de confiança capaz de dar utilidade à forma de criptografia empregada na transmissão de BUs. Em linguagem técnica, podemos dizer que se trata de um ataque de canal lateral.

(...)"

fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/professor-acompanhou-relato-de-hacker-fraude-plausivel-muito-seria.html

[ Update - 07/10/2012 ]
Istoé: "As urnas são seguras mesmo?

Especialistas em informática driblam sistema de segurança da votação eletrônica e dizem que a eleição não está imune a violações"

http://www.istoe.com.br/reportagens/243315_AS+URNAS+SAO+SEGURAS+MESMO+

[ Update - 19/09/2012 ]



Palestra: Vulnerabilidades no software da urna eletrônica brasileira

Prof. Diego de Freitas Aranha
Departamento de Ciência da Computação
Universidade de Brasília
Dia: 21/09
Hora: 16:00h
Local: Auditório do Departamento de Engenharia Elétrica (ENE) - UnB 


A PALESTRA SERÁ TRANSMITIDA VIA INTERNET: http://www.justin.tv/ieeetv_unb

Resumo: Relato da participação da equipe da UnB nos Testes Públicos de
Segurança da Urna Eletrônica organizados pelo Tribunal Superior
Eleitoral, onde foram detectadas as vulnerabilidades no software que
permitiram a recuperação em ordem dos votos computados. Serão também
apresentadas outras fragilidades que abrem a possibilidade de
manipulação dos resultados da eleição e sugestões para se restaurar a
segurança dos mecanismos afetados.

Biografia: O Prof. Diego de Freitas Aranha é Bacharel em Ciência da
Computação pela Universidade de Brasília (2005), Mestre (2007) e
Doutor (2011) em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de
Campinas. Foi doutorando visitante por 1 ano na Universidade de
Waterloo, Canadá, e hoje atua como Professor Adjunto no Departamento
de Ciência da Computação da Universidade de Brasília. Tem experiência
nas áreas de Criptografia e Segurança Computacional, com ênfase em
implementação eficiente de algoritmos criptográficos e projeto de
primitivas criptográficas para fornecimento de anonimato
computacional.

Apoios:
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica - ENE/UnB
Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Sistemas Eletrônicos e de
Automação - ENE/UnB
Programa de Pós-Graduação em Informática - CIC/UnB

Cordialmente,

Diretoria IEEE Seção Centro-Norte Brasil
http://sites.ieee.org/centro-norte-brasil

Ramo Estudantil IEEE da UnB
http://sites.ieee.org/sb-unb/?page_id=88


[ Update - 2012/04/11 ]

Todo eleitor brasileiro deveria assistir: Palestra proferida no 1° ENGCCI - Goiânia, GO, 30 de março de 2012 por Pedro Antônio Dourado de Rezende (UnB):



Para Onde Foi o [Sigilo do] Voto? [legendado]:





[ Update - 2012/02/06 ]

O Tribunal Superior Eleitoral divulgou as datas dos "Testes Públicos de Segurança do Sistema Eletrônico" para 20 a 22 de março de 2012.


Mais informação no HotSite do TSE abaixo:

http://www.tse.jus.br/hotSites/testes-publicos-de-seguranca/


O Edital publicado, em seu parágrafo único, define os seguintes "elementos de segurança" a serem testados:

  • processo de carga das urnas eletrônicas;
  • hardware das urnas eletrônicas;
  • lacre físico.

[ Update - 2011/09/28 ]


Mais uma demonstração de vulnerabilidade de urnas eletrônicas - neste caso trata-se de um modelo Diebold, que está entre os mais utilizados nas eleições nos Estados Unidos.

O ataque demonstrado é extremamente barato (de US $10 a US $26 - no último caso quando há transmissor e receptor de radio-frequência, para ataques remotos) e envolve acesso físico anterior às urnas eletrônicas.

Componentes eletrônicos são inseridos na urna com o objetivo de  executar um ataque "Man-in-the-Middle" entre a interface touch screen da urna e o processador do computador.  São possíveis ações como captura de senhas, alteração de votos, sem que o usuário perceba que isto ocorreu.

Veja a descrição do ataque e os vídeos relacionados no site do "Vulnerability Assessment Team" dos laboratórios Argonne
- vinculado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos.

[ Update - 2010/10/31 ]

Eleições Seguras e Verificáveis: uma solução simples e elegante.

Mais uma eleição termina no Brasil e infelizmente por aqui ainda insistimos na segurança por obscuridade, na desinformação e no marketing vazio de "segurança inquebrável" da urna eletrônica ao invés de uma verificação séria e aprofundada dos problemas existentes por quem de direito (pdf)

Hoje tive a oportunidade de assitir a uma palestra excelente feita pelo sueco David Bismark no fantástico evento de novas idéias "TED" cita as razões fundamentais pelas quais um processo de votação precisa ser verificável ("Elections should be verifiable"). E isto não por um grupo interno do governo, alguns representantes de partidos políticos, mas por todo e qualquer interessado. A maneira que ele sugere que isto seja feito é típica de uma grande idéia - simples e elegante.


Muitos grupos independentes no Brasil lutaram pela existência de um "recibo" de votação impresso para que esta verificação seja possível - e o formato sugerido por David Bismark vai de encontro a esta idéia, e ainda por cima adiciona a transparência e o sigilo do processo com a utilização de diferentes ordens dos candidatos para votação e do código de barras 2D criptografado. O eleitor pode então levar o recibo para casa e verificar se seu voto foi contato posteriormente!

Fantástico... Espero que no futuro tenhamos humildade e inteligência para implementar os conceitos apresentados por ele por aqui!

[ Update - 2010/08/24 ]

Vote no Pac-Man!

Com a proximidade das eleições, voltamos ao tema da (in)Segurança das Urnas Eletrônicas. Dois acontecimentos recentes e relacionados - um nos Estados Unidos e outro na Índia - mostram (assim como os diversos outros estudos presentes neste longo post) como é fácil burlar os mais modernos sitemas de votação eletrônica:

http://www.cse.umich.edu/~jhalderm/pacman/ - Pesquisadores da Universidade de Princeton e Michigan instalaram o jogo PAC-MAN em uma urna eletrônica sem violar os lacres de segurança.

http://www.wired.com/threatlevel/2010/08/researcher-arrested-in-india/ - Pesquisador preso na Ìndia depois de descobrir problemas em urnas eletrônicas.

[ Update - 2010/04/16 ]

CorreioWeb: Relatório aponta falhas no sistema de votação brasileiro

Trecho:

Comitê Multidisciplinar Independente sobre o Sistema Brasileiro de Votação Eletrônica apresentou relatório que aponta falhas consideradas gravíssimas no programa de urnas eletrônicas adotado no Brasil. O documento foi entregue ao vice-reitor da UnB, João Batista de Sousa.
O comitê diz que é impossível auditar, de maneira isenta, o resultado da apuração dos votos nas urnas eletrônicas. “Caso ocorra uma infiltração criminosa determinada a fraudar as eleições, restou evidente que a fiscalização externa dos partidos, da OAB e do MP, de modo como é permitida, será incapaz de detectá-la”, diz o relatório. “Esta impossibilidade de auditoria independente do resultado eleitoral é que levou à rejeição de nossas urnas eletrônicas em todos os mais de 50 países que a estudaram”, acrescenta.
Segundo o professor de Criptografia e Ciência da Computação da Universidade de Brasília, Pedro Antônio Rezende, o modelo atual privilegia rapidez em detrimento da segurança de informações. “O sistema troca coisas supérfulas como a rapidez e a visibilidade de espetáculo pela certeza de uma apuração correta", denuncia. "Precisamos ficar atentos, pois isso pode corroer a democracia”, afirma.
O número de envolvidos no processo eleitoral também é visto como vilão. “Há exagerada concentração de poderes, resultando em comprometimento do princípio da publicidade e da soberania do eleitor, em poder conhecer e avaliar, o destino do seu voto”, afirma o relatório. “Nossa intenção é buscar transparência em todos os níveis da votação”, garante Rezende. “Quem critica o sistema eleitoral brasileiro é alvo de preconceito. Existe um tabu em se falar sobre o tema com esse nível de franqueza”, conclui.

