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Monday, February 28, 2011

A atenção seletiva e a Resposta a Incidentes Corporativa - parte 2/2


Parte 1:


Parte 2:

Como comentamos no primeiro artigo da série, infelizmente, a maioria das organizaçōes – mesmo as que mais investem em segurança da informação - se limita a simples proteção dos principais ativos e a detecção de ataques já conhecidos e esperados.

O gerenciamento de risco é uma atividade que pretende avaliar o presente e se preparar adequadamente para o futuro. Mais especificamente, a análise de risco operacional e de fator humano são atividades fundamentais para direcionar a decisão executiva de investimentos e o enfrentamento de problemas que envolvem a segurança da informação.

O objetivo do artigo de hoje não é explorar os componentes da equação de risco tradicional. Leia sobre isto em “Risco, Vulnerabilidade, Ameaça e Impacto”. Hoje, vamos falar dos processos de proteção da informação e detecção de incidentes de segurança e discutir sobre a importância da reação adequada a eles. No enfrentamento do risco, o foco costuma estar na correção de vulnerabilidades que foram encontradas e na mitigação dos impactos que já foram previstos. Isto não é suficiente. O foco deve estar nas ameaças.

Um problema comum na geração de métricas e informações durante uma análise de risco é a dependência de checklists, entrevistas e formulários estáticos. Apesar prodzir dashboards impressionantes e apresentações impactantes, esta abordagem não resolverá o problema a que se propôe, e – pior – é capaz de gerar uma falsa sensação de conhecimento e dever cumprido em relação aos riscos a serem enfrentados.

Do ponto de vista tecnológico, testes de invasão (pentests) são úteis para mostrar que os mesmos requisitos que nos fazem competitivos e velozes na atual economia (conectividade, extensibilidade, complexidade), nos fragilizam e podem causar perdas de imagem e financeiras.

Quem já passou por esta experiência, sabe que dois testes de invasão feitos por grupos diferentes de especialistas fornecerão resultados muitas vezes diversos, mostrando a facilidade de exploração de vulnerabilidades reais porém aleatórias dentre as muitas existentes em uma organização. Ou seja, você investirá tempo e dinheiro para corrigir vulnerabilidades existentes, mas exploradas por ameaças fictícias, que podem ou não ser similares aos problemas e explorações reais que atuam em sua organização.

Em outras palavras, saber que alguém pode conseguir “root” em máquinas internas utilizando vulnerabilidades desconhecidas (“0day”) é importante e implementar as contra-medidas necessárias é fundamental. Mas não deixe que esta sensação de vitória o impeça de conhecer as ameaças reais a que você está exposto.

Muitas vezes os bons recursos da área de segurança da informação que trabalham em grandes organizações ficam tão fascinados com as maravilhas técnicas que envolvem o mercado de vulnerabilidades, pentests e exploração de 0days que se esquecem que estão ali para proteger o negócio.

A existência de um processo ou tecnologia de proteção para a última exploração "0day" pode ser menos importante que entender quem são e como atuam os adversários, muitas vezes silenciosos, que roubam informaçōes e recursos da sua organização.

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Uma organização moderna precisa ser capaz de responder a incidentes de segurança que tenham sido detectados ou notificados por áreas internas ou externas. E é durante este enfrentamento que o conhecimento sobre as ameaças reais que prejudicam o negócio deve emergir.

Esta situação ocorre de forma acelerada quando impacto de imagem de um incidente de segurança é maior - como depois de uma desfiguração de um site ou quando há um vazamento público de informações internas. Costuma ser mais fácil priorizar ações de contenção e reação nestes casos.

Porém, é necessário perceber que muitas vezes seus adversários reais usam técnicas menos elaboradas, mas que aproveitam as brechas nos procedimentos e a boa-fé (engenharia social) de pessoal interno. Isto sem contar a ameaça constante vinda dos usuários privilegiados, que estão acima das monitorações tradicionais. Estas fontes de ameaça podem gerar impactos instantâneos menores, mas causam um prejuízo contínuo e menos perceptível.

