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Tuesday, May 28, 2013

Roubo de Informações de empreiteiras militares norteamericanas - Vazamento de Informações e DLP - como abordar este desafio



[ Update: 28/05/2013 ]

Mais de 4 anos depois de nosso artigo original, vem a confirmação do vazamento de vários projetos militares que causaram um prejuízo bilionário aos Estados Unidos. A China é mais uma vez acusada de ser responsável pelos ataques que possibilitaram o vazamento das informações de projetos de defesa.

A lista de empreiteras militares americanas possivelmente afetadas cresce a cada dia: Boeing, Lockheed Martin, Raytheon, Northrop Grumman.

Abaixo uma tradução livre do texto original do Washington post, citando uma autoridade militar norteamericana:

"Em muitos casos, eles (as empreiteiras militares) não sabem que eles foram invadidos até o FBI bate à sua porta. São bilhões dólares de vantagem de combate para a China. Eles pouparam 25 anos de pesquisa e desenvolvimento. É loucura."

[ Post Original: 23/04/2009 ]

Várias áreas dentro de uma empresa (pública ou privada) se preocupam - ou deveriam se preocupar - direta ou indiretamente com os efeitos de vazamentos de informações: Segurança de Informações, Auditoria, Anti-Fraude, Risco, Recursos Humanos, Governança e Compliance - para citar algumas.

O princípio é simples: evitar que informações estratégicas e/ou valiosas da empresa caiam em mãos erradas, diminuindo a lucratividade e a credibilidade da empresa. Alcançar um controle sobre este processo, porém, é uma tarefa muito difícil.

Se fosse fácil, não veríamos tão frequentemente notícias como a publicadas nesta semana pelo Washington Post: dados sensíveis do projeto do mais moderno jato da força aérea americana de 300 bilhões de dólares - o F-35 Lightning II fighter - foram obtidos por atacantes ainda não identificados (mais aqui e aqui). Segundo os repórteres do Washington Post e Wired, as informações vazadas possibilitam a um adversário se defender melhor do jato e estudar as suas vulnerabilidades.

Virtualmente todas as normas regulatórias de compliance como Sarbanes Oxley, PCI, HIPAA, Basiléia e GLBA exigem que as empresas tenham controle sobre suas informações sensíveis.

Estar compliance com estas regulações é apenas o começo, e obviamente não garante que você esteja imune a problemas de vazamento de informações - conforme a HeartLand aprendeu. O maior vazamento de números de cartões de crédito da história aconteceu em uma empresa que era "PCI Compliant".

Um vazamento de informações no âmbito corporativo pode ser igualmente temível, seja porque informações estratégicas irão voar para as mãos de um competidor, ou informações financeiras de clientes podem estar sendo obtidas por fraudadores - como no caso da HeartLand.

Há um ano atrás, escrevemos sobre o desafio em implementar com sucesso soluções de "Prevenção"/Proteção de Vazamento de Informações (DLP) em ambientes complexos.

O primeiro difícil passo continua sendo a de classificação adequada de informações. [ Em um levantamento feito pelo TCU em 2007, foi identificado que 80% dos órgãos do executivo analisados não fazem nenhuma classificação da informação ]. O cenário infelizmente não é muito diferente nas empresas privadas brasileiras.
Para conseguir iniciar um processo de classificação de informações é necessário conhecer/ classificar e controlar profundamente o estado e as alterações em suas aplicações e dados críticos. O visionário Dan Geer coloca sabiamente [tradução livre]:
  • Se você não sabe nada, 'permit-all' é a única opção;
  • Se você sabe algo, 'default-permit' é o que você pode/deve fazer;
  • Se você sabe tudo, somente aí o 'default-deny' se torna possível.
Alguém sabe tudo? Com relação à prevenção de perda de dados sensíveis, saber tudo inclui:
  • saber quais dados são sensíveis; e
  • conhecer profundamente o ciclo de vida de todas suas informações sensíveis; e
  • controlar e monitorar o acesso, leitura e escrita destas informações durante todo o seu processamento dentro da empresa; e
  • desde a geração da informação, considerando todos sistemas que geram input para formar estas informações; e
  • também no processamento da informação em todos os sistemas internos e externos, além de workstations clientes envolvidas daí em diante; e
  • no momento de descarte desta informação, seja em forma de papel jogado fora (triture!) ou em máquinas antigas (faça wipe!) que estão sendo doadas; e
  • na guarda autorizada desta informação em todas os possíveis lugares por onde ela trafega (servidores, banco de dados, intranet, workstations, notebooks, rede, etc..); e
  • na maneira com que os colaboradores tratam estas informações (reunião com fornecedores via MSN?, Que tal disponibilizar um arquivo grande via P2P); e
  • no momento do desligamento de um colaborador, que informações críticas ele leva junto?;
  • na detectção da presença não autorizada desta informação em workstations, pen-drives, impressoras, sites externos, etc (DLP - data at rest) ; e
  • na detecção do tráfego não autorizado destas informações em redes não autorizadas ou para a internet (DLP - data in motion); e
  • monitorar toda a internet por possíveis informações da sua empresa que possam estar indevidamente disponíveis.
Como você pode perceber, a tarefa é muito difícil, virtualmente impossível se considerarmos e adversários bem preparados e devidamente motivados contra informações que trafegam em uma empresa complexa, com múltiplos fornecedores e clientes e alto grau de conectividade e de compartilhamento de informações.