Link para o relatório: http://www.cic.unb.br/~pedro/trabs/relatoriocmind.pdf

[ Update - 2009/11/20 ]Perito quebra sigilo e descobre voto de eleitores em urna eletrônica do Brasil (IDG Now)

[ Update - 2009/11/16 ]
Com as restrições ressaltadas abaixo, os testes foram finalizados com sucesso pelo TSE e a Urna brasileira passou a ser considerada segura pela mídia.

Para muitos especialistas, um teste como este não passa de propaganda e não pode se considerado definitivo, pois não se pode partir do princípio que um atacante não teria acesso físico interno e ao código da urna, por exemplo (veja mais comentários do Lucas Ferreira abaixo).

Um exemplo vindo dos Estados Unidos: na conferência acontecida há alguns meses "Eletronic Voting Technology Workshop", um grupo de pesquisadores das Universidades da Califórnia, Michgan e Princeton demonstrou que em poucos minutos - utilizando uma técnica chamada "return-oriented programming" - votos podem ser roubados utilizando e subvertendo pequenas partes de código já existentes nas urnas.

Por causa deste tipo de resultados, os Estados Unidos (vide reportagem no New York Times) e a Alemanha (vide editorial da Deutche-Welle) tiveram testes e resultados diferentes dos tupiniquins... Talvez devessemos exportar a tecnologia de urna eletrônicas para estes dois países - assim os testes poderão ser efetuados de forma mais completa por lá.. =)

[ Update - 2009/09/14 ]

Meu amigo Lucas Ferreira - especialista em segurança em desenvolvimento seguro - postou comentários interessantes sobre o anúncio de testes às urnas eletrônicas feito pelo Tribunal Superior Eleitoral:


O TSE vai permitir que pesquisadores tenham acesso às urnas para a execução de testes de segurança. No entanto, mantém uma série de restrições que vão restringir a eficácia dos testes:
  • não haverá acesso ao código fonte
  • o plano de testes deverá ser submetido com antecedência e não poderá ser alterado
  • o prazo para a realização dos testes é de apenas alguns dias
  • os testes deverão ser realizados no ambiente do TSE, o que restringe a liberdade de ação dos pesquisado

[ 2009/09/12 Update - Desafio do TSE a cidadãos e hackers tem data marcada ]


O Jornal da Globo agora há pouco divulgou informações à notícia "TSE procura hackers para testar as novas urnas eletrônicas". Mais detalhes sobre o processo neste fluxograma dos testes de segurança - que está marcado para ocorrer na primeira quinzena de novembro.

Em todo o mundo, sempre que as urnas eletrônicas foram testadas (de verdade) elas falharam em aspectos críticos de segurança - como pode ser visto no post original abaixo - cabe agora acompanharmos os testes que serão executados em novembro no importante teste do processo de votação eletrônica programado pelo TSE (site oficial do teste).

Acredito que independente do resultado dos testes que serão feitos a existência de um registro impresso da votação para um possível batimento e validação posterior dos votos de uma urna eletrônica são fundamentais para manter a idoneidade no processo.

Além disto para a avaliação da segurança e a transparência do processo possa ser completa, especialistas precisam ter acesso ao código fonte da urna, obviamente.


[ 2009/08/12 - Post Original ]


Já faz algum tempo (vide discussões em 2005 e 2006) que eu me preocupo com o assunto da segurança do processo de votação - especialmente das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil pelo TSE.

Hoje lendo meus RSS Feeds (via ISTF) tive a feliz notícia de que o "TSE confirma a realização de testes de segurança no sistema eletrônico de votação".

Esta notícia é ótima e nos dá a esperança de viver em uma real democracia! Agora é só ver para crer. Os testes segurança serão coordenados pelo Ministro Ricardo Lewandowski e ocorrerão em novembro de 2009 "por meio de tentativas a serem feitas para burlar seus programas".Segundo as informações divulgadas no site do TSE:

"
Para a realização do teste, duas comissões deverão ser formadas. A Comissão Disciplinadora dos Testes de Segurança vai definir o escopo, a metodologia e a formatação dos testes, os critérios de julgamento, a análise e a aprovação das inscrições dos investigadores, o exame e a aprovação dos testes propostos pelos investigadores, a supervisão nos dias de execução e o registro das atividades executadas durante as aferições. Essa comissão será composta por servidores da Justiça Eleitoral, indicados pelo TSE.

Já a Comissão Avaliadora dos Testes de Segurança será responsável por validar o escopo, a metodologia e os critérios de julgamento definidos pela Comissão Disciplinadora, analisar os testes realizados e os resultados obtidos, julgar e examinar os artigos a serem publicados e por produzir o relatório final.

A Comissão Avaliadora será integrada por professores universitários e cientistas, a serem indicados pelo presidente do TSE, por meio de portaria.
Além disso, a Comissão Avaliadora será composta opcionalmente, a depender da disponibilidade e do interesse de cada entidade, pelos seguintes participantes: por um representante, respectivamente, do Ministério Público da União, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da comunidade jurídica e por um representante do ministro do TSE coordenador do processo."

Existem alguns trabalhos já executados nos EUA que podem servir de referência para os trabalhos que serão executados nos próximos meses:

Como pode ser visto no link com o assunto tratado em 2006, a Universidade de Princeton fez um interessante estudo (paper/vídeo) mostrando as vulnerabilidades de um modelo de urnas Diebold Accuvote-TS - similares aos utilizados nas votações brasileira.

Um trabalho similar foi executado em 2007 pelo governo do estado da Califórnia (reports em pdf), onde equipamentos de votação de 4 diferentes fabricantes tiveram sua segurança testada (red teams, revisão de código fonte e revisão de documentação).

Na semana passada, durante a conferência "Eletronic Voting Technology Workshop"
um grupo de pesquisadores das Universidades da Califórnia, Michgan e Princeton demonstrou que em poucos minutos e sem conhecimento do código fonte da urna eletrônica - utilizando uma técnica chamada "return-oriented programming" - votos podem ser roubados utilizando e subvertendo pequenas partes de código já existentes nas urnas.

Estes pesquisadores chegam a recomendar que o processo de votação não aconteça em urnas eletrônicas, mas com cédulas de papel lidas por scanners óticos que permitem uma auditoria estatística rápida e mais segura.

A opinião pública americana (vide reportagem no New York Times) e a Justiça Alemã (vide editorial da Deutche-Welle) já se posicionaram contra a utilização de urnas eletrônicas.
Reproduzo aqui a minha opinião sobre o assunto (que não mudou) de 4 anos atrás:

"A informatização da votação não muda o fato de serimperativo oacompanhamento (auditoria) do processo epossível verificação dos votos a posteriori. É umamudança tecnológica, e em nada acrescenta ao quesitosegurança. Obviamente, como o professor Del Picchiasugere, as tecnologias utilizadas pelo TSE poderiamser mais seguras e conhecidas (através da utilizaçãode hardware nacional e software livre, por exemplo).Porém isto não afetaria em nada a possibilidade defraude "interna" por quem controla a votação (videPainel do Senado), como foi sugerido também no texto(Jobim).Ou seja, em qualquer caso (inclusive com a impressãodos votos para uso em possível recontagem) vocêprecisa confiar no governo...Uma possível melhoria no processo seria a aberturado funcionamento da urna E de todo o processo decontagem para especialistas indicados por cadapartido político e por setores da sociedadeinteressados, o que evitaria a temida "segurançapor obscuridade", que torna o processo maispassível de ser fraudado internamente e acabaimpactando negativamente na segurança do sistemaeleitoral como um todo.Pois o que não pode ser testado exaustivamentecontra falhas - inclusive as exploráveis porperpetradores externos - não pode em hipótesenenhuma ser considerada segura."