Esta situação é muito prevalente e se manifesta de forma diferenciada dependendo da vertical de atuação da organização (fraude financeira interna, roubo de informações de clientes, vazamento de know-how). O objetivo de nossos adversários podem ser diversos, mas os mais bem sucedidos costumam preferir co-existir com nossas medidas de segurança tradicionais e atuar de forma invisível, causando perdas frequentes e imperceptíveis ou mesmo perdas tão grandes que inviabilizam o próprio negócio.

Para piorar a situação, a maioria das organizações nem chega a investir em mecanismos de detecção adequados. Dentre as poucas que investem, a maioria se limita a aspectos puramente tecnológicos e frequentemente se perde na configuração adequada destes e diante da quantidade de registros a monitorar e da dificuldade de identificar ações indevidas e que ferem as regras de negócio da organização.

Outro fator a considerar é que a complexidade inerente de nossos negócios, a conectividade que nos aproxima de clientes e fornecedores e a extensibilidade das nossas tecnologias - somadas ao aumento da competição entre empresas e governos - resulta em uma crescente superfície de exposição e eleva o "apetite ao risco" nas organizaçōes modernas.

A falta de visibilidade da eficiência (métricas) das medidas de proteção e detecção (como firewalls, IDS/IPS, anti-virus e congêneres) pode ser resultado de decisões estratégicas de implementação que deveriam nos proteger. Um exemplo é o conceito de "segurança em camadas" ou “segurança em profundidade”. Sua utilização é importante, mas facilita a co-existência de tecnologias antiquadas e/ou mal implementadas.

Teoricamente, uma solução deve funcionar caso a outra não atue ou falhe. Assim a responsabilidade pela ineficiência destas iniciativas fica diluída - até que uma "nova solução" de proteção ou detecção seja implementada. Este ciclo vicioso tende a se manter – a não ser que a organização seja capaz de reagir adequadamente, buscando a autoria e a materialidade de evidências que possam vir a ser utilizadas em processos internos ou externos de identificação e punição dos responsáveis.

Mesmo as equipes mais preparadas estão tão preocupadas em monitorar as vulnerabilidades conhecidas que simplesmente não enxergam ou não sabem como reagir quando um incidente inesperado de alto impacto ocorre diante dos seus olhos. Uma situação que lembra a experiência de atenção seletiva presente no vídeo do primeiro artigo da série.

Os esforços de proteção e detecção são importantes, mas é fundamental perceber que nunca conseguiremos prever o que os nossos inimigos, internos ou externos, irão fazer. Infelizmente os nossos adversários sabem o que a maioria das empresas faz para se proteger e estão preparados para explorar isto.

Sabemos que - na maioria das vezes - o fraudador ou cibercriminoso que visa ganhos financeiros é bem sucedido quando coexiste com as medidas de proteção da organização que ataca. Frequentemente, ele se preocupa em voar abaixo do radar de detecção (muitas vezes óbvio) inimigo.

A vantagem do atacante sobre o defensor no domínio cibernético é tão grande que esta situação pode ser comparada a um jogo de xadrez em que seu adversário já sabe suas duas ou três próximas jogadas. Se você se preparar extremamente bem, ganhará de adversários medianos (ataques comuns). Mas nem o Kasparov e Deep Blue juntos são capazes de vencer um adversário que fez seu dever de casa (ataques internos ou de adversários avançados – exemplo: China vs Google).

O crime organizado lucra cada dia mais aproveitando a miopia dos responsáveis pela segurança em diferentes níveis e organizações pelo mundo. O despreparo e incapacidade de reação das empresas e órgãos públicos e a falta de legislação adequada construiram um ambiente perfeito para a proliferação e profissionalização de nossos adversários. A equação “risco-recompensa” favorece o atacante.

Por isto, a organização precisa estar preparada para responder mesmo quando não foi capaz de detectar a ameaça. Este é o caso quando a notificação é externa (judicial, parceiros, mídia), ou interna (serviços de denúnica anônima, RH). Idealmente, os registros de sistemas, sessões de rede relacionadas e resultados de investigações devem ser preservados adequadamente para que uma ação de reação adequada possa buscar a identificação da autoria, materialidade, causa-raiz e demais esclarecimentos necessários.

