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Tuesday, February 11, 2014

Campanha de espionagem "Careto / The Mask" e o Brasil


Hoje a Kaspersky divulgou um relatório descrevendo uma campanha de ataque persistente e avançada (APT) utilizando métodos relativamente sofisticados, denominada "Careto" / "The Mask" - as análises preliminares indicam que a autoria possívelmente foi de um país e não de um grupo criminoso, hactivistas ou hobistas. O Brasil é um dos países atacados.

Antes de mais nada, sobre os "Advanced Persistent Threats": prefiro definí-los como ataques continuados, utilizando amplos recursos (tempo e dinheiro), e claramente direcionados. O direcionamento somado aos amplos recursos de tempo resulta na persistência, e o direcionamento somado a muito dinheiro permite ao atacante desenvolver (ou adquirir) métodos diferenciados de infecção, bypass, delivery, comando e controle e roubo de informações. Por isto os atores por trás deste tipo de ataque são normalmente considerados países. Neste tipo de situação, as defesas tradicionais - configuradas de forma a evitar ameaças genéricas - são inúteis.

Vale a pena lembrar que não se trata de algo inédito, ou mesmo incomum. Nos últimos 10 anos (com clara intensificação nos últimos 5), cerca de 30 (TRINTA) longas campanhas de Ameaças Persistentes e Avançadas (APTs) foram analisadas e divulgadas, entre elas: Byzantine Haydes, Titan Rain, Rep Wolf, Ghost Net, Aurora, Shadow Net, Stuxnet, Shady RAT, Duqu, Gauss, Nitro, Flame, Taidoor, Shamoon, Elderwood, RedOctober, Icefog, APT1, Beebus, etc.. E estou listando apenas as campanhas conhecidas e "nomeadas", fora as que ainda não foram descobertas e/ou divulgadas..

Voltando ao "Careto" ou "The Mask" (ativo desde 2007):

Além da possível detecção dos binários utilizados, várias mitigações e detecções em outros "domínios", como no Backbone, na Rede, no Email, nos Gateways, em servidores DNS, Proxies e também Endpoints são possíveis e precisam ser desenvolvidas e implementadas.

Na Apura nós acreditamos nisto e buscamos desenvolver tecnologias e capacidades, além de buscar parcerias - idealmente com transferência de tecnologia - para tornar este objetivo uma realidade palpável às empresas públicas e privadas do Brasil.

A tarefa não é simples, especialmente porque além de desenvolver processos e técnicas de deetcção e reação a este tipo de ataque, é necessário aceitar que a forma como nos defendemos hoje não é suficiente. ou mesmo aceitável. Sobre este assunto, recomendo o material que o governo da Austrália preparaou sobre o assunto: Estratégias para mitigar intrusões direcionadas.

Caso você seja responsável pela segurança de uma organização que foi ou poderia ser alvo de uma campanha como estas, dê uma olhada na lista presente no link acima e perceba que a grande maioria não requer necessariamente grandes investimentos ou novas tecnologias, e sim um foco no que realmente importa ao invés de seguir fórmulas e receitas de investimento de recursos (novamente tempo e dinheiro) em tecnologias comoditizadas e ineficientes como Firewalls, IDS e Anti-vírus:
  1. Whitelisting de Aplicações
  2. Patching de Aplicações
  3. Patching de Sistemas Operacionais
  4. Minimizar os usuários com permissões administrativas locais ou de domínio
  5. Desabilitar contas de administrador locais
  6. Autenticação de múltiplos fatores
  7. Segmentação e segregação de redes
  8. Firewall de Aplicação em Estações de trabalho para negar tráfico 'entrante'
  9. Firewall de Aplicação em Estações de trabalho para negar tráfico 'sainte'
  10. Sistema Virtualizado não persistente para atividades arriscadas como leitura de email e navegação na internet.
Para conhecer as outras 25 estratégias, veja o post original sobre o assunto.

Voltando para as informações divulgadas sobre o "Careto / The Mask" - seguem alguns trechos relevantes do paper lançado pela Kaspersky sobre o assunto (65 páginas):

http://www.securelist.com/en/downloads/vlpdfs/unveilingthemask_v1.0.pdf

' What makes “The Mask” special is the complexity of the toolset used by the
attackers. This includes an extremely sophisticated malware, a rootkit, a bootkit, 32-and 64-bit Windows versions, Mac OS X and Linux versions and possibly versions for Android and iPad/iPhone (Apple iOS).