Aproveito para passar aos leitores interessados dois grupos dediscussão sobre o assunto no Brasil: VotoSeguro e VotoEletrônico.Através deles fui informado que hoje (12/08/2009) haverá umaaudiência pública no Senado sobre a exclusão do artigo de leido voto impresso da minirreforma eleitoral - fiquemos de olho.Somente um esforço contínuo, transparente e democrático deauditoria das urnas e do processo eleitoral pode tranquilizar aopinião pública acerca da legitimidade das eleições, e a sinalização do TSE acerca dos testes que serão efetuadosem novembro são um ótimo começo.

Friday, June 20, 2014

Revista.BR - Deep Web, efeito Snowden no Brasil, e mais..


No final de 2013 fui convidado pelo Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.BR) para participar com comentários em uma matéria sobre a Deep Web / Dark Web.

A matéria foi publicada na Revista.BR de 2014 - esta semana - e contém muitos outros artigos interessantes como uma entrevista do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, sobre a era Pós-Snowden e seus reflexos no Brasil; Como criar senhas fáceis de lembrar e difíceis de descobrir, Wearable Computing, entre outras. Baixe o PDF clicando na imagem do Sumário da revista abaixo:

http://www.cgi.br/media/docs/publicacoes/3/REVISTA%20BR_6_baixa.pdf










Tuesday, April 8, 2014

Heartbleed openSSL Bug recap


last updated: 04/11/2014 23:30 UTC


1) What is it?: http://heartbleed.com

"The Heartbleed Bug is a serious vulnerability in the popular OpenSSL cryptographic software library. This weakness allows stealing the information protected, under normal conditions, by the SSL/TLS encryption used to secure the Internet. SSL/TLS provides communication security and privacy over the Internet for applications such as web, email, instant messaging (IM) and some virtual private networks (VPNs).

The Heartbleed bug allows anyone on the Internet to read the memory of the systems protected by the vulnerable versions of the OpenSSL software. This compromises the secret keys used to identify the service providers and to encrypt the traffic, the names and passwords of the users and the actual content. This allows attackers to eavesdrop on communications, steal data directly from the services and users and to impersonate services and users."

2) Vulnerability: http://cve.mitre.org/cgi-bin/cvename.cgi?name=CVE-2014-0160

3) Security Advisory: https://www.openssl.org/news/secadv_20140407.txt

4) Patch: https://github.com/openssl/openssl/commit/96db9023b881d7cd9f379b0c154650d6c108e9a3

5) PoC exploits:

5.1)
http://www.exploit-db.com/exploits/32745/
http://s3.jspenguin.org/ssltest.py
https://gist.github.com/takeshixx/10107280

5.2) https://raw.githubusercontent.com/HackerFantastic/Public/master/exploits/heartbleed.c

5.3) https://github.com/robertdavidgraham/heartleech

6) Online Tests: (have you wondered what are they doing with the logs? ;)

6.1) http://filippo.io/Heartbleed/
6.2) http://possible.lv/tools/hb/
6.3) https://www.ssllabs.com/ssltest/
6.4) http://heartbleed.criticalwatch.com/
6.5) https://lastpass.com/heartbleed/

7) How bad is this? What the bad guys are doing?

7.1) Bruce Schneier - the crypto and security expert responsible for coining the term Security Theater:  "practice of investing in countermeasures intended to provide the feeling of improved security while doing little or nothing to actually achieve it." - is saying that "Heartbleed is a catastrophic bug in OpenSSL" and that "Catastrophic" is the right word. On the scale of 1 to 10, this is an 11."

7.2) Well, right now many online services offered via HTTPS are not patched yet. So, if you login to Yahoo for example (check yahoo.com:443 in any test above), you can have you information (including user/password) read in plain text by an attacker:


7.3) One can also hijack user sessions exploiting the vulnerability.


7.4) In theory, you can dump the private key from the server, but was not fully demonstrated yet. There is a video showing the beginning of a private key being leaked by the heartbleed attack - but not all of it: https://www.youtube.com/watch?v=4fX-unvgMVU

8) Who / What is vulnerable? 

8.1) 3 days after the official Heartbleed announcement, 78% of the initially vulnerable services are still exploitable: http://istheinternetfixedyet.com/

8.2) More than 600,000 sites are vulnerable: http://blog.erratasec.com/2014/04/600000-servers-vulnerable-to-heartbleed.htm

8.2) Companies are patching the vulnerability, but at least half million sites are vulnerable. (and other services like SSL VPNs, Webmails, etc.)

8.3) List of vendor notifications by The Sans Institute: https://isc.sans.edu/forums/diary/Heartbleed+vendor+notifications/17929

8.4) List of vulnerable Top Alexa 1000 sites (yahoo, imgur, flickr, redtube, archive.org, okcupid,...)https://github.com/musalbas/heartbleed-masstest/blob/master/top1000.txt

8.5)  As expected, there are many mass tests running right nowhttps://zmap.io/heartbleed/ (including a link to the Alexa Top 1 million sites that are vulnerable)

8.6) There is an interesting list of big sites that have patched the Heartbleed bug maintained by @MrCippyhttp://www.cnet.com/how-to/which-sites-have-patched-the-heartbleed-bug/

8.7) The most simple and common attack vector is from a client to a server, but the reverse is also possible. Enter "ReverseHeartBleed":https://reverseheartbleed.com/ Blog post: http://blog.meldium.com/home/2014/4/10/testing-for-reverse-heartbleed

8.8) Routers are also vulnerable, check the list of products affected from Cisco: http://tools.cisco.com/security/center/content/CiscoSecurityAdvisory/cisco-sa-20140409-heartbleed and Juniper: http://kb.juniper.net/InfoCenter/index?page=content&id=JSA10623

9) IDS rules to detect the abuse of this vulnerability:

9.1) Snort: http://blog.fox-it.com/2014/04/08/openssl-heartbleed-bug-live-blog/
9.2) Suricata: http://blog.inliniac.net/2014/04/08/detecting-openssl-heartbleed-with-suricata/
9.3) As you (should) know, IDS are easily bypassed (check item 5.3 above).
9.4) Bro-IDS is not bypassed by this: https://gist.github.com/sethhall/10436578 - detector: https://github.com/bro/bro/blob/topic/bernhard/heartbeat/scripts/policy/protocols/ssl/heartbleed.bro

10) How to detect successful Heartbleed attacks with tshark (thanks to @netresec): 

tshark -i eth0 -R "ssl.record.content_type eq 24 and not ssl.heartbeat_message.type"

11) Nmap NSE plugin to check for the heartbleed vulnerability: https://svn.nmap.org/nmap/scripts/ssl-heartbleed.nse

Usage: $ nmap -p 21,990,1194,443,8443,993,995,465,4430 -sC –script heartbleed.nse 192.168.0.1-255

12) Important: if your servers are vulnerable, you have to patch them now and generate a new private key + certificate AND revoke the old certificate (and replace any other important info that might have been leaked before you patch - even reset user passwords if you are not sure). This was confirmed on 04/11/2014: https://www.cloudflarechallenge.com/heartbleed - credits: @indutny from Russia: https://gist.github.com/indutny/a11c2568533abcf8b9a1 and Ilkka Mattila from Finland CERT).