A regulamentação é importante. Mas sobram exemplos de empresas que passaram por auditorias de compliance com as regulamentações PCI/DSS ou Sarbes Oxley e logo depois sofreram um incidente de segurança que demonstrou a fragilidade de sua postura de segurança no tocante a identificação e preparação para uma persecução criminal adequada.

As ameaças que afetam o negócio da organização precisam ser prontamente identificadas e combatidas. Sem a adequada melhoria na reação ao cibercrime - em todos os níveis (técnico, gerencial, legal, governamental) e em todas as esferas (desde a corporação até a persecução transnacional) – a vantagem, que já é dos nossos adversários, continuará a crescer.

Outro problema a ser considerado é a distância do mindset das àreas internas de Tecnologia da Informação / Segurança da Informação e das áreas de Governança/Auditoria/Risco/Anti-fraude. Este é um inimigo interno muito comum para um enfrentamento adequado das ameaças reais que afetam uma organização.

Além disto, um erro comum cometido por organizações modernas não está na tecnologia, mas na falta de investimento na rastreabilidade e capacidade de comprovação de autoria das ações ilícitas que ocorrem em suas redes.

A importância da aplicação de punições está documentada desde a antiguidade e remonta ao Código de Hamurabi, que foi escrito em 1700 AC. Um adequado investimento na capacidade de rastreabilidade e punição dos responsáveis pode evitar novos ataques por “mandar uma mensagem” que afeta a equação risco-recompensa dos criminosos.

Os dashboards, documentos executivos e apresentações de impacto, relacionados ao risco real a que a organização está exposta, pode ser gerados a partir da fase post-mortem do tratamento de incidentes reais que a empresa enfrenta em seu dia-a-dia. Através de uma reação reação apropriada, podemos aplicar a máxima “Conheça seu inimigo”.

No ano 400 AC, o General chinês Sun Tzu, já sabia disto:

"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas" (A Arte da Guerra).

Nos próximos artigos, iremos aprofundar a discussão através da apresentação de algumas tecnologias que auxiliam as empresas a manter o foco nas ameaças reais, melhorando a rastreabilidade, auditoria e investigação de ações ocorridas em seus sistemas.

As tecnologias de reação às atividades ilícitas e ao cibercrime que serão apresentadas ser divididem em dois grupos:

1 – Soluções de Consciência Situacional de Registros de Sistemas (1.1) e Rede (1.2);
2 – Soluções de Aquisição e Análise de Evidências Stand Alone (2.1) e Remotas (2.2);

Como características básicas, o primeiro grupo precisa ser capaz de guardar dados que indiquem que uma violação ou crime ocorreram, mesmo quando eles não foram adequadamente detectados pelas soluções tradicionais.

O segundo grupo de soluções precisa primar pela guarda adequada das evidências coletadas, para que estas possam servir de comprovação de autoria e materialidade da prova em um possível caso trabalhista, cível ou penal.

Até o próximo artigo,


Techbiz Forense Digital

Friday, February 5, 2010

Fornecimento de informações no combate ao cibercrime – investigação em redes corporativas




Uma situação interessante ocorre durante uma investigação policial, quando nos deparamos - através de respostas dos provedores de serviços de internet (PSI) ou de conteúdo (PSC) - que o endereço IP do computador usado para cometimento do delito está alocado para uma empresa, universidade ou outro órgão que possui uma rede de computadores administrada internamente.

São diversas as ocasiões em que contatamos, com a devida ordem judicial, o suposto administrador da rede responsável e fomos informados que não  haveria como repassar a informação correta de qual computador e/ou usuário partiu o acesso criminoso. Às vezes sequer a empresa tem um administrador de rede, - terceirizando os serviços - o que torna o trabalho, resguardado pelo sigilo, ainda mais difícil.

