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Friday, March 7, 2014

Segurança e Defesa Cibernética: Recursos Humanos

[ Última Atualização: 07/03/2014 /  Post Original: 11/10/2011 ]


O maior desafio ao tentar desenvolver capacidades de Segurança e Defesa Cibernética não é técnico, comercial ou processual, e sim humano. Isto é verdade em todos os níveis, desde pequenas empresas, passando por grandes organizações públicas e privadas e incluindo países inteiros.

A diferenciação entre "Segurança" e "Defesa" tem sido definida pela esfera - civil ou militar - das ações  de proteção, detecção ou reação executadas. Porém isto é muito dificultado em um cenário como a Internet, em que a dificuldade de atribuição de responsabilidade é imensa (ver final do post).

O problema é global. Ações de espionagem industrial direcionadas à informações estratégicas e infra-estruturas críticas são os acontecimentos mais comuns nesta esfera. Os Estados Unidos recentemente sugeriu oficialmente uma "pressão diplomática" juntamente com seus aliados na Ásia e Europa, para que os chineses assumam responsabilidade por ações que são contínuas - e documentadas em incidentes como GhostNet, Aurora, Shady Rat, Kneber, Night Dragon, e mais recentemente as ações tomadas públicas pelos vazamentos de Edward Snowden, o caso Careto / The Mask - este últimos dois afetando o Brasil diretamente.

Além disto o desafio político é muito grande - como coordenar iniciativas de resposta e troca de informações sobre ameaças entre forças armadas, empresas públicas e privadas (muitas destas coisas concessões de exploração de infraestruturas críticas).

Uma coisa é certa: mais importante do que adquirir ou desenvolver qualquer tecnologia é conseguir treinar os recursos humanos necessários e priorizar a atenção nas ameaças reais de uma organização. Aos interessados, veja o que mais sobre este tema nestes dois artigos).

Um exemplo da complexidade de se preparar adequadamente para o tema "Segurança Cibernética" 
é o documento Identity & Information Assurance Related Policies and Issuances (pdf) - trata-se de um excelente gráfico que organiza e aponta para os inúmeros textos de regulamentações e guias sobre Segurança da Informação no governo federal norteamericano. 

Se depois de ver este gráfico você ainda não se convenceu da complexidade do assuinto, gostaria de citar um trecho dito pelo guru Dan Geer - que nos lembrou disto durante sua palestra na Source Boston de '08:
Security is perhaps the most difficult intellectual profession on the planet.  The core knowledge base has reached the point where new recruits can no longer hope to be competent generalists, serial specialization is the only broad option available to them.
Para completar as referências sobre a complexidade e a necessidade de formação de mão de obra adequada para operar CiberSegurança e/ou CiberDefesa: A cerca de um ano, uma comissão responsável por assessorar a presidência norteamericana sobre o tema publicou um interessante documento entitulado "A Human Capital Crisis in CyberSecurity" (pdf)

Uma das conclusões do relatório é a seguinte: incluindo todos os profissionais de áreas governamentais (incluindo militares) e civis nos nos Estados Unidos, existem hoje apenas 1000 (mil) profissionais devidamente treinados e habilitados a trabalhar com "CyberSecurity" por lá. Para uma adequada preparação na área de Defesa Cibernética, o estudo indicou uma necessidade atual de 30.000 (30 mil) pessoas.

Enquanto isto, no Brasil:

Dentre as iniciativas feitas até o momento pelo Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), está a previsão de criação da Escola Nacional de Defesa Cibernética (pdf).
Objetivo: "conceber Instituição de Ensino de presença nacional, que tenha como foco formar e capacitar profissionais para exercerem funções específicas na manutenção da defesa cibernética, contribuindo com a segurança cibernética das infraestruturas críticas nacionais, por meio da inclusão da sociedade nas atividades do Setor Cibernético."
Ações Estratégicas: "criar a Escola Nacional de Defesa Cibernética (EsNaDCiber), fomentar a parceria entre a Escola e as instituições de ensino públicas e privadas, fomentar a parceria entre a Escola e entidades públicas e privadas, capacitar profissionais para atuarem na segurança e na defesa cibernética das infraestruturas críticas nacionais, incentivar a participação do MEC e do MCT no aprimoramento do projeto, identificar as melhores práticas no emprego das novas tecnologias de ensino, quantificar as demandas de pessoal a qualificar, identificar competências existentes para atuar no setor, identificar cursos já existentes que atendam às demandas prementes, implementar cursos de demanda premente, visando atender às necessidades de curto prazo, sugerir ao MEC a implementação de ações educacionais de fomento na área de segurança e defesa cibernética."
Video de uma entrevista concedida em fevereiro de 2014, pelo Coronel Luiz Gonçalves , do CDCIBER, sobre a Escola Nacional de Defesa Cibernética:



Existem diversas Universidades que potencialmente podem auxiliar este projeto relacionado à Segurança das Informações e Comunicações: Unb, Unicamp, USP, UFPel, UFSM, ITA, IME, UECE, UFPE  - apenas para citar algumas das mais ativas no setor (* veja update abaixo para uma lista mais completa)

Além disto, diferentes órgãos de governo possuem material humano com expertise para auxiliar a iniciativa: Ministério da Defesa (Exército, Marinha, Aeronáutica), Presidência da República (Secretaria de Assuntos Estratégicos, Agência Brasileira de Inteligência, Gabinete de Segurança Institucional - DSIC/CTIR), Ministério da Justiça (Departamento de Polícia Federal, Procuradoria Geral da República), Ministério do Planejamento, Ministério da Educação (RNP), Ministério de Ciência e Tecnologia (Secretaria de Politica de Informática, Comitê Gestor da Internet no Brasil - CERT.BR).

Listando rapidamente (e não exaustivamente) apenas algumas das diferentes especialidades necessárias para formar e suportar times complexos de cibersegurança. É possível visualizar a dificuldade de contratação (e/ou coordenação) deste grupo de profissionais (aproveito para listar algumas referências profissionais e organizacionais brasileiras com experiência comprovada nas áreas listadas).
  1. Análise de Malware e Engenharia Reversa (Ronaldo Lima, Fábio Assolini, Pedro Bueno, Ranieri Romera, Guilherme Venere, CTI, Febraban, GAS)
  2. Análise de Risco (Módulo, Axur)
  3. Análise de Vulnerabilidades em Hardware (CEPESC, Kryptus)
  4. Conscientização de Segurança (Anderson Ramos, Patrícia Peck)
  5. Correlação de Eventos de Segurança (Luiz Zanardo, Janilson Correia, Daniel Cid)
  6. Criptografia (Routo Terada, José Gondim, ABIN, eSEC)
  7. Desenvolvimento de Exploits / Busca de Vulnerabiliades: Rodrigo Rubira, 
  8. Direito Digital (Opice Blum, Coriolano Camargo, Atheniense, Omar Kaminski, José Milagre)
  9. Resposta a Incidentes (Jacomo Picolini, Klaus Jessen, Cristine Hoepers, CERT.BR, CTIR, APURA)
  10. Forense Computacional (Marco Wanderley, Marcelo Caiado, DataSecurity, William Teles, Tony Rodrigues, José Milagre,SEPINF - DPF, APURA)
  11. Pentesting (Wendel Henrique, Filipe Balestra, Joaquim Espinhara, Rafael Ferreira, Tempest)
  12. Segurança de Sistemas Embarcados (Rodrigo Almeida, Sérgio Prado, Alberto Fabiano)
  13. Segurança de Sistemas Operacionais (Fernando Cima, Jeronimo Zucco, Marcelo Tossati)
  14. Segurança de Aplicações Web (Tiago Assumpção,Wagner Elias, Lucas Ferreira, Thiago Zaninotti)
  15. Segurança de Sistemas SCADA (Marcelo Branquinho)
  16. Segurança de Rede (Aker, Breno Silva, Frank Ned)
  17. Segurança de Redes Wireless (Nelson Murilo, Leonardo Militelli)
  18. Segurança de Backbone (Daniel Kratz, Karlos Correia, Kleber Carriello)
PS: Estas lista de áreas e referências acadêmicas, governamentais e empresariais se iniciou a partir de referências pessoais e aguardo sugestões para atualizar a lista com nomes que os leitores podem incluir nos comentários, abaixo.

Através da COMSIC, o José Eduardo Brandão, do IPEA, colaborou com a lista de outras universidades ainda não citadas, a partir de um levantamente feito em dezembro de 2010:

Centro Universitário do Pará, Faculdade de Tecnologia e Ciências, Faculdade Estácio, Faculdade Paraíso do Ceará, Faculdades Integradas Rio Branco, FURB - Universidade Regional de Blumenau, IFES, IFPR, IFRS, IFSC, IME, Instituto Federal Catarinense Campus Videira, Instituto Federal de Goiás, Instituto Federal de Mato Grosso, IPEA, IPT, ITA, PUCPR, PUCRS, SENAC, SENAC/RS, UDESC, UECE, UENP, UESPI, UFABC, UFAM, UFBA, UFCG, UFF, UFMA, UFMG, UFMT, UFPI, UFPR, UFRGS, UFRN, UFRJ, UFPE, UFSC, UFSE, UFSM, UFU, UnB, UNESP, UniCEUB, Unibalsas, Unicamp, UNIFACS , UNIJORGE, UNIMEP/FATEC, Uninove, UNISINOS, Unisul, UNIVALI, Universidade Católica de Brasília, Universidade Cruzeiro do Sul, Universidade do Estado de Mato Grosso, Universidade Estadual de Maringá, USP e UTFPR.