Happy patching! Detailed steps:

7 steps to stop the Heartbleed SSL/TLS bug (thanks to @datarisk article)
  • Inventory all systems and servers running OpenSSL 1.0.1 and newer
  • Upgrade to OpenSSL 1.0.1g or recompile with -DOPENSSL_NO_HEARTBEATS
  • Revoke compromised keys and reissue new keys from the Certificate Authority
  • Change user passwords and encryption keys
  • All session keys and session cookies must be expired/invalidated
  • All users of systems where SSL is in use must be informed of the potential for compromise
  • Consider implementing perfect forward secrecy to protect against current and future attack
Beyond these technical steps, companies should consider the following best practices:
  • Ensure that remediation efforts are carried out by qualified IT professionals
  • Consider it a project – enforce accountability along with proper planning & documentation
  • Aim for completeness – vulnerable OpenSSL distributions run on at least eight operating systems
  • Take appropriate precautions to avoid business interruptions during the process
  • Have the remediation efforts independently validated and get a written report
13) As I predicted / requested, there's now a Chrome and a Firefox Plugin to detect vulnerable sites:

13.1) Chrome:
https://chrome.google.com/webstore/detail/chromebleed/eeoekjnjgppnaegdjbcafdggilajhpic

13.2) Firefox:
https://addons.mozilla.org/en-US/firefox/addon/foxbleed/

14) Want more information? Here are some good writeups on the Heartbleed bug:

14.1) Technical Writeups:
http://blog.cryptographyengineering.com/2014/04/attack-of-week-openssl-heartbleed.html
http://blog.existentialize.com/diagnosis-of-the-openssl-heartbleed-bug.html

14.2) Technical Video on the High-Level Mechanics of HeartBleed by @elastica:
http://vimeo.com/91425662

14.3) Non-Technical Writeups:
http://arstechnica.com/security/2014/04/critical-crypto-bug-in-openssl-opens-two-thirds-of-the-web-to-eavesdropping/
http://krebsonsecurity.com/2014/04/heartbleed-bug-exposes-passwords-web-site-encryption-keys/

14.4) Easy to understand videos:
by Mashable: https://www.youtube.com/watch?v=8oI_laHhGjE
by @jesperjurcenokshttps://www.youtube.com/watch?v=oZqXt0iddDQ

15) The HeartBleed bug was "discovered" now, but it is more than 2 years old, so.. 



15.1) Were Intelligence Agencies Using Heartbleed in November 2013?
https://www.eff.org/deeplinks/2014/04/wild-heart-were-intelligence-agencies-using-heartbleed-november-2013

15.2) NSA Said to Exploit Heartbleed Bug for Intelligence for Years
http://www.bloomberg.com/news/2014-04-11/nsa-said-to-have-used-heartbleed-bug-exposing-consumers.html

16) Anyway, a lot of people are now testing / scanning / mass scanning the whole internet for the Honeybleed bug. There's now a non-official / funny patch made by @moyix to use if you plan to run a vulnerable openssl honeypot:
http://remember.gtisc.gatech.edu/~brendan/honeybleed.patch



17) Well, if you read all this and are not impressed or worried, see this:



18) Credits: Codenomicon and Google

19) Thanks to @briankrebs, @steveD3, @CSOonline, @NetworkWorld and @ComputerWorld  for linking to this re-cap on their blog posts / articles:


Saturday, March 22, 2014

DNSSEC - Antes tarde do que nunca


[ Update 22/03/2014 ]

Três anos depois, parece que o "nunca" ganhou do "antes tarde"?

DNSSEC Has Failed

O autor do artigo acima tem razão em alguns pontos, especialmente o que tange a complexidade da implementação adequada do DNSSEC ("To enable DNSSEC we have a “tutorial” by Olaf Kolkman which spans a whopping sixty-nine pages. DNS engineers can get trainings, which always take multiple days.")

[ Update 20/11/2011 ]

Seguem alguns sites que podem ser usados para verificar o status de implementações de DNSSEC (incluindo delegações / cadeia de autenticações / etc.. )

  1. Sandia Laboratories: http://dnsviz.net/
  2. IIS.SE: http://dnscheck.iis.se
  3. Verisign: http://dnssec-debugger.verisignlabs.com/

[ Update: 31/05/2010 ]

Atenção administradores de DNS Recursivos brasileiros - reproduzo abaixo informações de configuração DNSSEC postadas no GTS por Frederico Neves do registro.br incluindo a nova KSK key da zona .br:
Senhores(as),

Conforme a nossa "Política de publicação e administração de chaves DNSSEC" [1], desde 31/05/2010 estamos utilizando uma nova chave KSK para a zona .br. A nova chave com key id 41674 juntamente com exemplos de configuração para BIND e UNBOUND pode ser obtida abaixo [3] ou em nosso site [2].

A chave em uso desde 24/06/2008, com key id 18457, deixará de ser utilizada a partir de 26/07/2010.

Se você administra servidores DNS recursivos que estejam com DNSSEC habilitado, não se esqueça de atualizar a chave do .br na configuração de seu servidor. A substituição da chave ancorada em seu servidor DNS pela nova KSK do .br deve ser feita antes do final do período de rollover, que se encerra em 26/07/2010.

É esperado que este seja o último rollover manual uma vez que a raiz será assinada em breve e as próximas trocas de chaves serão efetuadas de forma automática.

Atenciosamente,
Frederico Neves

[1]
http://registro.br/info/dnssec-policy.html
[2]
https://registro.br/ksk/index.html
[3]
*DNS RR
br. IN DNSKEY 257 3 5 (
AwEAAblaEaapG4inrQASY3HzwXwBaRSy5mkj7mZ30F+h
uI7zL8g0U7dv7ufnSEQUlsC57OHoTBza+TQIv/mgQed8
Fy4XGCGzYiHSYVYvGO9iWG3O0voBYy/zv0z7ANfrA7Z3
lY51CI6m/qoZUcDlNM0yTcJgilaKwUkLBHMAp9NJPuKV
t8A7OHab00r2RDEVjiLWIIuTbz74gCXOVfAmvW07c8c=
) ; key id = 41674


*BIND trusted-keys config
trusted-keys {
br. 257 3 5
"AwEAAblaEaapG4inrQASY3HzwXwBaRSy5mkj7mZ30F+h
uI7zL8g0U7dv7ufnSEQUlsC57OHoTBza+TQIv/mgQed8
Fy4XGCGzYiHSYVYvGO9iWG3O0voBYy/zv0z7ANfrA7Z3
lY51CI6m/qoZUcDlNM0yTcJgilaKwUkLBHMAp9NJPuKV
t8A7OHab00r2RDEVjiLWIIuTbz74gCXOVfAmvW07c8c=";
};


*UNBOUND trust-anchor config
trust-anchor: "br. DS 41674 5 1 EAA0978F38879DB70A53F9FF1ACF21D046A98B5C"

[ Update: 06/05/2010 ]

A mudança de chave para o DNSSEC do último dos 13 root DNS servers foi ontem. A partir de agora todos respondem com uma versão assinada da root zone. A validação das assinaturas ainda não é possível pois as chaves públicas só serão disponibilizadas durante uma cerimônia (txt ICANN) em julho desde ano.