Embora possa a empresa - leia-se "setor jurídico" - pensar que em alguns casos não há obrigatoriedade de fornecimento destes dados às autoridades, esse atendimento às determinações judiciais é necessário. O exemplo das diversas regulamentações nos EUA - como a da indústria de cartão de crédito (PCI - Payment Card Industry), a de empresas com ações na bolsa americana (SOX - Sarbanes Oxley), dentre outras - forçaram empresas brasileiras a se preparar adequadamente para este tipo de solicitação, também atendendo aos ditames da CF/88 e leis esparsas, principalmente a Lei 9.296/96, que trata dentre outros assuntos dos dados telemáticos. Nesta situação, a responsabilidade de prestar informações passa a ser dos executivos das empresas, que investem pesadamente para se adequar a esta nova realidade - que acaba refletindo em melhorias de segurança nos departamentos de T.I.

Uma abordagem simples e comumente adotada é a implementação de servidores centralizados para armazenagem de registros importantes (ou logs). Em muitas empresas com uma maior maturidade de segurança este sistema evolui naturalmente para soluções mais avançadas de correlação de eventos de segurança (SIEM/SEM) ou similares.

Uma preocupação e pré-requisito básico  para a correta utilização de tais tecnologias é a utilização um servidor central de tempo (NTP) corporativo, que possibilita que todas os computadores e sistemas da empresa estejam sincronizados no horário oficial de Brasília - evitando assim enganos na atribuição de responsabilidade de delitos quando estes registros são fornecidos à polícia e/ou à justiça para serem utilizados durante uma investigação. Por existirem várias configurações no formato de resguardo de logs, o importante é que quando esses dados sejam repassados às autoridades haja um tutorial específico de leitura e/ou que eles venham adaptados para fácil leitura.

Nestas empresas mais maduras - seja por necessidade de adequação à regulamentações específicas, seja por maturidade da disciplina "segurança da informação" - existem mais recursos humanos e de tecnologias disponíveis e normalmente é muito fácil conseguir os registros de acesso e identificar a máquina utilizada. Munidos destas informações, dos logs de acesso e de conteúdo e/ou, ainda, das imagens do sistema fechado de circuito de TV, em inúmeros casos é possível encontrar o autor do delito. 

Porém, pelas próprias características de conectividade da Internet, há um grande impacto negativo no processo investigativo quando não existem quaisquer dados ou informações disponíveis a respeito do uso de computadores em uma rede corporativa. Muitas vezes este problema acaba levando ao fechamento de investigações importantes - e em outros casos pode ser necessário reiniciá-la, utilizando outras técnicas (até porque o “ser humano é um animal de hábitos” e, espera-se, deve cometer algum erro na sua sequência criminosa).

Dito isto, é fundamental que tanto os administradores de sistemas quanto os advogados responsáveis pelo setor jurídico da empresa, agindo de acordo com uma política de uso aceitável adequada, resguardem corretamente os registros (logs) necessários ao correto repasse de informações solicitadas pelas autoridades. Agindo assim estará garantido o resguardo da empresa, pois pode ocorrer de ser ela acionada civilmente para a recomposição de danos, quando, então, poderá chamar ao processo o “colaborador criminoso”, eximindo-se da reparação civil.

Exemplos de registros importantes a se resguardar em uma rede corporativa:
- Registros de conexões VPN - que podem atribuir o IP externo responsável pelo acesso feito através da rede corporativa.

- Registros de servidores de Proxy - que podem indicar o usuário, endereço interno e computador responsável por acesso a sites externos à empresa.

- Registros de atribuição de endereços IP dinâmicos (DHCP) - que podem indicar o hostname que possuia um IP interno em uma data e hora específicas.

- Registros de utilização de sistemas de mensagens que possam ser utilizados para cometimento de delitos. Exemplos: Fórum, Wiki, Listserv.

- Outros possíveis exemplos são os logs de WINS (resolução Windows), NAT (tradução de endereços), FIREWALL (filtro de pacotes) e Active Directory.
 