The Mask also uses a customized attack against older versions of Kaspersky Lab products to hide in the system, putting them above Duqu in terms of sophistication and making it one of the most advanced threats at the moment. This and several other factors make us believe this could be a nation-state sponsored campaign.

When active in a victim system, The Mask can intercept network traffic, keystrokes,

Skype conversations, PGP keys, analyse WiFi traffic, fetch all information from Nokia devices, screen captures and monitor all file operations.

The malware collects a large list of documents from the infected system, including encryption keys, VPN configurations, SSH keys and RDP files. There are also several extensions being monitored that we have not been able to identify and could be related to custom military/government-level encryption tools.

Based on artifacts found in the code, the authors of the Mask appear to be speaking the Spanish language.'

During our research, we observed the following exploit websites:

- linkconf.net
- redirserver.net
- swupdt.com

The malware is digitally signed with a valid certificate (since 2010) from an unknown or fake company, called TecSystem Ltd

Full list of stolen files extensions:

*.AKF,*.ASC,*.AXX,*.CFD,*.CFE,*.CRT,*.DOC,*.DOCX,*.EML,*.ENC,*.GMG,*.GPG,*.HSE,*.KEY,*.M15,*.M2F,*.M2O,*.M2R,*.MLS,*.OCFS,*.OCU,*.ODS,*.ODT,*.OVPN,*.P7C,*.P7M,*.P7Z,*.PAB,*.PDF,*.PGP,*.PKR,*.PPK,*.PSW,*.PXL,*.RDP,*.RTF,*.SDC,*.SDW,*.SKR,*.SSH,*.SXC,*.SXW,*.VSD,*.WAB,*.WPD,*.WPS,*.WRD,*.XLS,*.XLSX

Inside the main Careto binaries there is a CAB file with two modules - 32 and 64-bit.
shlink32.dll
shlink64.dll

The malware extracts one of them depending on the system architecture and installs it as "objframe.dll".

Inside the backdoor there are three executable files, once again, packed with CAB and having the .jpg extension:
dinner.jpg
waiter.jpg
chef.jpg.

The attackers call the more sophisticated malware SGH. We discovered the attackers trying to install multiple plugins for it.

Also we have found traces of lateral movement tools, such as a module for Metasploit with the “win7elevate” artifact. '

O Apêndice 1 do relatório da Kasperksy nos oferece uma lista de indicadores de comprometimento (IOCs) que podem ser utilizados para verificar se máquinas e redes foram afetadas pela campanha. 

"
Filenames:

%system%\objframe.dll
%system%\shlink32.dll
%system%\shlink64.dll
cdllait32.dll
cdllait64.dll
cdlluninstallws32.dll
cdlluninstallws64.dll
cdlluninstallsgh32.dll 
cdlluninstallsgh64.dll 
%system%\c_50225.nls
%system%\c_50227.nls
%system%\c_50229.nls
%system%\c_51932.nls
%system%\c_51936.nls
%system%\c_51949.nls
%system%\c_51950.nls
%system%\c_57002.nls
%system%\c_57006.nls
%system%\c_57008.nls
%system%\c_57010.nls
%system%\cdgext32.dll
%system%\cfgbkmgrs.dll
%system%\cfgmgr64.dll
%system%\comsvrpcs.dll
%system%\d3dx8_20.dll
%system%\dllcomm.dll
%system%\drivers\wmimgr.sys
%system%\drvinfo.bin
%system%\FCache.bin
%system%\FFExtendedCommand.dll
%system%\gpktcsp32.dll
%system%\HPQueue.bin
%system%\LPQueue.bin
%system%\mdwmnsp.dll
%system%\rpcdist.dll
%system%\scsvrft.dll
%system%\sdptbw.dll
%system%\slbkbw.dll
%system%\skypeie6plugin.dll
%system%\wmspdmgr.dll
%temp%\~DF01AC74D8BE15EE01.tmp
%temp%\~DF23BF45A473C42B56.tmp
%temp%\~DFA0528CD81300F372.tmp
%temp%\~DF8471938479DA49221.tmp 
%appdata%\microsoft\c_27803.nls
%appdata%\microsoft\objframe.dll
%appdata%\microsoft\shmgr.dll

