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Sunday, January 23, 2011

For Sale by pOwner - venda de sites .gov e .mil e a certeza da impunidade


[ Update 24/01/2011 ]

O Rafal Los (Wh1t3Rabbit), da HP, publicou uma entrevista feita com o "hacker" responsável pelo site que vende as informações de login e de BD dos sites vulneráveis.
Q: Do you have any ethical problems with exploiting and then profiting from poor security on these sites?
A: "Each vulnerable site i face. I directly email the Web admin. If I see no reply I publish it."
Mais uma vez, a reação a este tipo de incidente é fundamental. Eu já citei este material em outro post, mas vale a pena reforçar a leitura:

Crime is explained by three factors, motive, opportunity and an absence of capable governance or guardianship. An increase in defenses that lowers the effect of any of these factors moves the amount of composite goods that can be obtained by the cybercriminal for any set level of criminal activity. The rational choices made by agents considering criminal actions are decreased through a combination of price policy and benevolence policy. This applies at both a societal level and to individual organizations where increased defenses lower an organizations probability of attack by making their competitors more attractive lower cost opportunities.

[ Post Original 23/01/2011 ]


Há dois dias, a Imperva divulgou que vários sites militares, educacionais e de governo (.mil, .edu, e .gov) que foram comprometidos estavam sendo vendidos abertamente na internet.

O analista que fez a divulgação tomou pouco cuidado ao mostrar evidências de sua alegação - quando vi o post da Imperva, imaginei que mais cedo ou mais tarde isto acabaria sendo divulgado mais amplamente.. e foi o que aconteceu, agora a fonte dos dados já é pública.

Uma pesquisa simples no google com alguns termos que são visíveis na imagem que foi postada ("website hacking" "offers" "services") - dá como primeiro hit o próprio site http://www.srblche.com/ (o site foi removido, mas o cache do google ainda funciona) - que vende o acesso administrativo dos sites que foram invadidos. Ele até divulga um email no Gmail para contato - o que deve facilitar a identificação do responsável pelas autoridades. (Como "tira gosto" o site chega a divulgar detalhes de autenticação de sites menos "preciosos").

A verdade é que o controle administrativo destes sites está sendo vendido abertamente, assim como o conteúdo dos bancos de dados (nomes, emails, telefones, etc..) que já foram capturados e "empacotados" para a venda pelos atacantes..

No post da Imperva pode ser visto que o atacante usou ferramentas automatizadas de verificação de SQL Injection para obter parte das credenciais que são vendidas ilegalmente. Provavelmente ferramentas de força bruta de formulários web tenham sido usados também.

Apesar deste tipo de comércio ser conhecido há anos, é óbvio que o ecosistema do cybercrime está cada vez mais diversificado. O que chama a atenção neste caso é a presunção de impunidade do criador do site, que divulga senhas (de root, de administrador de bancos de dados, de consoles de administração de sites, etc) de sites governamentais e militares - sem nem mesmo achar que há necessidade de login em um fórum underground (como é o modelo mais comum) - Update: ele costumava fazer isto (mas o site é aberto e seus posts estão no cache do google), até ter a idéia de registrar um website.

Um acontecimento semelhante ocorreu no mercado da venda de vulnerabilidades "0-day" em 2005, quando foi anunciada no e-bay a venda de uma vulnerabilidade conhecida do Microsoft Excel - lembram-se disto?

Quanto à exploração de websites mal codificados - isto está longe de ser uma novidade, mas é interessante perceber as diferentes formas de comercializar ilegalmente o material obtido.

Depois da invasão de um site, além da desfiguração/defacement (1) destes, é comum a utilização dos sites com mais visitas para inserção de exploits para distribuição de drive-by downloads (2). Nos sites menos populares, são muitas vezes hospedadas páginas falsas de bancos, arquivos hosts, de configuração de proxy (para redirecionamento de clientes bancários), além de arquivos de configuração e processamento de campanhas de phishing bancário (3), por exemplo.

A venda do conteúdo dos bancos de dados e do controle destes sites "high profile" de forma tão aberta é certamente um sinal dos tempos.. Assim como o caso de ransomware que tratamos em outro post aqui no blog, não são aceitos Mastercard e Visa, nem mesmo o PayPal. Neste caso o método de pagamento de escolha é o "Liberty Reserve".

Os leitores mais atentos vão lembrar do recente Post "10 Curtas" em que é exposta uma situação similar que ocorreu/ocorre no Brasil (bullet "C2C"). Quanto à crescente facilidade de identificação de sites vulneráveis, recomendo um outro post, sobre o Shodan.

Thursday, June 19, 2008

DAM - Database Activity Monitoring

Anteontem escrevi sobre duas soluções de segurança (Web Application Firewalls e Data Loss Prevention) que se afastam do modelo tradicional de segurança de rede e se apresentam para auxiliar a proteger às camadas de aplicação e de dados - e a importância do modelo de segurança em profundidade para aplicar adequadamente os esforços dirigidos ao complexo trabalho de controle das informações críticas dentro de uma empresa.