Como referência, os Estados Unidos possuem uma iniciativa que lista "Centros de Excelência" acadêmica em "Information Assurance" publicada em http://www.nsa.gov/ia/academic_outreach/nat_cae/institutions.shtml

Vale também mencionar que no Brasil existem instituições de governo, como a Escola Superior de Redes da RNP e o CERT.BR e empresas como a Clavis, que possuem cursos úteis, inclusive online - para treinamento de profissionais que atuam na área.

Outras informações:
Com o objetivo de orientar o desenvolvimento de políticas públicas na área de segurança cibernética, a SAE lança a publicação “Desafios Estratégicos para a Segurança e Defesa Cibernética” com artigos e propostas de curto e médio prazo para a administração federal. A publicação visa fazer com que o país estabeleça práticas de prevenção e combate às invasões digitais, que crescem a cada dia.
  • O "Center for Strategic and International Studies" publicou uma análise (PDF) entitulada "Cybersecurity and Cyberwarfare - Preliminary Assessment of National Doctrine and Organization" onde são delineados os esforços de dezenas de países (da Albânia ao Zimbabwe) na área de CiberSegurança e CiberDefesa.
Aos interessados em se atualizar sobre Segurança e Defesa Cibernética", seguem vários artigos - recheados de informações e links - publicados aqui no blog com assuntos relevantes. Além disto, aproveito para fazer propaanda do meu twitter - que é bastante ativo em novidades sobre temas relevantes ao assunto.
Como contribuição, segue algum material sobre treinamento na área já publicado por aqui:

Saturday, October 10, 2009

7 (ou mais) Conceitos em Seguranca alem da Confidencialidade, Disponibilidade e Integridade



Em algumas oportunidades recentes - durante congressos e trabalhos de consultoria - estive conversando com colegas e clientes sobre alguns tópicos interessantes de nossa área apaixonante de interesse comum - a Segurança da Informação.

Os tópicos relacionados à Segurança vem se multiplicando e especializando muito nos últimos anos, incluindo tópicos relacionados à Segurança de Rede, Segurança de Sistemas Operacionais e Bancos de Dados, Desenvolvimento de Aplicações Seguras, Testes de Penetração, Auditorias de Segurança, Análise de Códigos Maliciosos, Resposta a Incidentes, Forense Computacional e suas evoluções (Memória e Rede).

A Segurança da Informação está a cada dia se tornando um tópico mais popular e tem ganhando muito espaço na mídia (inclusive não especializada). Vemos crescer de forma contínua e significante a maturidade em segurança dentro de instituições públicas, privadas e academicas.

O interesse corporativo pelo tema tem atraído e convergido interesses, ações e ferramentas de áreas como Governança, Risco, Compliance, Auditoria e Jurídico. Além disto, por se tratar de uma área do conhecimento muito nova,a segurança vem recebendo contribuições teóricas de disciplinas tão variadas quanto a engenharia, a economia e a psicologia.

Conhecemos bem o o desafio que é se manter atualizado nos vários tópicos de interesse dentro deste Universo chamado "Segurança da Informação". Eu costumo reservar algumas horas semanais para ler livros/sites/blogs/feeds rss/para me atualizar na área.

Acredito que existem algumas discussões teóricas sobre o tema da Segurança da Informação que são muito interessantes e que influenciam a disciplina e o mercado em si - e elas certamente vão além do tradicional tripé de conceitos "Confidencialidade / Integridade / Disponibilidade" que estamos acostumados a debater por mais de 20 anos.

Neste post pretendo fazer um breve resumo de sete conceitos que considero importantes, incluindo informações sobre seus principais autores e/ou defensores e links externos com mais informações sobre os assuntos:



[ CSO da British Telecom / criptoanalista / autor ("Applied Cryptography","Beyond Fear") ]

Conflitos de Escolha (Trade-Offs):
Schneier introduz em seu livro "Beyond Fear" a existência de "trade-offs" quando são avaliadas e aplicadas medidas de segurança. A questão muda de "estamos seguros?" para "vale a pena estarmos seguros?".

Teatro em Segurança (Security Theater):
Outro conceito frequentemente citado por Schneier em "Beyond Fear" é a utilização de contra-medidas que só oferecem uma (falsa) sensação de segurança. Ele chama isto de "Securiy Theater" e demonstra o distanciamento entre o risco percebido e o risco real.