Coincidentemente - logo após a publicação deste post - o Anton Chuvakin publicou em seu ótimo blog uma hierarquia de maturidade quanto ao registro e processamento de logs de segurança - conforme pode ser visto no gráfico reproduzido no início deste artigo - vale a pena conferir.
Para empresas que lidam com registros que são base usual de solicitações judiciais, como grandes provedores de acesso e conteúdo - e também instituições financeiras –existem soluções corporativas como a Centera-Compliace-Plus, da EMC, que utiliza discos com a tecnologia WORM (Write Once Read Many) para garantir a integridade das informações guardadas e para facilitar a cadeia de custódia dos dados que são fornecidos à Justiça / Polícia.
Do ponto de vista normativo e regulatório, serve como modelo de  referência o projeto de lei de cibercrimes que tramita (há dez anos!) no Congresso Nacional - que em seu estágio atual, propõe:
Art. 22. O responsável pelo provimento de acesso a rede de computadores mundial, comercial ou do setor público é obrigado a:

I – manter em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de três anos, com o objetivo de provimento de investigação pública formalizada, os dados de endereçamento eletrônico da origem, hora, data e a referência GMT da conexão efetuada por meio de rede de computadores e fornecê-los exclusivamente à autoridade investigatória mediante prévia requisição judicial;

II – preservar imediatamente, após requisição judicial, outras informações requisitadas em curso de investigação, respondendo civil e penalmente pela sua absoluta confidencialidade e inviolabilidade;

III – informar, de maneira sigilosa, à autoridade competente, denúncia que tenha recebido e que contenha indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público incondicionado, cuja perpetração haja ocorrido no âmbito da rede de computadores sob sua responsabilidade.

§ 1º Os dados de que cuida o inciso I deste artigo, as condições de segurança de sua guarda, a auditoria à qual serão submetidos e a autoridade competente responsável pela auditoria, serão definidos nos termos de regulamento.

§ 2º O responsável citado no caput deste artigo, independentemente do ressarcimento por perdas e danos ao lesado, estará sujeito ao pagamento de multa variável de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) a cada requisição, aplicada em dobro em caso de reincidência, que será imposta pela autoridade judicial desatendida, considerando-se a natureza, a gravidade e o prejuízo resultante da infração, assegurada a oportunidade de ampla defesa e contraditório.

§ 3º Os recursos financeiros resultantes do recolhimento das multas estabelecidas neste artigo serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, de que trata a Lei nº 10.201, de 14

Sandro Süffert, Consultor em Segurança e Forense Computacional e responsável pelo Blog SSegurança
 
Emerson Wendt, Delegado de Polícia Civil do Rio Grande do Sul e responsável pelo Blog do Emerson Wendt 


Friday, January 1, 2010

01/01/2010 - OISF Suricata, Into The Boxes, Visa OTP e Classificação de Ameaças do WASC


2010 está movimentado! Seguem algumas novidades interessantes do primeiro dia do ano:
  • A "Open Information Security Foundation" acaba de lançar a primeiríssima versão pública do SURICATA - um novo conceito em IDS open source que pretende revolucionar o mercado! O meu grande amigo e ex-colega de trabalho Breno Silva Pinto trabalha ativamente como desenvolvedor do projeto OISF - que é fundado pelo DHS americano. Entre as funcionalidades do Suricata, estão: Multi-Threading
    Automatic Protocol Detection (HTTP,TLS,FTP, and SMB). HTTP Gzip Decompression, Standard Input Methods, Unified2 Compatibility, Flow Variables e HTTP Logging Module.
  • Harlan Carvey e Don Weber lançaram um Magazine Online chamado Into the Boxes (pdf) sobre Forense e Resposta a Incidentes - os assuntos tratados nesta edição são: 1 - a chave de registro UserAssist e suas mudanças no Win 7 e 2008 R2 (incluindo link para download da ferramenta User Asssit do Diddlier Stevens); 2 - Análise de Memória usando o utilitário crash no Linux RedHat; Dicas como não jogar fora o adaptador SATA->USB daquele seu disco externo antigo; cuidados ao usar o FTK Imager; Entrevista sobre PCI com o Carvey.
  • Nova geração de cartões VISA terá KeyPad, LCD e gerador de 'one time password' - Falando em PCI, tecnologia similar já é usada na Holanda há anos e deve diminuir sensivelmente a fraude online para os portadores deste tipo de cartão.
  • A versão 2.0 do Threat Classification do WASC (Web Application Security Consortium) foi publicada - até o momento objetivo estão classificados 33 categorias de ataques como Cross-Site Scripting, Buffer Overflow, Remote File Inclusion e 15 vulnerabilidades como Improper Input Handling e Information Leakage - que podem levar ao comprometimento de um site, seus dados e seus usuários.