Registry keys:
[HKLM\Software\Classes\CLSID\{E6BB64BE-0618-4353-9193-0AFE606D6F0C}\InprocServer32]

C&C and exploit staging server IPs:

190.10.9.209 
190.105.232.46 
196.40.84.94 
200.122.160.25 
202.150.211.102
202.150.214.50 
202.75.56.123 
202.75.56.231 
202.75.58.153 
210.48.153.236 
223.25.232.161 
37.235.63.127 
75.126.146.114 
81.0.233.15 
82.208.40.11 
62.149.227.3
75.126.146.114

Domains and hostnames:

nthost.shacknet.nu
tunga.homedns.org
prosoccer1.dyndns.info
prosoccer2.dyndns.info
nav1002.ath.cx
pininfarina.dynalias.com
wqq.dyndns.org
pl400.dyndns.org
services.serveftp.org
sv.serveftp.org
cherry1962.dyndns.org
carrus.gotdns.com
ricush.ath.cx
takami.podzone.net
dfup.selfip.org
wwnav.selfip.net
fast8.homeftp.org 
ctronlinenews.dyndns.tv
mango66.dyndns.org
gx5639.dyndns.tv
services.serveftp.org
*.redirserver.net
*.swupdt.com
*.msupdt.com
*.appleupdt.com

*.linkconf.net
"

Muitos outros detalhes podem ser vistos no relatório original da Kaspersky (PDF)

Vale lembrar que apesar deste caso - especialmente no que tange o bypass de soluções de anti-vírus - o malware foi considerado mais "avançado" que o Flame e o Duqu, não significa - necessariamente - que todo ataque bem sucedido é sofisticado. A persistência e o direcionamento muitas vezes são mais importantes para o sucesso neste tipo de campanha que quantos "0days" ou novas técnicas de bypass de proteções de sandbox e memória foram utilizadas..

Em uma primeira leitura do relatório, percebe-se que o Brasil é o segundo país com mais "IPs infectados" pelo malware, atrás apenas do Marrocos. Esta análise foi feita a partir do registro de "debug" de vários servidores de comando e controle do malware. Quando o que foi avaliado foram as novas conexões únicas (por ID de máquina) a sinkholes recentes que receberam conexões direcionadas a servidores de C&C, da Kaspersky - o resultado é diferente: Cuba e Espanha são os países com mais "vítimas". Uma possível conclusão é que a infraestrutura de espionagem do "Careto" já foi muito utilizada para monitorar alvos no Brasil, mas não recentemente.

Dito isto, o que podemos fazer? Além da adoção de grande parte das estratégias citadas no início deste artigo, é fundamental que o governo brasileiro, com apoio da academia e da iniciativa privada, busque ATIVAMENTE entender a real extensão desta (e de outras) campanhas deste tipo. Até mesmo porque muito além do vazamento de informações sensíveis (inclusives secretas / estratégicas), a maior ameaça está na possível alteração e até mesmo destruição física - especialmente em infraestruturas críticas como usinas, hidrelétricas, aeroportos, etc.

Report e download de um dos samples "The Mask" disponíveis publicamente no momento (via Malwr):

https://malwr.com/analysis/MGZlYjQ0OTBjOGQ0NDBmYzgwODJiNTBhNzVkMGU2MGY/


FILE SIZE345480 bytes
FILE TYPEPE32 executable (GUI) Intel 80386, for MS Windows
MD55cfd31b1573461a381f5bffa49ea1ed6
SHA10081e20b4efb5e75f9ce51e03b2d2d2396e140d4
SHA25619e818d0da361c4feedd456fca63d68d4b024fbbd3d9265f606076c7ee72e8f8
SHA51206d45ebe50c20863edea5cd4879de48b2c3e27fbd9864dd816442246feb9c2327dda4306cec3ad63b16f6c2c9913282357f796e9984472f852fad39f1afa5b6b
CRC32A210FDD8
SSDEEP6144:Szbcv49dLbVfOTAlsQrxvWGY5Kbt6FfrrkEoSdEBSkqFzDdj0lMGYk:d6/OTAlsQsGAKbt6hXkEoSgtqFzhj0lz