Para abordar este desafio, além da tradicional abordagem de segurança em profundidade, existem três tipos de tecnologia de DLP (Data Loss Prevention/Protection):
  • Data at Rest (para identificação das informações de dados gravados - ou apagados - em HDs)
  • Data in Motion (para identificação das informações em trânsito internamente e saindo da empresa)
  • Data Classification (auxilia a classificação dos dados críticos)
As tecnologias de DLP (também chamadas de Data Leak Prevention, Information Leak Detection and Prevention (ILDP), Information Leak Prevention (ILP), Content Monitoring and Filtering (CMF) e Extrusion Prevention System) utilizam várias técnicas para análise de conteúdo como palavras-chave, dicionários e expressões regulares e geram relatórios ou alertas que podem se integrar a uma solução de correlacionamento de eventos (SIEM).

Para mais informações, seguem alguns links de fornecedores de soluções de DLP e similares:
Outra referência é um livro muito interessante que fala sobre sobre o assunto: Network Extrusion Detection do Richard Bejtlich.

Para uma referência de casos de vazamento de informações, um site muito interessante que mantém um histórico é o datalossdb.org.

Saturday, February 18, 2012

FBI: Programador Russo Roubou Código Secreto da Goldman Sachs


[ Update - 18/02/2012 ]

Brechas em sistemas + brechas na lei = impunidade? Isto vale também para os Estados Unidos - a prisão do desenvolvedor da Goldman Sachs que roubou código secreto da instituição financeira foi revertido na justiça.

Mais detalhes: "Goldman Sachs Code-Theft Conviction Reverse" http://www.wired.com/threatlevel/2012/02/code-theft-conviction-reversed/


[ Update - 19/03/2011 ]

Em um caso prático de monitoração de vazamento de informação confidencial bem sucedido, finalmente chega ao final o julgamento do programador russo (naturalizado americano) Sergey Aleynikov. A sentença foi de 8 anos e um mês de prisão.
O desenvolvedor copiou vários códigos proprietários responsáveis por transações sofisticadas no mercado de ações - que eram consideradas segredo comercial pela Goldman Sachs.

Ele assumiu ter copiado o código, mas alegou que estava coletando software "open-source" que ele tinha desenvolvido, e que o trabalho proprietário do banco GoldMan Sachs havia sido copiado por engano (entre outros lugares, para um servidor de hospedagem na Alemanha).

Sergey faturava U$ 400.000 anuais na Goldman Sachs e foi abordado em 2009 pelo FBI quando desembarcava - com o código proprietário em seu notebook - para conversar com um novo empregador, que pagaria o triplo.

No post original sobre o assunto, abaixo - mais detalhes sobre o caso.

Para uma leitura de como a utilização de tecnologias como DLP e outras medidas podem auxiliar a identificar este tipo de situação, siga o link a seguir: http://www.software.co.il/wordpress/2011/01/using-dlp-to-protect-your-source-code/

Mais informações:
[ Post Original - 06/07/2009 ]


Através da monitoração de tráfego suspeito https, a corretora de valores Goldman Sachs conseguiu detectar e comprovar a cópia ilegal de código secreto de sua plataforma de transações financeiras feita por um programador russo naturalizado americano.

Pela leitura da acusação feita pelo FBI (pdf), pode-se verificar o benefício de uma série de controles de segurança implantados pela Goldman Sachs que apoiam sobremaneira o tratamento de incidentes como este, de vazamento de informações confidenciais:
  • Monitoração de tráfego com direção à internet, e revisão das transferências criptografadas, como https.
  • Controle de acesso físico por andar, com crachás personalizados
  • Travamento de Desktop por inatividade
  • Registro e guarda das informações de acesso remoto (logs de VPN).
  • Gravação das ações efetuadas em estações e servidores linux/unix (bash history, demais logs)
Mais informações no Threat Level da Wired, no DarkReading e na Reuters.

