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Friday, April 27, 2012

Hotmail e Skype - falhas de segurança e privacidade

Podemos dizer que esta semana não foi uma das melhores do ponto de vista da Segurança e Privacidade para os produtos online da Microsoft.


1) Hotmail:


Uma falha no processo de reset de senha no Hotmail foi descoberta em 6 de julho e informada à Microsoft no dia 20. Em resumo, o reset do hotmail utiliza um sistema de tokens que não são validados de forma adequada, o que permitiu que qualquer usuário pudesse resetar a senha de qualquer conta! 


Depois de muita divulgação da falha, incluindo vídeos no Youtube com o passo a passo necessário para resetar qualquer conta do Hotmail, a falha  foi corrigida ontem, sem muito estardalhaço por parte da Microsoft. 


Mais infomações: "Microsoft patches major Hotmail 0-day flaw after apparently widespread exploitation" - http://arstechnica.com/microsoft/news/2012/04/microsoft-patches-major-hotmail-0-day-flaw-after-apparently-widespread-exploitation.ars

2) Skype:


Sabemos que o Skype é uma aplicação P2P, mas o senso comum é que a não ser que você faça uma transferência de arquivo, um usuário não pode saber qual é o seu IP externo (e menos ainda o interno!).   



Um grupo de desenvolvedores responsável por uma versão "open-source" do Skype (http://skype-open-source.blogspot.com) divulgou ontem um "how to" de como instalar uma versão que foi disseminado no pastebin ("Skype user IP-address disclosure http://pastebin.com/rBu4jDm8") e no twitter no dia de hoje. 



Pois bem - hoje um desenvolvedor russo pediu ajuda para testar um novo serviço online que ele estava testando, utilizando os dados já publicados anteriormente sobre a "vulnerabilidade": http://news.ycombinator.com/item?id=3899829


O resultado: o serviço está no ar, e funcionando: http://skype-ip-finder.tk/


O usuário do Skype deve estar logado no momento da query, e o resultado vai conter todos endereços IPs externos e internos de todos os dispositivos do usuário que estiverem logados no Skype, obtidos a partir do wrapper em python desenvolvido pelo russo "zhovner". 



Detalhes:

Perform obscure ip lookup for online skype account.Can find local and remote ip address.Based on deobfuscated Skypekit runtime that write clear debug log
Esta falha, somada a facilidade de buscar por um nome no diretório no Skype, deve ser considerada e usuários que pretendem omitir seu IP (e por consequência localização física) devem evitar utilizar o serviço até que haja uma correção por parte da Microsoft/Skype.



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Sunday, March 7, 2010

Criptografia: Ataques RSA 768 e 1024 bits & FRED-SC




[ Update - 07/03/2010 ]


Pesquisadores da Universidade de Michigan divulgaram um ataque bem sucedido (*) a criptografia RSA 1024 bits - para mais detalhes, veja o paper publicado (PDF).
"The RSA algorithm gives security under the assumption that as long as the private key is private, you can't break in unless you guess it. We've shown that that's not true," said Valeria Bertacco, an associate
professor in the Department of Electrical Engineering and Computer Science, in a statement.

Since 1977, RSA public-key encryption has protected privacy and verified authenticity when using computers, gadgets and web browsers around the globe, with only the most brutish of brute force efforts (and 1,500 years of processing time) felling its 768-bit variety earlier this year. Now, three eggheads (or Wolverines, as it were) at the University of Michigan claim they can break it simply by tweaking a device's power supply. By fluctuating the voltage to the CPU such that it generated a single hardware error per clock cycle, they found that they could cause the server to flip single bits of the private key at a time, allowing them to slowly piece together the password. With a small cluster of 81 Pentium 4 chips and 104 hours of processing time, they were able to successfully hack 1024-bit encryption in OpenSSL on a SPARC-based system, without damaging the computer, leaving a single trace or ending human life as we know it. That's why they're presenting a paper at the Design, Automation and Test conference this week in Europe, and that's why -- until RSA hopefully fixes the flaw -- you should keep a close eye on your server room's power supply.

Outros detalhes: http://rdist.root.org/2010/03/08/attacking-rsa-exponentiation-with-fault-injection/

(*) For whatever reason, the OpenSSL programmers decided to retry with fixed-window exponentiation and trust that since there were no published fault attacks for it, they didn’t have to validate its result (...) This was a nice attack but nothing earth-shattering. The only thing I was floored by (yet again), was the willingness of crypto implementers to perform unsafe operations in the face of an almost certain attack. Shame on OpenSSL.
A RSA demorou, mas respondeu de forma quase realista =) :

(...) Bottom line, FBARA does not report an attack against the RSA algorithm. It describes a hardware-based attack. This essentially induces computational faults by manipulating the power supply on the target device. The resulting faulty output means that it is possible to extract a private RSA key.
The real-world applications of this are limited since it requires physical access to a device operating OpenSSL (or at least to its power supply). Since OpenSSL typically executes on a server (and not something like a smartcard or a light device or consumer device), the attacker would probably have to overcome significant physical obstacles to get to the target. (...)