Dropped File:

FILE NAMEshmgr.dll
FILE SIZE114688 bytes
FILE TYPEPE32 executable (DLL) (GUI) Intel 80386, for MS Windows
MD596aee2389c325343f6db3be500a8a962
SHA17c30dc5d96023a1aa018921b4f01e98960992cb9
SHA25602ae1226b817cf2a7022b2d5c934f26a46233d822f2bfe3a488c885ff1121c4e
CRC32B3141A56
SSDEEP3072:60aBz3pbanFnyRc2A8DHjAQlZcmJ7IYXn1:60aBz3MFuc+HjA1y

O binário listado acima possui uma taxa de detecção no Virustotal de apenas 4 anti-virus no dia 10/02/2014 Panda, Kaspersky, Bkav e Symantec.

Outros links relevantes sobre o assunto:

Monday, October 7, 2013

Espionagem "contra" o Brasil e o Marco Civil no Forno - Brasil pós Snowden



Como sabemos, a Lei de Combate aos Cibercrimes - que já era discutida há mais de 10 anos - acabou tendo sua aprovação acelerada depois do vazamento não autorizado de fotos da atriz Carolina Dieckmann e passou a ser conhecida como Lei Dieckmann.

O Marco Civil da Internet no Brasil (talvez Lei Snowden?), se propõe entre outras coisas a proteger a privacidade do cidadão na internet e parece ter recebido um efeito catalizador semelhante com os vazamentos de informações advindos de Edward Snowden, que tem sido divulgados no Brasil por Glenn Greenwald e a Rede Globo.

O último capítulo desta histórica aconteceu hoje no Fantástico: Ministério de Minas e Energia foi alvo de espionagem do Canadá (texto e vídeo).

Estas acusações se somam as de espionagem das comunicações da Presidenta do Brasil e da Petrobrás, feitas recentemente dentre as várias outras oriundas dos documentos obtidos por Snowden na NSA.

A Presidenta Dilma, que recentemente voltou ao Twitter depois de muito tempo, publicou hoje uma sequência de Tweets exatamente sobre isto:


[ Update 07/10/2013 ]



Para quem se interessou no livro que a Dilma está lendo sobre o assunto, ele se chama "The Shadow Factory: The Ultra-Secret NSA from 9/11 to the Eavesdropping on America" e pode ser comprado online.

Em um futuro não muito distante pretendo publicar um post analisando as diversas reações a ampla divulgação de atividades de espionagem internacional contra o Brasil, mas isto fica pra próxima.

PS: nosso blog está chegando a impressionante marca de 400.000 visitas! Muito obrigado a todos, e desculpem por não estar o atualizando com tanta frequência quanto fazia antigamente. Para atualizações diárias, sigam-me (e a Dilma ;) no twitter.

Friday, December 14, 2012

Framework de Cibersegurança Nacional publicado pela OTAN

Em outubro publicamos por aqui que o centro de Cooperação de Defesa Cibernética da OTAN em Tallin, Estônia (CCDCOE), havia publicado um draft de um manual de Direito Internacional aplicado à Guerra Cibernética: "The Tallinn Manual on the International Law Applicable to Cyber Warfare", e que na ausência de outros documentos ou manuais relacionados ao assunto, o Manual de Tallinn tinha potencial para tornar-se uma referência importante para o Direito Internacional aplicado à Guerra Cibernética.

Hoje o CCDCOE publicou um extenso documento (236 páginas) entitulado "National Cyber Security Framework Manual". O manual trata de diversos assuntos relevantes, incluindo definições de CyberCrime, CyberEspionage e CyberWarfare, tendências e integração de estratégias de segurança nacional e de cibersegurançae lições aprendidas úteis para países - como o Brasil - que precisam solidificar sua postura na área.

Vale ressaltar também a análise de possíveis estruturas organizacionais e interações entre as diversas partes interessadas e que precisam estar envolvidas.