Mais informações:

http://www.h-online.com/security/news/item/DNSSEC-on-all-root-servers-994744.html

Posts Relacionados:

[ Post Original: 21/01/2010 ]

Na próxima semana a Verisign iniciará a configuração do DNSSEC para os domínios .com e .net (2 root servers). O processo envolverá inicialmente todas as empresas e entidades responsáveis pelos 13 root servers e esta fase inicial deve durar até julho deste ano.

O DNS - Domain Name Service - (udp/tcp 53) é um dos protocolos mais importantes da Internet - por ser responsável por resolver os endereços IP aos quais os computadores devem se conectar, a partir de um banco de dados distribuído. É ele que permite que você somente precise se lembrar de nomes simples para acessar utilizar a internet (www.google.com - em vez de 72.24.204.99 ou 2001:4860:0:1001::68 para ipv6).

As RFCs 282 e 283 definiram a implementação DNS em 1982, e depois várias outras detalharam ou alteraram especificações relacionados ao protocolo e/ou serviço DNS - e podem ser verificadas no seguinte link: http://www.dns.net/dnsrd/rfc/.

Num exemplo claro de que as mudanças nem sempre são rápidas quando se trata de segurança - o DNSSEC foi primeiramente proposto em 1997, na RFC 2065.

Em resumo, as extensões DNSSEC oferecem 3 novos record types que trazem mais segurança ao protocolo e indiretamente aos serviços da internet e à sua navegação:

1) processo de distribuição de chaves (KEY/DNSKEY),
2) a certificação da origem de dados (SIG/RRSIG) e,
3) a certificação de transações e requisições (NXT/NSEC).

Ou seja, o DNSSEC pretende proteger a integridade dos dados DNS e garantir que as informações estão vindo da origem correta:

1) os domínios da internet podem se assegurar que eles que somente eles são os responsáveis pelas informações de resolução dos sites que possuem, e

2) usuários - que ao navegar automaticamente fazem resoluções DNS - podem verificar que o resultado obtido veio de uma origem confiável.

Por estes motivos, o DNSSEC é considerada a melhor solução para melhorar a segurança deste serviço fundamental e eliminar o problema de envenenamento de caches DNS (DNS cache Poisoning) - que como sabemos é um ataque muito comum e efetivo hoje.

Em 2007, eu tive a oportunidade de revisar um paper publicado pelo CERT.BR que trata entre outras coisas - de DNS Poisoning - segue o link: http://www.cert.br/docs/whitepapers/dns-recursivo-aberto/.

Além disto publicamos em 2008 uma série de updates sobre a falha descoberta por Dan Kaminski que facilita as explorações de DNS Poisoning utilizando birthday attack. (desde então ele faz uma campanha defendendo a adoção do DNSSEC).

Os efeitos de ataques em servidores DNS são inúmeros, incluindo:

1) Ataque de Negação de Serviço Abusando de Servidores DNS Recursivos Abertos - detalhes aqui.

2) "falso-deface": pois o usuário ao digitar o endereço do site - e resolver o endereço IP no servidor DNS que sofreu o envenenamento - será redirecionado para outro servidor sobre controle do hacker (como foi o caso do Twitter no final de 2009)

3) golpes de phishing em massa ( ou pharming ): ou seja, sem utilização de código malicioso no cliente, que tem o seu servidor de DNS envenenado redirecionando sites de instituições financeiras para outro endereço IP - controlado pelo hacker - era muito comum no Brasil de 2002 a 2005 e ainda é existente por aqui e pelo mundo.

Com relação ao DNSSEC, sabemos que este tipo de alteração em um serviço tão fundamental da internet deve idealmente envolver todos os administradores de DNS's.

Quem já cansou de esperar por 13 anos - desde a primeira RFC que tratou do assunto - pode estar entre os "early adopters" ou - é claro - esperar mais 6 meses - quando todos os root servers estarão OK - para iniciar o trabalho de assinar as zonas, e gerenciar as chaves criptográficas envolvidas nas comunicações entre os resolvers e os servers.

Os passos naturais para tanto são: geração das chaves criptográficas (pública e privada), update do arquivo de zona, configuração de resolver c/ forwarding, publicação da zona e verificação da nova zona assinada.

A tendência natural é que grandes sites adotem o DNSSEC mais rapidamente, para garantir uma maior segurança para eles próprios e para os seus usuários.

Mais informações:

Para acompanhar a evolução da adoção do DNSSEC pelos root servers, acesse http://www.root-dnssec.org/. Para detalhamentos técnicos, visite a seção de documentos:

Este é o timeline previsto:

  • December 1, 2009: Root zone signed for internal use by VeriSign and ICANN. ICANN and VeriSign exercise interaction protocols for signing the ZSK with the KSK.
  • January, 2010: The first root server begins serving the signed root in the form of the DURZ (deliberately unvalidatable root zone). The DURZ contains unusable keys in place of the root KSK and ZSK to prevent these keys being used for validation.
  • Early May, 2010: All root servers are now serving the DURZ. The effects of the larger responses from the signed root, if any, would now be encountered.
  • May and June, 2010: The deployment results are studied and a final decision to deploy DNSSEC in the root zone is made.
  • July 1, 2010: ICANN publishes the root zone trust anchor and root operators begin to serve the signed root zone with actual keys – The signed root zone is available.

É claro que sobra muito espaço ainda para melhoria no DNSSEC e algumas questões precisam ser mais bem trabalhadas, como ataques "Man-in-the-middle" com spoofing, a questão da necessidade de se confiar no resolver, ataques de negação de serviço e dados não encriptados, por exemplo.

Obviamente as preocupações tradicionais de segurança continuam valendo para o DNSSEC - e as principais são manter o serviço instalado de forma adequada e no último patch level possível.

Recentemente foi divulgada uma falha na implementação do DNSSEC pelo BIND (advisory aqui) - que já foi corrigida. As versões atualmente recomendas são: 9.4.3-P5, 9.5.2-P2 or 9.6.1-P3.

Uma excelente discussão e o status da implementação do DNSSEC no Brasil dado pelo Frederico A C Neves do Registro.BR você pode verificar neste vídeo "DNSCurve X DNSSEC" - do FISL 10 (Obrigado Zucco pela dica nos comentários!).


Friday, March 7, 2014

Segurança e Defesa Cibernética: Recursos Humanos

[ Última Atualização: 07/03/2014 /  Post Original: 11/10/2011 ]


O maior desafio ao tentar desenvolver capacidades de Segurança e Defesa Cibernética não é técnico, comercial ou processual, e sim humano. Isto é verdade em todos os níveis, desde pequenas empresas, passando por grandes organizações públicas e privadas e incluindo países inteiros.

A diferenciação entre "Segurança" e "Defesa" tem sido definida pela esfera - civil ou militar - das ações  de proteção, detecção ou reação executadas. Porém isto é muito dificultado em um cenário como a Internet, em que a dificuldade de atribuição de responsabilidade é imensa (ver final do post).

O problema é global. Ações de espionagem industrial direcionadas à informações estratégicas e infra-estruturas críticas são os acontecimentos mais comuns nesta esfera. Os Estados Unidos recentemente sugeriu oficialmente uma "pressão diplomática" juntamente com seus aliados na Ásia e Europa, para que os chineses assumam responsabilidade por ações que são contínuas - e documentadas em incidentes como GhostNetAuroraShady Rat, KneberNight Dragon, e mais recentemente as ações tomadas públicas pelos vazamentos de Edward Snowden, o caso Careto / The Mask - este últimos dois afetando o Brasil diretamente.

Além disto o desafio político é muito grande - como coordenar iniciativas de resposta e troca de informações sobre ameaças entre forças armadas, empresas públicas e privadas (muitas destas coisas concessões de exploração de infraestruturas críticas).