Tuesday, November 18, 2008

Preparação / Procedimentos em alto nível para suspeita de vazamento de dados por comprometimento de um servidor

Pergunta: Quais seriam os Procedimentos (incluindo a preparação) em alto nível para tratar um incidente de suspeita de vazamento de dados por comprometimento de um servidor?

Este assunto foi suscitado no ótimo blog "Resposta a Incidentes e Forense Computacional".

Segue minha resposta (incluindo links) - e já com a correção (F-Response e não F-Secure...) feita pelo Tony:

Para responder de uma maneira mais completa ao problema proposto, o ideal é que a equipe de resposta a incidentes responsável possa contar com 3 tipos de soluções, listadas por ordem de importância para o caso em pauta:

I - Uma infra-estrutura de "Network Forensics" que seja capaz de reconstruir e fazer o "replay" dos pacotes relacionados ao ataque (ex: NetWitness NextGen / CA Network Forensics)

II - Uma solução de SIEM/SEM para correlacionamento em near-real time dos logs (firewall, roteadores, servidor comprometido, ids/ips, dhcp, dns, aplicações internas, catracas de acesso, sistema de ponto, controle de acesso lógico, etc) (ex: ArcSight / ISM Intellitatics / Symantec SIM)

III - Uma solução (idealmente enterprise) de forense computacional que possibilite a análise de dados voláteis (incluindo memória) e de disco (ex: Encase Enterprise / F-Response / AccessData Enterprise )

IV - Uma ferarmenta de monitoração de atividade de desktops (ex: SpectorCNE, WorkExaminer) [item incluído em 18/10/2009]


Friday, October 3, 2008

Edição de Outubro da INSECURE MAGAZINE

Apesar do excesso de propagandas, a Insecure Magazine é uma excelente leitura, como sempre, nesta edição de Outubro/2008 - além dos temas fixos (sugestões de livros, notícias, eventos, destaques de softwares e videos) existem artigos sobre os seguintes temas:

  • Segurança da Informação e Segurança de Rede na Europa hoje
  • Segurança em Navegadores Web
  • Análise passiva de tráfego com NetworkMiner
  • Lynis - introdução à auditoria de sistema Unix
  • Vulnerabildiades em Drivers Windows - METHOD_NEITHER
  • Removendo armoring de executáveis
  • Inseguranças em programas de proteção da privacidade
  • Uma abordages proativa para vazamento de informações
  • Compliance não é Segurança mas é um bom começo
  • Desenvolvimento seguro de aplicações WEB
  • Evitando ataques sem comprometer a segurança
  • O risco dos insiders
  • Segurança de aplicação para empresas - como balancear o uso de revisão de códigos e firewalls de aplicação para compliance PCI
  • Segurança de Aplicação Web - um negócio arriscado?

Thursday, August 7, 2008

Presos os hackers responsáveis pelos maiores roubos de números de cartões de crédito (incluindo TJX)

Depois de 3 anos da intrusão inicial e 1 ano e meio da divulgação do incidente pela TJX, o Departamento de Justiça americano divulgou que em conjunto com forças da lei de vários países foram presas 11 pessoas, entre elas 3 americanos, um estoniano, 3 ucranianos, um chinês e um bielorusso (incluindo um informante do serviço secreto americano).

Eles foram os responsáveis pelo maior roubo de números de cartão de crédito da história da internet: o da empresa americana TJX (que foi um grande motivador para a criação do padrão/auditoria "PCI - Payment Card Industry Data Security Standard") .

O total de cartões de crédito afetados pela quadrilha somente na TJX chega a mais de 40 milhões (cerca de 12 milhões de MasterCards e 25 milhões de cartões Visa) . Sem dúvida trata-se do maior caso de roubo de identidades já descoberto/divulgado.

