Evil Maid Attack - Ataque da Camareira Malvada
Muitas vezes a consciência da insegurança é melhor do que a falsa sensação de segurança. Como vocês sabem, a frequente atualização é um pré-requisito para qualquer profissional de Segurança da Informação. São tantas novidades, papers, apresentações, notícias e outras fontes de informação interessantes que nem sempre conseguimos testar e validar rapidamente todas as informações a que somos expostos diariamente. Por isto, muitos assuntos interessantes acabam ficando em um "TO DO" list guardado em algum lugar...
Um destes assuntos que estava encalhado há alguns meses (e que tive a oportunidade de conhecer / testar mais aprofundadamente durante o carnaval) foi o ataque à implementações de Criptografia de Discos - Full Disk Encryption) publicado pela Joanna Rutkowska em seu blog em Outubro do ano passado. O que me chamou a atenção foi a facilidade do ataque descrito. Como vocês verão abaixo, realmente é muito simples..
O próprio nome da técnica "Evil Maid Attack" - ou numa tradução livre "Ataque da Camareira Malvada" já é por si só interessante e indica claramente a necessidade de acesso físico ao computador (ou no mínimo ao disco) onde a tecnologia de Full Disk Encryption está sendo utilizada. Vale a pena ressaltar que outras implementações de FDE , além do TrueCrypt, também são vulneráveis ao mesmo ataque.
Antes de mais nada, vamos fazer uma breve introdução sobre a tecnologia de Full Disk Encryption - cada vez mais utilizada por empresas e pessoas preocupadas com as informações guardadas principalmente em computadores portáteis.
Segue a entrada da Wikipedia sobre o assunto (tradução livre minha):
O termo "full disk encryption" é usado quando todos os dados presentes em uma mídia digital são criptografados, incluindo o caso de programas que criptografam partições "bootáveis" de sistemas operacionais. Mas para funcionar eles precisam deixar o master boot record (MBR) - e portanto parte do disco - descriptografado.Vale também ressaltar que existem as tecnologias de hardware-based full disk encryption e hybrid full disk encryption que podem criptografar o disco inteiro de boot, incluindo a MBR.
O TrueCrypt é uma aplicação GPL que trabalha com os algorítimos AES-256, Serpent, e Twofish. Eles são fortes o suficiente para sobreviver à ataques de força bruta, mas E SE o atacante não estiver preocupado em fazer isto, e sim em obter a sua passphrase?
Isto posto, vamos à descrição e algumas fotos que fiz do ataque sendo executado em um notebook que possui a última versão do TrueCrypt com Full Disk Encryption instalado:
Primeira fase: um atacante tem acesso físico ao computador, insere o pendrive USB já contendo a imagem da ferramenta bootável e em cerca de um minuto, os 63 setores do disco são copiados para o pendrive e o o loader do TrueCrypt presente na MBR é infectado:
Segunda fase: Depois da utilização do computador pelo usuário, basta bootar o computador mais uma vez via USB e a informação que foi digitada pelo usuário - que já foi capturada pela alteração da função do TrueCrypt que pergunta pela passphrase: AskPassword( ) - é mostrada na tela, conforme pode ser visto abaixo:
Game Over.
Vale a pena ressltar que o atacante não precisa necessariamente ter acesso físico à máquina para efetuar a segunda fase - caso a implementação do ataque envie as informações via internet para o atacante, ao invés de salvar temporariamente a informação no disco atacado.
Algumas sugestões de mitigações - usar uma Ferramenta de Full Disk Encryption com suporte a chips TPM - Trusted Platform Module podem ser bypassadas por ataques mais sofisticados - como o que comentamos aqui aqui em junho de 2008: "Cold Boot Attack" - que é capaz de identificar e recuperar a chave criptográfica utilizada direto de um dump da memória RAM congelada. Para os mais paranóicos, o segredo é garantir que seu notebook não caia - nem mesmo temporariamente - em mãos erradas =)
O FAQ do TrueCrypt discorda da sugestão de mitigação acima:
The only thing that TPM is almost guaranteed to provide is a false sense of security (even the name itself, "Trusted Platform Module", is misleading and creates a false sense of security). As for real security, TPM is actually redundant (and implementing redundant features is usually a way to create so-called bloatware). Features like this are sometimes referred to as security theaterPara os que usam tecnologias de Full Disk Encryption TrueCrypt / PGP / BitLocker / etc, repito a primeira fase do post: Muitas vezes a consciência da insegurança é melhor do que a falsa sensação de segurança. Resumindo: se um atacante sofisticado teve acesso físico ao seu computador - possivelmente ele não é só seu daí em diante... Por isto a única mitigação garantida é uma excelente segurança física.
Esta contribuição tratá benefícios em investigações envolvendo computadores em que o suspeito esteja usando Full Disk Encryption – mediante obviamente uma autorização judicial diferenciada de 'busca e apreensão' de computadores - o que certamente aumentará substancialmente a qualidade das informações disponíveis durante o processo de aquisição/coleta de evidências.
Mais detalhes sobre o ataque e sobre a ferramenta: veja o post da Joanna. Para os interessados, o código fonte do infector está disponível.