Uma coisa é certa: mais importante do que adquirir ou desenvolver qualquer tecnologia é conseguir treinar os recursos humanos necessários e priorizar a atenção nas ameaças reais de uma organização. Aos interessados, veja o que mais sobre este tema nestes dois artigos).

Um exemplo da complexidade de se preparar adequadamente para o tema "Segurança Cibernética" 
é o documento Identity & Information Assurance Related Policies and Issuances (pdf) - trata-se de um excelente gráfico que organiza e aponta para os inúmeros textos de regulamentações e guias sobre Segurança da Informação no governo federal norteamericano. 

Se depois de ver este gráfico você ainda não se convenceu da complexidade do assuinto, gostaria de citar um trecho dito pelo guru Dan Geer - que nos lembrou disto durante sua palestra na Source Boston de '08:
Security is perhaps the most difficult intellectual profession on the planet.  The core knowledge base has reached the point where new recruits can no longer hope to be competent generalists, serial specialization is the only broad option available to them.
Para completar as referências sobre a complexidade e a necessidade de formação de mão de obra adequada para operar CiberSegurança e/ou CiberDefesa: A cerca de um ano, uma comissão responsável por assessorar a presidência norteamericana sobre o tema publicou um interessante documento entitulado "A Human Capital Crisis in CyberSecurity" (pdf)

Uma das conclusões do relatório é a seguinte: incluindo todos os profissionais de áreas governamentais (incluindo militares) e civis nos nos Estados Unidos, existem hoje apenas 1000 (mil) profissionais devidamente treinados e habilitados a trabalhar com "CyberSecurity" por lá. Para uma adequada preparação na área de Defesa Cibernética, o estudo indicou uma necessidade atual de 30.000 (30 mil) pessoas.

Enquanto isto, no Brasil:

Dentre as iniciativas feitas até o momento pelo Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), está a previsão de criação da Escola Nacional de Defesa Cibernética (pdf).
Objetivo: "conceber Instituição de Ensino de presença nacional, que tenha como foco formar e capacitar profissionais para exercerem funções específicas na manutenção da defesa cibernética, contribuindo com a segurança cibernética das infraestruturas críticas nacionais, por meio da inclusão da sociedade nas atividades do Setor Cibernético."
Ações Estratégicas: "criar a Escola Nacional de Defesa Cibernética (EsNaDCiber), fomentar a parceria entre a Escola e as instituições de ensino públicas e privadas, fomentar a parceria entre a Escola e entidades públicas e privadas, capacitar profissionais para atuarem na segurança e na defesa cibernética das infraestruturas críticas nacionais, incentivar a participação do MEC e do MCT no aprimoramento do projeto, identificar as melhores práticas no emprego das novas tecnologias de ensino, quantificar as demandas de pessoal a qualificar, identificar competências existentes para atuar no setor, identificar cursos já existentes que atendam às demandas prementes, implementar cursos de demanda premente, visando atender às necessidades de curto prazo, sugerir ao MEC a implementação de ações educacionais de fomento na área de segurança e defesa cibernética."
Video de uma entrevista concedida em fevereiro de 2014, pelo Coronel Luiz Gonçalves , do CDCIBER, sobre a Escola Nacional de Defesa Cibernética:



Existem diversas Universidades que potencialmente podem auxiliar este projeto relacionado à Segurança das Informações e Comunicações: Unb, Unicamp, USP, UFPel, UFSM, ITA, IME, UECE, UFPE  - apenas para citar algumas das mais ativas no setor (* veja update abaixo para uma lista mais completa)

Além disto, diferentes órgãos de governo possuem material humano com expertise para auxiliar a iniciativa: Ministério da Defesa (Exército, Marinha, Aeronáutica), Presidência da República (Secretaria de Assuntos Estratégicos, Agência Brasileira de Inteligência, Gabinete de Segurança Institucional - DSIC/CTIR), Ministério da Justiça (Departamento de Polícia FederalProcuradoria Geral da República), Ministério do PlanejamentoMinistério da Educação (RNP), Ministério de Ciência e Tecnologia (Secretaria de Politica de Informática, Comitê Gestor da Internet no Brasil - CERT.BR).

Listando rapidamente (e não exaustivamente) apenas algumas das diferentes especialidades necessárias para formar e suportar times complexos de cibersegurança. É possível visualizar a dificuldade de contratação (e/ou coordenação) deste grupo de profissionais (aproveito para listar algumas referências profissionais e organizacionais brasileiras com experiência comprovada nas áreas listadas).
  1. Análise de Malware e Engenharia Reversa (Ronaldo Lima, Fábio Assolini, Pedro Bueno, Ranieri Romera, Guilherme Venere, CTI, Febraban, GAS)
  2. Análise de Risco (Módulo, Axur)
  3. Análise de Vulnerabilidades em Hardware (CEPESC, Kryptus)
  4. Conscientização de Segurança (Anderson Ramos, Patrícia Peck)
  5. Correlação de Eventos de Segurança (Luiz Zanardo, Janilson Correia, Daniel Cid)
  6. Criptografia (Routo Terada, José Gondim, ABIN, eSEC)
  7. Desenvolvimento de Exploits / Busca de Vulnerabiliades: Rodrigo Rubira, 
  8. Direito Digital (Opice Blum, Coriolano Camargo, Atheniense, Omar Kaminski, José Milagre)
  9. Resposta a Incidentes (Jacomo Picolini, Klaus Jessen, Cristine Hoepers, CERT.BR, CTIR, APURA)
  10. Forense Computacional (Marco Wanderley, Marcelo Caiado, DataSecurity, William Teles, Tony Rodrigues, José Milagre,SEPINF - DPF, APURA)
  11. Pentesting (Wendel Henrique, Filipe Balestra, Joaquim Espinhara, Rafael Ferreira, Tempest)
  12. Segurança de Sistemas Embarcados (Rodrigo Almeida, Sérgio Prado, Alberto Fabiano)
  13. Segurança de Sistemas Operacionais (Fernando Cima, Jeronimo Zucco, Marcelo Tossati)
  14. Segurança de Aplicações Web (Tiago Assumpção,Wagner Elias, Lucas Ferreira, Thiago Zaninotti)
  15. Segurança de Sistemas SCADA (Marcelo Branquinho)
  16. Segurança de Rede (Aker, Breno Silva, Frank Ned)
  17. Segurança de Redes Wireless (Nelson Murilo, Leonardo Militelli)
  18. Segurança de Backbone (Daniel Kratz, Karlos CorreiaKleber Carriello)
PS: Estas lista de áreas e referências acadêmicas, governamentais e empresariais se iniciou a partir de referências pessoais e aguardo sugestões para atualizar a lista com nomes que os leitores podem incluir nos comentários, abaixo.

Através da COMSIC, o José Eduardo Brandão, do IPEA, colaborou com a lista de outras universidades ainda não citadas, a partir de um levantamente feito em dezembro de 2010:

Centro Universitário do Pará, Faculdade de Tecnologia e Ciências, Faculdade Estácio, Faculdade Paraíso do Ceará, Faculdades Integradas Rio Branco, FURB - Universidade Regional de Blumenau, IFES, IFPR, IFRS, IFSC, IME, Instituto Federal Catarinense Campus Videira, Instituto Federal de Goiás, Instituto Federal de Mato Grosso, IPEA, IPT, ITA, PUCPR, PUCRS, SENAC, SENAC/RS, UDESC, UECE, UENP, UESPI, UFABC, UFAM, UFBA, UFCG, UFF, UFMA, UFMG, UFMT, UFPI, UFPR, UFRGS, UFRN, UFRJ, UFPE, UFSC, UFSE, UFSM, UFU, UnB, UNESP, UniCEUB, Unibalsas, Unicamp, UNIFACS , UNIJORGE, UNIMEP/FATEC, Uninove, UNISINOS, Unisul, UNIVALI, Universidade Católica de Brasília, Universidade Cruzeiro do Sul, Universidade do Estado de Mato Grosso, Universidade Estadual de Maringá, USP e UTFPR.