Para informações em português, leia: http://www.crkportugal.net/?p=892

[ Post Original - 08/01/2010 ]

1) Fatoracao RSA 768 bits

A vasta maioria da criptografia utilizada hoje depende de números enormes (algo maior de 200 dígitos) que sejam resultado do produto de outros dois números primos. É possível criptografar e descriptografar dados a partir do conhecimento dos números. E - se você não os sabe e precisará fazer um ataque de força bruta, é bom que você tenha tempo livre, muitos computadores a disposição e muita paciência e conheça muita gente como você (espere... esta parece ser a perfeita descrição da condição de pesquisadores acadêmicos! =).

Pois então, em um paper (pdf) divulgado a apenas algumas horas atrás, um grupo de pesquisadores anunciou a fatoração de um módulo 768 bit RSA em 12 de dezembro de 2009 e aproveitaram para recomendar que se deixe de usar criptografia RSA 1024 bits dentro dos próximos 3 anos. O paper é leve e tem até link para o Youtube usando o filme Bastardos Inglórios do Tarantino para a hora do "Bingo".

Bem, na verdade é leve até um momento, quando você possivelmente vai dar alguns page-downs por não querer sobrecarregar seus neurônios tentanto compreender as descrições teóricas das fórmulas matemáticas utilizadas durante o processo =)

Mas, o que isto significa, afinal? Bem, não é fácil para um humano imaginar um número de 232 dígitos. Para ajudar, segue o número:

12301866845301177551304949583849627207728535695953347921973224521517264
00507263657518745202199786469389956474942774063845925192557326303453731
54826850791702612214291346167042921431160222124047927473779408066535141
9597459856902143413

e os fatores (multiplicadores primos) encontrados:

33478071698956898786044169848212690817704794983713768568912431388982883793878002287614711652531743087737814467999489 
X 
36746043666799590428244633799627952632279158164343087642676032283815739666511279233373417143396810270092798736308917
Este número de 232 dígitos não foi escolhido a esmo, ele estava em uma lista de desafios da RSA já desativada.

O que acontence é que a com o tempo a dificuldade de quebra é reduzida com o aumento exponencial de velocidade dos processadores. (Moore´s Law). E pode ser ainda mais rápida com as novidades da utilização dos processadores gráficos (GPU), ou computação CUDA e/ou outros multiplos aceleradores gráficos integrados (ou 200 video-grames PS3, como no caso da colisão de hashes MD5 usados em certificados SSL que comentamos aqui há exatamente um ano atrás).

Para informações old-school - vá direto ao MIT do ano de 1978, quando Rivest, Shamir e Adleman - futuros RSA- publicaram o célebre documento "A Method For Obtaining Digital Signatures And Public Key Cryptosystems" (pdf).


2) FRED-SC

Aproveitando o assunto criptografia, e sendo muito comum em análises forenses nos depararmos com documentos criptografados, vale a notícia de um fabricante de hardware especializado para forense computacional que anunciou há poucos dias que está comercializando servidores com múltipas GPUs gráficas prontos para o trabalho de quebra especializada de senhas.

Trata-se da Digital Intelligence, que já fornece o sistema Fred-SC, que vem com quatro placas de vídeo NVIDIA GTX-295 customizadas para funcionar em paralelo (cada placa tem dois GPUs em um total de 1920 processadores!)

Isto possibilita uma velocidade de processamento MONSTRUOSO obviamente para aplicações especialmente construídas para este fim. Por exemplo, este sistema já vem embarcado com a ferramenta da empresa russa Elcomsoft chamado "Distributed Password Recovery (EDPR)" - e a licença permite que este sistema pode ser utilizado em até 20 servidores FRED-SC em paralelo.

Além de possibilitar uma maior eficiência em ataques de força bruta e dicionário, este poder computacional todo conseguir calcular rainbow tables para gerar hashes pré-calculados de forma rapidíssima.

Para deixar bem claro o tamanho da evolução (e também para entender porque dizem que o processamento com múltiplos GPUs explodiu com a lei de Moore), dê uma olhada nos gráficos comparativos de quebra de senha de arquivos do Office 2007, Vista e Win7 (NTLM) e Unix (MD5) em um sistema versus o "Fred-SC" da Digital Intelligence.

Exemplos:

Senhas do Vista (NTLM): CPU Quad-Core stand-alone: 177 mil senhas por segundo.
Senhas do Vista (NTLM): FRED-SC stand-alone: 3.9 bilhões de senhas por segundo.

Senhas do Linux (MD5): CPU Quad-Core stand-alone: 219 mil senhas por segundo.
Senhas do Linux (MD5): FRED-SC stand-alone: 5.3 bilhões de senhas por segundo.

Seguem os tipos de aplicações que são os "alvos-ideais" para trabalhos de quebra de senha com o FRED-SC + EDPR (todos otimizados / acelerados para GPU):

- Microsoft Word/Excel/PowerPoint/Project 2007 (.DOCX, .XLSX, .PPTX, .MSPX)

- PGP disks with conventional encryption (.PGD), whole disk encryption.