Friday, June 12, 2009

T-Mobile: Invasão e leilão de dados internos



Uma
mensagem foi recentemente postada na lista de segurança Full Disclosure pelo hacker não identificado "pwnmobile" informando o vazamento de informações críticas da empresa de celular T-Mobile, incluindo a lista com detalhes de mais de uma centena de servidores de produção internos, além de "bancos de dados, documentos confidenciais, scripts and programas dos servidores e documentos financeiros até 2009".

E isto não é o pior - depois de tentar vender as informações para concorrentes, o hacker agora está fazendo um leilão das informações que roubou.

A empresa já se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Depois de negar qualquer invasão, mudou o discurso confirmando o vazamento de dados e informa que não houve comprometimento de dados de consumidores. Além disto, a companhia disse que o formato dos dados divulgados é igual a um documento interno (possivelmente da área t.i responsável de administração de servidores) que pode ter vazado.

Será interessante acompanhar o desenrolar deste caso para avaliar:
  1. Como serão as investigações relacionadas ao vazamento das informações internas
  2. Como o hacker reagirá as investigações da empresa e da polícia: publicará ainda mais dados obtidos ou será preso antes?
  3. Como as atuais soluções de DLP (data loss prevention) ajudariam a "prevenir" o ocorrido?

Wednesday, February 18, 2009

Dicas para Gerenciar Segurança durante a Recessão


[ 18/02/2009 - Update ]

O assunto de priorização de esforços em segurança devido à crise está em alta: desta vez um artigo na SearchSecurity de Eric Ogren aponta 4 maneiras de priorizar programas de segurança em uma ecnonomia ruim - abaixo uma tradução livre dos pontos e meus comentários:

I. Apoie projetos que tragam novas fontes de receitas

Na área de Segurança isto é difícil de acontecer, mas é possível - alguns exemplos são vendas de produtos/serviços de segurança para usuários (no caso de empresas como Provedores de Acesso e Conteúdo). O Eirc Ogren cita serviços de segurança que apoiam iniciativas de serviços on-the-cloud.

II. Proporcione uma maior economia através da tecnologia

O autor cita serviços de Controle de Configuração e Auditoria de uso de Máquinas Virtuais, mas achei este ponto um pouco forçado no que diz respeito à segurança de informações.

III. Atenda aos requerimentos mandatórios de compliance

Se sua empresa está sujeita à regras de compliance (SOX, Basiléia, PCI, etc..) - é claro que você tem que priorizar estas demandas, pois o efeito de não se validar neste tipo de auditoria externa pode ser devastador para uma empresa, ainda mais em tempos de crise.

IV. Substitua produtos que não estão atendendo (performance baixa)

Na minha opinião deveria ser o ítem "I" , assim como a lista que a CSO publicou (reproduzido no post original abaixo) possui como primeiro ítem "Priorize baseado em risco/recompensa". Aqui mais uma vez o candidato é a sua solução possivelmente ineficaz de IDS/IPS.


Alguns dos pontos colocados podem levantar discussões sobre métricas em segurança, e retorno de investimento ("ROI") em segurança.

É um desafio que se enfrentado apoiará as decisões em épocas de crise: como medir a efetividade de um controle de segurança? O sucesso atual da solução de segurança é suficiente para garantir um (re)investimento?

[ 10/02/2009 - Post Original]

Depois de alguns meses de agonia, parece que chegamos à um concenso sobre o declínio da taxa de crescimento econômico mundial - ou seja, estamos em recessão e o Brasil será atingido - talvez não por um tsunami, mas certamente também não por uma "marolinha", como disse o presidente.

Nestes tempos de vacas magras, é necessário priorizar os gastos e medir bem os esforços em novos investimentos. Na área de Segurança da Informação, a realidade não é diferente.

Alguns estudos recentes mostraram que:

1. Os ataques utilizando a internet devem aumentar devido à crise.

2. O prejuízo associado ao abuso interno por parte de funcionários/terceiros tem crescido substancialmente.

3.
Os empregos de segurança foram pouco afetados até o momento. Alguns detalhes no último report do SANS sobre o o assunto.

Os itens acima certamente têm motivações e efeitos relacionados. Boa parte dos alertas relacionados no item 1. pode ser interpretada como FUD (Fear, Uncertainty & Doubt) - para garantir um bom quinhão de investimentos em tecnologias de segurança.

Hoje um artigo da CSOOnline traz 5 dicas para Gerenciamento de Segurança em uma recessão - seguem os pontos e meus comentários:

I - Priorize baseado em risco/recompensa.