Como referência, os Estados Unidos possuem uma iniciativa que lista "Centros de Excelência" acadêmica em "Information Assurance" publicada em http://www.nsa.gov/ia/academic_outreach/nat_cae/institutions.shtml

Vale também mencionar que no Brasil existem instituições de governo, como a Escola Superior de Redes da RNP e o CERT.BR e empresas como a Clavis, que possuem cursos úteis, inclusive online - para treinamento de profissionais que atuam na área.

Outras informações:
Com o objetivo de orientar o desenvolvimento de políticas públicas na área de segurança cibernética, a SAE lança a publicação “Desafios Estratégicos para a Segurança e Defesa Cibernética” com artigos e propostas de curto e médio prazo para a administração federal. A publicação visa fazer com que o país estabeleça práticas de prevenção e combate às invasões digitais, que crescem a cada dia.
  • O "Center for Strategic and International Studies" publicou uma análise (PDF) entitulada "Cybersecurity and Cyberwarfare - Preliminary Assessment of National Doctrine and Organization" onde são delineados os esforços de dezenas de países (da Albânia ao Zimbabwe) na área de CiberSegurança e CiberDefesa.
Aos interessados em se atualizar sobre Segurança e Defesa Cibernética", seguem vários artigos - recheados de informações e links - publicados aqui no blog com assuntos relevantes. Além disto, aproveito para fazer propaanda do meu twitter - que é bastante ativo em novidades sobre temas relevantes ao assunto.
Como contribuição, segue algum material sobre treinamento na área já publicado por aqui:

Tuesday, February 11, 2014

Campanha de espionagem "Careto / The Mask" e o Brasil


Hoje a Kaspersky divulgou um relatório descrevendo uma campanha de ataque persistente e avançada (APT) utilizando métodos relativamente sofisticados, denominada "Careto" / "The Mask" - as análises preliminares indicam que a autoria possívelmente foi de um país e não de um grupo criminoso, hactivistas ou hobistas. O Brasil é um dos países atacados.

Antes de mais nada, sobre os "Advanced Persistent Threats": prefiro definí-los como ataques continuados, utilizando amplos recursos (tempo e dinheiro), e claramente direcionados. O direcionamento somado aos amplos recursos de tempo resulta na persistência, e o direcionamento somado a muito dinheiro permite ao atacante desenvolver (ou adquirir) métodos diferenciados de infecção, bypass, delivery, comando e controle e roubo de informações. Por isto os atores por trás deste tipo de ataque são normalmente considerados países. Neste tipo de situação, as defesas tradicionais - configuradas de forma a evitar ameaças genéricas - são inúteis.

Vale a pena lembrar que não se trata de algo inédito, ou mesmo incomum. Nos últimos 10 anos (com clara intensificação nos últimos 5), cerca de 30 (TRINTA) longas campanhas de Ameaças Persistentes e Avançadas (APTs) foram analisadas e divulgadas, entre elas: Byzantine Haydes, Titan Rain, Rep Wolf, Ghost Net, Aurora, Shadow Net, Stuxnet, Shady RAT, Duqu, Gauss, Nitro, Flame, Taidoor, Shamoon, Elderwood, RedOctober, Icefog, APT1, Beebus, etc.. E estou listando apenas as campanhas conhecidas e "nomeadas", fora as que ainda não foram descobertas e/ou divulgadas..

Voltando ao "Careto" ou "The Mask" (ativo desde 2007):

Além da possível detecção dos binários utilizados, várias mitigações e detecções em outros "domínios", como no Backbone, na Rede, no Email, nos Gateways, em servidores DNS, Proxies e também Endpoints são possíveis e precisam ser desenvolvidas e implementadas.

Na Apura nós acreditamos nisto e buscamos desenvolver tecnologias e capacidades, além de buscar parcerias - idealmente com transferência de tecnologia - para tornar este objetivo uma realidade palpável às empresas públicas e privadas do Brasil.

A tarefa não é simples, especialmente porque além de desenvolver processos e técnicas de deetcção e reação a este tipo de ataque, é necessário aceitar que a forma como nos defendemos hoje não é suficiente. ou mesmo aceitável. Sobre este assunto, recomendo o material que o governo da Austrália preparaou sobre o assunto: Estratégias para mitigar intrusões direcionadas.

Caso você seja responsável pela segurança de uma organização que foi ou poderia ser alvo de uma campanha como estas, dê uma olhada na lista presente no link acima e perceba que a grande maioria não requer necessariamente grandes investimentos ou novas tecnologias, e sim um foco no que realmente importa ao invés de seguir fórmulas e receitas de investimento de recursos (novamente tempo e dinheiro) em tecnologias comoditizadas e ineficientes como Firewalls, IDS e Anti-vírus:
  1. Whitelisting de Aplicações
  2. Patching de Aplicações
  3. Patching de Sistemas Operacionais
  4. Minimizar os usuários com permissões administrativas locais ou de domínio
  5. Desabilitar contas de administrador locais
  6. Autenticação de múltiplos fatores
  7. Segmentação e segregação de redes
  8. Firewall de Aplicação em Estações de trabalho para negar tráfico 'entrante'
  9. Firewall de Aplicação em Estações de trabalho para negar tráfico 'sainte'
  10. Sistema Virtualizado não persistente para atividades arriscadas como leitura de email e navegação na internet.
Para conhecer as outras 25 estratégias, veja o post original sobre o assunto.

Voltando para as informações divulgadas sobre o "Careto / The Mask" - seguem alguns trechos relevantes do paper lançado pela Kaspersky sobre o assunto (65 páginas):

http://www.securelist.com/en/downloads/vlpdfs/unveilingthemask_v1.0.pdf

' What makes “The Mask” special is the complexity of the toolset used by the
attackers. This includes an extremely sophisticated malware, a rootkit, a bootkit, 32-and 64-bit Windows versions, Mac OS X and Linux versions and possibly versions for Android and iPad/iPhone (Apple iOS).

The Mask also uses a customized attack against older versions of Kaspersky Lab products to hide in the system, putting them above Duqu in terms of sophistication and making it one of the most advanced threats at the moment. This and several other factors make us believe this could be a nation-state sponsored campaign.

When active in a victim system, The Mask can intercept network traffic, keystrokes,

Skype conversations, PGP keys, analyse WiFi traffic, fetch all information from Nokia devices, screen captures and monitor all file operations.

The malware collects a large list of documents from the infected system, including encryption keys, VPN configurations, SSH keys and RDP files. There are also several extensions being monitored that we have not been able to identify and could be related to custom military/government-level encryption tools.

Based on artifacts found in the code, the authors of the Mask appear to be speaking the Spanish language.'

During our research, we observed the following exploit websites:

- linkconf.net
- redirserver.net
- swupdt.com

The malware is digitally signed with a valid certificate (since 2010) from an unknown or fake company, called TecSystem Ltd

Full list of stolen files extensions:

*.AKF,*.ASC,*.AXX,*.CFD,*.CFE,*.CRT,*.DOC,*.DOCX,*.EML,*.ENC,*.GMG,*.GPG,*.HSE,*.KEY,*.M15,*.M2F,*.M2O,*.M2R,*.MLS,*.OCFS,*.OCU,*.ODS,*.ODT,*.OVPN,*.P7C,*.P7M,*.P7Z,*.PAB,*.PDF,*.PGP,*.PKR,*.PPK,*.PSW,*.PXL,*.RDP,*.RTF,*.SDC,*.SDW,*.SKR,*.SSH,*.SXC,*.SXW,*.VSD,*.WAB,*.WPD,*.WPS,*.WRD,*.XLS,*.XLSX

Inside the main Careto binaries there is a CAB file with two modules - 32 and 64-bit.
shlink32.dll
shlink64.dll

The malware extracts one of them depending on the system architecture and installs it as "objframe.dll".