Interessante notar que a empresa TJX divulgou que percebeu que haviam sido roubados números de cartões de crédito em janeiro de 2007, mas investigações indicaram que as primeiras intrusões ocorreram no ano de 2005. Algumas prisões já haviam ocorrido em 2007, mas todas relacionadas aos receptadores dos dados, desta vez foram presos os responsáveis pelas invasões e distribuição dos números de cartões de crédito.

A informação confirma que redes wireless de várias empresas (TJX, BJ’s Wholesale Club, OfficeMax, Boston Market, Barnes & Noble, Sports Authority, Forever 21 e DSW) foram inicialmente exploradas pelos hackers que depois conseguiram se infiltrar nos sistemas internos das empresas. Veja a anatomia do ataque à TJX.

Os perpetradores posteriormente venderam ou gravaram os números de cartões de crédito para saques em ATM's em uma rede de distribuição que envolvia os seguintes países: Ucrania, Bielorussia, Estonia, China, Philipinas e Tailandia.

Tuesday, June 17, 2008

DLP e WAF, porque é tão difícil / Segurança em profundidade




Existem dois 'security buzzwords ' que estão em voga: WAF - Web Application Firewall e DLP - Data Loss Prevention.

Ambos se afastam da visão de proteção da segurança de rede no perímetro: Firewall, IDS/IPS e se voltam para onde as informações críticas - e vários ataques de grande impacto - verdadeiramente se encontram, nas camadas de aplicação (WAF) e dados (DLP).

O maior benefício inicial em utilizar ambas as tecnologias é o auxílio que elas podem trazer à maturidade da cultura de segurança na empresa, pois elas lhe forçarão a encarar alguns sérios problemas de segurança que talvez estivessem passando despercebidos.

É um desafio grande implementar com sucesso tais soluções em ambientes complexos, e a maior dificuldade está em conhecer/ classificar / controlar profundamente as alterações em suas aplicações e dados críticos para que você possa ter o conhecimento necessário para utilizar todo o poder destas ferramentas, conforme o visionário Dan Geer coloca (citado por Jeremiah Grossman) [tradução livre]:

  • Se você não sabe nada, 'permit-all' é a única opção.
  • Se você sabe algo, 'default-permit' é o que você pode/deve fazer.
  • Se você sabe tudo, somente aí o 'default-deny' se torna possível

Seguem alguns links de vendors de DLP/WAF :

- DLP (Verdasys, Symantec/ex-Vontu, TrendMicro/ex-Provill, IronPort)
- WAF (Citrix/ex-Teros, NetContinuum, Imperva)

Veja alguns exemplos recentes da dificudade em implementar com sucesso tais soluções:

Por mais investimento em segurança / classificação de dados / controle de material confidencial que os governos façam, isto não impediu que recentemente projetos americanos de ogivas nucleares fossem parar em notebooks de contrabandistas suíços (Reuters) ou dados de inteligência - obviamente secretos - sobre a rede Al-Qaeda fossem achados em um ônibus na inglaterra. (BBC) . Aqui, além do DLP- que poderia indicar/evitar o vazamento destas informações, deveria ter sido utilizado o 'full disk encryption' - uma tecnologia que possui boas implementações gratuitamente - que evitaria o impacto na confidencialidade das informações.

Pelo lado das soluções de WAF - como comentei ontem, foram encontradas dezenas de falhas exploráveis de Cross Site Scripting em sites importantes do governo americano (incluindo a CIA e a NASA), possivelmente uma solução de WAF bem implementada evitaria que a maioria destes sérios problemas chegassem à mídia.

Como sabemos nenhuma solução é panacéia, e poucas destas darão conta sozinhas de uma simples faceta da segurança da informação. para proteger o investimento ao escolher e utilizar as tecnologias apresentadas pelo mercado em ambientes complexos, uma visão clara de "segurança em profundidade" (ahá, entendeu o motivo do cebolão esquisito aí em cima) é fundamental, e isto inclui (re)conhecer os riscos não mitigados particulares ao seu negócio.


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