Ficou faltando citar as diferentes soluções existentes para monitorar/auditar / proteger a atividade ocorrida no nível de Bancos de Dados (DAM). Vamos lá:

Foi divulgado pela Securosis / Sans Institute um excelente estudo das soluções existentes de Monitoração de Atividades em Banco de Dados, nomeado "Understanding and Selecting a Database Activity Monitoring Solution" (PDF).

O documento foi escrito por Rich Mogull, antigo VP de Pesquisas do Gartner, e é patrocinado pelos principais vendors deste nicho: Guardium, Imperva, Secerno, Sentrigo e Tizor.

Segundo o paper, as soluções de DAM - ou de "Monitoração de Atividade em Banco de Dados" têm cinco principais características (além de tirar dos ombros dos Banco de Dados o pesado trabalho de auditoria):

1. capacidade de monitorar e auditar independentemente toda atividade em banco de dados, incluindo atividades do administrador, registrando as seguintes transações:
  • DML - DATA MANIPULATION LANGUAGE (SELECT, UPDATE, INSERT). - sempre.
  • DDL - DATA DEFINITION LANGUAGE (CREATE, ALTER, DROP) - sempre.
  • DCL - DATA CONTROL LANGUAGE (GRANT, REVOKE) - sempre.
  • TCL - TRANSACTIONAL CONTROL LANGUAGE (COMMIT, ROLLBACK) - às vezes.
2. capacidade de armazenar as atividades seguramente fora do BD monitorado.

3. capacidade de agregar e correlacionar atividade de multiplos e heterogêneos DBMSs (Oracle, Microsoft, IBM, ...).

4. capacidade de enforçar segregação de funções em administradores de banco de dados. Semdo que a auditoria deve incluir a monitoração da atividade do DBA, e a solução deve se proteger de possíveis intervenções do DBA como manipulação ou alteração de registros e atividades gravadas.

5. capacidade de gerar alertas baseados em violações de políticas, com a capacidade de monitorar em real time regras pré-configuradas - o que pode ou não ser acoplado perfeitamente com uma solução de SEM/SIEM - Security (Incident) and Event Management - para atender os requisitos internos e auditorias SOX/PCI/etc.

Sobre SIEM... fica para outro post =)

Tuesday, June 17, 2008

DLP e WAF, porque é tão difícil / Segurança em profundidade




Existem dois 'security buzzwords ' que estão em voga: WAF - Web Application Firewall e DLP - Data Loss Prevention.

Ambos se afastam da visão de proteção da segurança de rede no perímetro: Firewall, IDS/IPS e se voltam para onde as informações críticas - e vários ataques de grande impacto - verdadeiramente se encontram, nas camadas de aplicação (WAF) e dados (DLP).

O maior benefício inicial em utilizar ambas as tecnologias é o auxílio que elas podem trazer à maturidade da cultura de segurança na empresa, pois elas lhe forçarão a encarar alguns sérios problemas de segurança que talvez estivessem passando despercebidos.

É um desafio grande implementar com sucesso tais soluções em ambientes complexos, e a maior dificuldade está em conhecer/ classificar / controlar profundamente as alterações em suas aplicações e dados críticos para que você possa ter o conhecimento necessário para utilizar todo o poder destas ferramentas, conforme o visionário Dan Geer coloca (citado por Jeremiah Grossman) [tradução livre]:

  • Se você não sabe nada, 'permit-all' é a única opção.
  • Se você sabe algo, 'default-permit' é o que você pode/deve fazer.
  • Se você sabe tudo, somente aí o 'default-deny' se torna possível

Seguem alguns links de vendors de DLP/WAF :

- DLP (Verdasys, Symantec/ex-Vontu, TrendMicro/ex-Provill, IronPort)
- WAF (Citrix/ex-Teros, NetContinuum, Imperva)

Veja alguns exemplos recentes da dificudade em implementar com sucesso tais soluções:

Por mais investimento em segurança / classificação de dados / controle de material confidencial que os governos façam, isto não impediu que recentemente projetos americanos de ogivas nucleares fossem parar em notebooks de contrabandistas suíços (Reuters) ou dados de inteligência - obviamente secretos - sobre a rede Al-Qaeda fossem achados em um ônibus na inglaterra. (BBC) . Aqui, além do DLP- que poderia indicar/evitar o vazamento destas informações, deveria ter sido utilizado o 'full disk encryption' - uma tecnologia que possui boas implementações gratuitamente - que evitaria o impacto na confidencialidade das informações.

Pelo lado das soluções de WAF - como comentei ontem, foram encontradas dezenas de falhas exploráveis de Cross Site Scripting em sites importantes do governo americano (incluindo a CIA e a NASA), possivelmente uma solução de WAF bem implementada evitaria que a maioria destes sérios problemas chegassem à mídia.

Como sabemos nenhuma solução é panacéia, e poucas destas darão conta sozinhas de uma simples faceta da segurança da informação. para proteger o investimento ao escolher e utilizar as tecnologias apresentadas pelo mercado em ambientes complexos, uma visão clara de "segurança em profundidade" (ahá, entendeu o motivo do cebolão esquisito aí em cima) é fundamental, e isto inclui (re)conhecer os riscos não mitigados particulares ao seu negócio.


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