Inside the backdoor there are three executable files, once again, packed with CAB and having the .jpg extension:
dinner.jpg
waiter.jpg
chef.jpg.

The attackers call the more sophisticated malware SGH. We discovered the attackers trying to install multiple plugins for it.

Also we have found traces of lateral movement tools, such as a module for Metasploit with the “win7elevate” artifact. '

O Apêndice 1 do relatório da Kasperksy nos oferece uma lista de indicadores de comprometimento (IOCs) que podem ser utilizados para verificar se máquinas e redes foram afetadas pela campanha. 

"
Filenames:

%system%\objframe.dll
%system%\shlink32.dll
%system%\shlink64.dll
cdllait32.dll
cdllait64.dll
cdlluninstallws32.dll
cdlluninstallws64.dll
cdlluninstallsgh32.dll 
cdlluninstallsgh64.dll 
%system%\c_50225.nls
%system%\c_50227.nls
%system%\c_50229.nls
%system%\c_51932.nls
%system%\c_51936.nls
%system%\c_51949.nls
%system%\c_51950.nls
%system%\c_57002.nls
%system%\c_57006.nls
%system%\c_57008.nls
%system%\c_57010.nls
%system%\cdgext32.dll
%system%\cfgbkmgrs.dll
%system%\cfgmgr64.dll
%system%\comsvrpcs.dll
%system%\d3dx8_20.dll
%system%\dllcomm.dll
%system%\drivers\wmimgr.sys
%system%\drvinfo.bin
%system%\FCache.bin
%system%\FFExtendedCommand.dll
%system%\gpktcsp32.dll
%system%\HPQueue.bin
%system%\LPQueue.bin
%system%\mdwmnsp.dll
%system%\rpcdist.dll
%system%\scsvrft.dll
%system%\sdptbw.dll
%system%\slbkbw.dll
%system%\skypeie6plugin.dll
%system%\wmspdmgr.dll
%temp%\~DF01AC74D8BE15EE01.tmp
%temp%\~DF23BF45A473C42B56.tmp
%temp%\~DFA0528CD81300F372.tmp
%temp%\~DF8471938479DA49221.tmp 
%appdata%\microsoft\c_27803.nls
%appdata%\microsoft\objframe.dll
%appdata%\microsoft\shmgr.dll

Registry keys:
[HKLM\Software\Classes\CLSID\{E6BB64BE-0618-4353-9193-0AFE606D6F0C}\InprocServer32]

C&C and exploit staging server IPs:

190.10.9.209 
190.105.232.46 
196.40.84.94 
200.122.160.25 
202.150.211.102
202.150.214.50 
202.75.56.123 
202.75.56.231 
202.75.58.153 
210.48.153.236 
223.25.232.161 
37.235.63.127 
75.126.146.114 
81.0.233.15 
82.208.40.11 
62.149.227.3
75.126.146.114

Domains and hostnames:

nthost.shacknet.nu
tunga.homedns.org
prosoccer1.dyndns.info
prosoccer2.dyndns.info
nav1002.ath.cx
pininfarina.dynalias.com
wqq.dyndns.org
pl400.dyndns.org
services.serveftp.org
sv.serveftp.org
cherry1962.dyndns.org
carrus.gotdns.com
ricush.ath.cx
takami.podzone.net
dfup.selfip.org
wwnav.selfip.net
fast8.homeftp.org 
ctronlinenews.dyndns.tv
mango66.dyndns.org
gx5639.dyndns.tv
services.serveftp.org
*.redirserver.net
*.swupdt.com
*.msupdt.com
*.appleupdt.com

*.linkconf.net
"

Muitos outros detalhes podem ser vistos no relatório original da Kaspersky (PDF)

Vale lembrar que apesar deste caso - especialmente no que tange o bypass de soluções de anti-vírus - o malware foi considerado mais "avançado" que o Flame e o Duqu, não significa - necessariamente - que todo ataque bem sucedido é sofisticado. A persistência e o direcionamento muitas vezes são mais importantes para o sucesso neste tipo de campanha que quantos "0days" ou novas técnicas de bypass de proteções de sandbox e memória foram utilizadas..

Em uma primeira leitura do relatório, percebe-se que o Brasil é o segundo país com mais "IPs infectados" pelo malware, atrás apenas do Marrocos. Esta análise foi feita a partir do registro de "debug" de vários servidores de comando e controle do malware. Quando o que foi avaliado foram as novas conexões únicas (por ID de máquina) a sinkholes recentes que receberam conexões direcionadas a servidores de C&C, da Kaspersky - o resultado é diferente: Cuba e Espanha são os países com mais "vítimas". Uma possível conclusão é que a infraestrutura de espionagem do "Careto" já foi muito utilizada para monitorar alvos no Brasil, mas não recentemente.

Dito isto, o que podemos fazer? Além da adoção de grande parte das estratégias citadas no início deste artigo, é fundamental que o governo brasileiro, com apoio da academia e da iniciativa privada, busque ATIVAMENTE entender a real extensão desta (e de outras) campanhas deste tipo. Até mesmo porque muito além do vazamento de informações sensíveis (inclusives secretas / estratégicas), a maior ameaça está na possível alteração e até mesmo destruição física - especialmente em infraestruturas críticas como usinas, hidrelétricas, aeroportos, etc.

Report e download de um dos samples "The Mask" disponíveis publicamente no momento (via Malwr):

https://malwr.com/analysis/MGZlYjQ0OTBjOGQ0NDBmYzgwODJiNTBhNzVkMGU2MGY/


FILE SIZE345480 bytes
FILE TYPEPE32 executable (GUI) Intel 80386, for MS Windows
MD55cfd31b1573461a381f5bffa49ea1ed6
SHA10081e20b4efb5e75f9ce51e03b2d2d2396e140d4
SHA25619e818d0da361c4feedd456fca63d68d4b024fbbd3d9265f606076c7ee72e8f8
SHA51206d45ebe50c20863edea5cd4879de48b2c3e27fbd9864dd816442246feb9c2327dda4306cec3ad63b16f6c2c9913282357f796e9984472f852fad39f1afa5b6b
CRC32A210FDD8
SSDEEP6144:Szbcv49dLbVfOTAlsQrxvWGY5Kbt6FfrrkEoSdEBSkqFzDdj0lMGYk:d6/OTAlsQsGAKbt6hXkEoSgtqFzhj0lz


Dropped File:

FILE NAMEshmgr.dll
FILE SIZE114688 bytes
FILE TYPEPE32 executable (DLL) (GUI) Intel 80386, for MS Windows
MD596aee2389c325343f6db3be500a8a962
SHA17c30dc5d96023a1aa018921b4f01e98960992cb9
SHA25602ae1226b817cf2a7022b2d5c934f26a46233d822f2bfe3a488c885ff1121c4e
CRC32B3141A56
SSDEEP3072:60aBz3pbanFnyRc2A8DHjAQlZcmJ7IYXn1:60aBz3MFuc+HjA1y

O binário listado acima possui uma taxa de detecção no Virustotal de apenas 4 anti-virus no dia 10/02/2014 Panda, Kaspersky, Bkav e Symantec.

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