- Windows NT/2000/XP/2003/Vista logon passwords (LM/NTLM)

- Windows DCC (Domain Cached Credentials) passwords (password recovery).

- MD5 hashes (plaintext recovery).

- WPA and WPA2 passwords (password recovery).

[ Update - 31/12/2010 ]

Na BlackHat 2010 será apresentado um server capaz de processar "280 DES decryptions per second! permitting the full 56-bit key space to be searched in 3 days" Mais informações aqui.

Friday, July 3, 2009

Falso Positivo em AntiVírus da Mcafee faz estrago


Estamos mais do que acostumados com falso-negativos por parte de anti-vírus, mas quando o problema são os falso-positivos, o estrago pode ser maior.

Como todos sabem, a indústria de AV está investindo cada vez mais em novas tecnologias de análise heurística, pois blacklisting não é suficiente. Mas e quando alguém "erra a mão" e binários normais de sistema do windows são identificados como ameaça?

Foi o que aconteceu hoje com o update DAT 5664 da Mcafee. Mais informações aqui, aqui e aqui. Blue Screen of Death (BSOD) pra todo lado... Tome cuidado, caso você use (ou seja responsável) por anti-vírus da Mcafee, teste este DAT com cuidado antes de aplicá-lo em seu ePO.

Monday, January 5, 2009

Forjando certificados SSL que utilizam o MD5


O tema da virada do ano foi o ataque demonstrado por Alexander Sotirov et al que mostra a necessidade de se deixar de utilizar o algorítimo de hashes criptográficos MD5 em mais uma aplicação: PKI, ou Public Key Infrastructure (slides PDF) / (site SSL prova de conceito)

A implicação mais óbvia é a utilização desta vulnerabilidade em ataques de phishing/pharming mais sofisticados (combinados com ataques de DNS possibilitariam a um atacante a falsificação quase perfeita (e talvez o tunelamento do acesso do cliente através de um site forjado) de instituições de comércio eletrônico e personal banking (https://)

Há quem argumente que não é de grande impacto a notícia, porque o usuário comum simplesmente clicaria em "Add Exception" no Browser quando um ataque similar é feito com um certificado SSL não forjado, mas as implicações são ainda mais sérias neste caso, tanto é que a Verisign estará substituindo gratuitamente para seus clientes os certificados que ainda utilizam o MD5...

Segundo os pesquisadores, além da aplicação da colisão de hashes MD5, o ataque foi possível porque a Verisign e outras (RapidSSL, FreeSSL, TrustCenter, RSA Data Security, Thawte, verisign.co.jp):
  • ainda utilizavam (até dias atrás) certificados com assinaturas criadas utilizando MD5 (caso você seja responsável por certificados SSL em uma PKI interna, verifique também... )
  • automatizam as solicitações de certificados
  • não verificam solicitações anômalas
  • permitem a previsão da combinação entre número de série e validade do certificado
  • não limitam o tamanho da cadeia de certificados
Ou seja, uma melhor aplicação do velho e bom conceito de "segurança em profundidade" teria evitado o sucesso do ataque demonstrado, mesmo que a vulnerabilidade existisse.

Vale lembrar que o MD5 tem um crescente histórico de identificações de vulnerabilidades que possibilitaram esta prova de conceito.

Segundo a Netcraft, 14% dos sites que usam SSL utilizam o MD5 como algoritimo de hash.

Estas duas extensões para Firefox podem auxiliá-lo a detectar se o site HTTPS que você está acessando usa certificados que utilizam MD5:
Além disto, recentemente foi disponibilizado um módulo para o metasploit framework que pode varrer o endereçamente interno da sua empresa e identificar se existem certificados que precisam ser trocados:

Uma lista de referências sobre o assunto segue abaixo:

Um outro detalhe interessante é que para parte da computação necessária para o sucesso do ataque, foram utilizados os cores SPU do processador "Cell" de um cluster de mais de 200 videogames Playstation 3.

Thursday, October 2, 2008

Skype Chinês - Você está sendo vigiado... e suas conversas estão disponíveis na Internet!


Sabe-se que o programa Skype possui criptografia 128 bits (ou melhor) - qual a alternativa então para monitoração de conteúdo de mensagens de texto/conversas de audio ?

Solução encontrada pelo governo chinês: manter no software (antes de criptografar a mensagem a ser enviada e depois de descriptografar a mensagem recebida) uma lista (atualizável) de palavras chaves como "comunismo", "vou sair do partido","leite em pó", "democracia", "Tibet" - e capturar o conteúdo das conversas que contiverem estas palavras, guardando-as em servidores do "Tom-Group".

Apesar de já ser público que o programa Skype desenvolvido em parceria pelo Tom Group para os chineses (wikipedia: "TOM-Skype client has built in trojan capabilities used by the Chinese government for censorship")

Foi publicado hoje por Nart Villeneuve um paper chamado "Breaching Trust - An analysis of surveillance and security practices on China’s TOM-Skype platform" - onde detalhes do funcionamento da espionagem do Skype Chinês são publicados - e coisa pior, como são mal guardados os dados capturados (inclusive com a chave de descriptografia no mesmo servidor!!)

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