Abaixo trecho que apresenta os principais atores envolvidos:

"•  Governmental:

- the national government, its public and semi-public agencies,
- independent regulatory bodies,
- inspectorates dealing with cyber security aspects for their top-level domains,
- the military, and
- local government/administration & municipalities;

•  National/Societal:

- critical infrastructure (CI) sector organisations & operators,
- ICT service providers (e.g., Internet Service Providers (ISP) & cloud services),
- industry and businesses at large (and their branch organisations),
- small and medium enterprises (SME),
- (national) software and hardware manufacturers and system integrators,
- universities and research & development organisations,
- specialised defence and security contractors,
- the population at large;

•  International/Transnational:

- multinational arrangements & bodies (e.g., G8, EU, OSCE,377 ITU, World  Bank, Europol, Interpol),
- multi-stakeholder institutions (e.g., IGF,378ICANN 379), 377 OSCE = Organisation for Security and Co-operation in Europe"

Link para o relatório em PDF:

http://www.ccdcoe.org/publications/books/NationalCyberSecurityFrameworkManual.pdf

Alguns posts relacionados:


Tuesday, August 14, 2012

CiberGuerra e CiberEspionagem: O uso de ferramentas de invasão por Nações e Governos



Recentemente estive palestrando sobre CiberGuerra e CiberEspionagem no Campus Party Recife, e fiquei surpreso ao final da apresentação ao receber mais de 20 perguntas da audiência sobre este tema.

O assunto chama cada vez mais atenção da mídia e consequentemente do público. Infelizmente, em geral a cobertura feita pela mídia (mesmo a especializada) é movida pela técnica de "FUD" (Fear Uncertainty and Doubt) dos fabricantes de tecnologia de segurança da informação, como empresas de anti-vírus.

Este post tem o objetivo de listar resumidamente os tipos de ferramentas conhecidas que tem sido utilizadas por Nações (CiberGuerra, CiberEspionagem) e Governos (em apoio ao Sistema Judiciário) em ações relacionadas à CiberGuerra e CiberEspionagem.

I) "Nation-State Designed":

Uma coisa importante a perceber é que uma vez montado um framework (ou obtido de fontes conhecidas) é fácil recompilar e fazer "novos" trojans. No caso dos casos mais recentes, o "Gauss" possui rotinas de decriptação similares ao "Flame" e ambos por sua vez contém a mesma rotina de infecção USB que o "Stuxnet". Ou seja, O "Gauss" está mais pra irmão do "Flame" e primo do "Stuxnet", que por sua vez tem como irmão o "Duqu". Todos eles fazem parte do mesmo projeto / framework americano chamado "Olympic Games". Diferentes compilações dos mesmo framework, que rendem às empresas de anti-vírus bastante publicidade quanto são descobertas.

II) Trojans para investigações online

Usados para investigações policiais em alguns países e normalmente autorizados judicialmente. Nada impede que sejam utilizados fora deste contexto ou países, pelos seus autores ou detentores de seu código.

Alguns exemplos são o CIPAV (US/FBI) e o Bundestrojaner (Alemanha)

Mais detalhes sobre este ítem neste post: http://sseguranca.blogspot.com.br/2009/04/cipav-fbi-utiliza-spyware-em.html

III) "Closed Market" Penetration Tools & Exploits:

Existem diversas ferramentas mais "comerciais" (apesar de teoricamente seu acesso ser restrito à governos com uma lista negra de países a quem não se vende). Como exemplo podemos citar as vendidas pela italiana HackingTeam e pela inglesa Gamma - que recentemente teve seu "FinFisher" identificado em cerca de 10 países:

https://community.rapid7.com/community/infosec/blog/2012/08/08/finfisher

Há também empresas como a francesa VUPEN, que vendem exploits para vulnerabilidades 0-day, somente para governos.

IV) Commercial Frameworks:

Existem vários frameworks comerciais de pentest como o argentino Core Impact e os americanos Metasploit Pro da Rapid7 e Immunity Canvas. Neles uma infinidade de exploits podem ser utilizados para atacar sua própria infra-estrutura, ou a dos outros..

V) Open Source Frameworks:

Vale a pena ressaltar que em geral as redes (governamentais, educationais e comerciais) não requerem tanta sofisticação para serem invadidas, e o uso de ferramentas amplamente conhecidas com exploits públicos e técnicas simples de Spear Phishing são suficientes para invadir mesmo infra-estruturas críticas (como exemplo recente veja a notícia do possível ataque "ThunderStruck" com o Metasploit Framework na agência nuclear iraniana).

http://www.f-secure.com/weblog/archives/00002403.html

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