II -Dan Geer [ CSO da In-Q-Tel e Visionário em Segurança]
Dan Geer defende que a segurança seja uma das profissões que exigem um maior desafio intelectual no planeta. Segundo ele, o conhecimento basilar em segurança chegou a um ponto em que novos profissionais e/ou estudiosos não conseguirão ser generalistas verdadeiramente competentes - e por isto a unica opção que eles possuem é a especialização cada vez maior.

Sobre a classificação de informações e controle a aplicações e dados críticos:

* Se você não sabe nada, 'permit-all' é a única opção;

* Se você sabe algo, 'default-permit' é o que você pode/deve fazer;
* Se você sabe tudo, somente aí o 'default-deny' se torna possível.

A expressão "Advanced Persistent Threat" é muito relevante para qualquer profissional envolvido em Segurança da Informação. Tratam-se de ataques contínuos utilizando amplos recursos (tempo e dinheiro), e que são altamente sofisticados e claramente direcionados. Neste tipo de situação, as defesas tradicionais e genéricas são inúteis.


IV - Ross Anderson
[ Professor da Universidade de Cambridge, autor ("Security Engineering")
 ]


Este campo de estudo foi proposto depois de observações feitas por Ross Anderson indicando que incentivos incorretamente alinhados e assimetria de informações explicam a falha de sistemas de segurança mais comumente do que fatores técnicos. A abordagem utilizando a economia pretende prover uma forma mais efetiva de analisar diretamente problemas relacionadas à segurança da informação como privacidade, spam e phishing.

Psicologia aplicada à Segurança:

Segurança como sentimento versus segurança como realidade - e outros tópicos.



"O único sistema verdadeiramente seguro é aquele que está desligado, dentro de um bloco de concreto e guardado em uma sala com guardas armados, e ainda assim eu tenho minhas dúvidas"


Tuesday, June 17, 2008

DLP e WAF, porque é tão difícil / Segurança em profundidade




Existem dois 'security buzzwords ' que estão em voga: WAF - Web Application Firewall e DLP - Data Loss Prevention.

Ambos se afastam da visão de proteção da segurança de rede no perímetro: Firewall, IDS/IPS e se voltam para onde as informações críticas - e vários ataques de grande impacto - verdadeiramente se encontram, nas camadas de aplicação (WAF) e dados (DLP).

O maior benefício inicial em utilizar ambas as tecnologias é o auxílio que elas podem trazer à maturidade da cultura de segurança na empresa, pois elas lhe forçarão a encarar alguns sérios problemas de segurança que talvez estivessem passando despercebidos.

É um desafio grande implementar com sucesso tais soluções em ambientes complexos, e a maior dificuldade está em conhecer/ classificar / controlar profundamente as alterações em suas aplicações e dados críticos para que você possa ter o conhecimento necessário para utilizar todo o poder destas ferramentas, conforme o visionário Dan Geer coloca (citado por Jeremiah Grossman) [tradução livre]:

  • Se você não sabe nada, 'permit-all' é a única opção.
  • Se você sabe algo, 'default-permit' é o que você pode/deve fazer.
  • Se você sabe tudo, somente aí o 'default-deny' se torna possível

Seguem alguns links de vendors de DLP/WAF :

- DLP (Verdasys, Symantec/ex-Vontu, TrendMicro/ex-Provill, IronPort)
- WAF (Citrix/ex-Teros, NetContinuum, Imperva)

Veja alguns exemplos recentes da dificudade em implementar com sucesso tais soluções:

Por mais investimento em segurança / classificação de dados / controle de material confidencial que os governos façam, isto não impediu que recentemente projetos americanos de ogivas nucleares fossem parar em notebooks de contrabandistas suíços (Reuters) ou dados de inteligência - obviamente secretos - sobre a rede Al-Qaeda fossem achados em um ônibus na inglaterra. (BBC) . Aqui, além do DLP- que poderia indicar/evitar o vazamento destas informações, deveria ter sido utilizado o 'full disk encryption' - uma tecnologia que possui boas implementações gratuitamente - que evitaria o impacto na confidencialidade das informações.

Pelo lado das soluções de WAF - como comentei ontem, foram encontradas dezenas de falhas exploráveis de Cross Site Scripting em sites importantes do governo americano (incluindo a CIA e a NASA), possivelmente uma solução de WAF bem implementada evitaria que a maioria destes sérios problemas chegassem à mídia.

Como sabemos nenhuma solução é panacéia, e poucas destas darão conta sozinhas de uma simples faceta da segurança da informação. para proteger o investimento ao escolher e utilizar as tecnologias apresentadas pelo mercado em ambientes complexos, uma visão clara de "segurança em profundidade" (ahá, entendeu o motivo do cebolão esquisito aí em cima) é fundamental, e isto inclui (re)conhecer os riscos não mitigados particulares ao seu negócio.


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