Do que vale uma solução antiquada e milhonária de prevenção que só gera falsos positivos por default, e se bem configurada, começa a produzir mais falso negativos que alertas reais (i.e: eu NÃO DISSE IDS/IPS .. =)

II - Tenha o mix certo de pessoas/especialidades no seu time

Os seus Analistas Senior não podem estar executando tarefas repetitivas, eles precisam automatizar o que já existe e pensar em novas formas de combater as ameaças de negócio que tiram o sono de todos os seus chefes.

III - Construa processos passíveis de repetição

Aqui as vantagens são óbvias, a capacidade de gerar métricas, facilidade de treinamento - trata-se de eficiência.

IV - Crie uma estratégia de custos compartilhados otimizada

Existem soluções que resolvem problemas de várias áreas, e por isto estas podem trabalhar juntas para implementá-las. Alguns exemplos de cabeça são: SIEM - correlação de eventos de segurança e DLP - Prevenção de vazamentos de dados (de Host e Rede).

Tanto SIEM quanto DLP atendem à várias necessidades das áreas de Auditoria, Anti-Fraude, Compliance, Risco, Governança, Segurança de Rede, Segurança da Informação e Segurança Patrimonial.

V - Automatize e terceirize sabiamente

O corte de despesas em T.I. inclui sempre programas de outsourcing, fábricas de softwares e outras contratações para diminuir os custos internos e "manter a atenção da empresa em seu core business". Certamente isto inclui riscos que precisam ser considerados e monitorados, ao preço de ganhar eficiência e perder conhecimento / vantagens competitivas (vazamento de informações) ou dinheiro (fraudes).

Tuesday, June 17, 2008

DLP e WAF, porque é tão difícil / Segurança em profundidade




Existem dois 'security buzzwords ' que estão em voga: WAF - Web Application Firewall e DLP - Data Loss Prevention.

Ambos se afastam da visão de proteção da segurança de rede no perímetro: Firewall, IDS/IPS e se voltam para onde as informações críticas - e vários ataques de grande impacto - verdadeiramente se encontram, nas camadas de aplicação (WAF) e dados (DLP).

O maior benefício inicial em utilizar ambas as tecnologias é o auxílio que elas podem trazer à maturidade da cultura de segurança na empresa, pois elas lhe forçarão a encarar alguns sérios problemas de segurança que talvez estivessem passando despercebidos.

É um desafio grande implementar com sucesso tais soluções em ambientes complexos, e a maior dificuldade está em conhecer/ classificar / controlar profundamente as alterações em suas aplicações e dados críticos para que você possa ter o conhecimento necessário para utilizar todo o poder destas ferramentas, conforme o visionário Dan Geer coloca (citado por Jeremiah Grossman) [tradução livre]:

  • Se você não sabe nada, 'permit-all' é a única opção.
  • Se você sabe algo, 'default-permit' é o que você pode/deve fazer.
  • Se você sabe tudo, somente aí o 'default-deny' se torna possível

Seguem alguns links de vendors de DLP/WAF :

- DLP (Verdasys, Symantec/ex-Vontu, TrendMicro/ex-Provill, IronPort)
- WAF (Citrix/ex-Teros, NetContinuum, Imperva)

Veja alguns exemplos recentes da dificudade em implementar com sucesso tais soluções:

Por mais investimento em segurança / classificação de dados / controle de material confidencial que os governos façam, isto não impediu que recentemente projetos americanos de ogivas nucleares fossem parar em notebooks de contrabandistas suíços (Reuters) ou dados de inteligência - obviamente secretos - sobre a rede Al-Qaeda fossem achados em um ônibus na inglaterra. (BBC) . Aqui, além do DLP- que poderia indicar/evitar o vazamento destas informações, deveria ter sido utilizado o 'full disk encryption' - uma tecnologia que possui boas implementações gratuitamente - que evitaria o impacto na confidencialidade das informações.

Pelo lado das soluções de WAF - como comentei ontem, foram encontradas dezenas de falhas exploráveis de Cross Site Scripting em sites importantes do governo americano (incluindo a CIA e a NASA), possivelmente uma solução de WAF bem implementada evitaria que a maioria destes sérios problemas chegassem à mídia.

Como sabemos nenhuma solução é panacéia, e poucas destas darão conta sozinhas de uma simples faceta da segurança da informação. para proteger o investimento ao escolher e utilizar as tecnologias apresentadas pelo mercado em ambientes complexos, uma visão clara de "segurança em profundidade" (ahá, entendeu o motivo do cebolão esquisito aí em cima) é fundamental, e isto inclui (re)conhecer os riscos não mitigados particulares ao seu negócio.


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